0

Baseado na peça de Beau Willimon (Farragut North), Tudo pelo Poder é dirigido por George Clooney, que, num vasto conjunto de ideias, discute os bastidores da disputa presidencial nos EUA. Mike Morris, interpretado pelo próprio Clooney (de Um Homem Misterioso), disputa a candidatura pelo partido dos democratas, e tem como perfil o cidadão comum, adepto às modernidades, mas contido de exaltações diante de problemas complexos.

Nesta obra encontramos referências reais de fatos e situações que já ocorreram no cenário político americano, escândalos sexuais, troca de favores, corrupção, mobilização de populares, acertos políticos, exploração da religiosidade e aquele que se mostra o mais interessante neste filme, a atuação da equipe de comunicação e assessores dos candidatos à presidência.

Na verdade, as disputas políticas podem ser aqui comparadas com um grande teatro, encarnação de personas diante do público e da imprensa, que visam realizar todos os desejos e suprir todo e qualquer tipo de necessidade do eleitor. Onde o palco das encenações é substituído por palanques e debates nas redes de televisão e emissoras de rádio, lugar de negociação e busca pelo eleitorado fiel e comprometido com o desenvolvimento do país.

À frente da equipe do concorrente, temos Tom Duffy (Paul Giamatti, de A Minha Versão do Amor), intérprete do chefe de campanha, rival de Mike Morris, uma figura muito inteligente, que joga com qualquer arma para tentar alcançar a vitória. É como um abutre da política, se aproveita de qualquer situação, da mais fraterna até as mais asquerosas, em busca do sucesso. Enquanto na equipe de Clooney, temos Paul Zara (Philip Seymour Hoffman, diretor e ator em Vejo Você no Próximo Verão), um sujeito também sem limites para alcançar a vitória, mas um pouco mais contido e que em suas falas deixa ao espectador discretas críticas que, com certeza, o farão pensar melhor antes de confirmar o seu voto.

No meio destes dois grandalhões aparece o personagem mais conflituoso da trama. Stephen Meyers (Ryan Gosling, de Amor a toda Prova), um jovem e excelente assessor que acredita fielmente no seu representante (Mike Morris) para assumir a presidência dos Estados Unidos. Com foco facilmente perceptível no roteiro, muito bem interligado e dinâmico, o filme não deixa a desejar na trilha sonora, que vai de hinos marciais ao blues contemporâneo, como também tem excelente direção de fotografia, clássica, mas com algumas intervenções da modernidade, como painéis de LED e utilização de filtros que realçam a dramaticidade em cenas noturnas, e aquelas nas quais ocorrem os diálogos referentes à corrupção e troca de favores.

Diante de Tudo Pelo Poder temos uma pequena demonstração de como são bem elaborados e muito calculados os passos de uma campanha. Interessante coincidência a data de lançamento aqui no Brasil ser, justamente, neste período com as recentes afirmações de Boni sobre os bastidores e articulações entre os veículos de comunicação na disputa entre Lula e Collor em 1989. Diante da tela questionamos até que ponto as palavras de um candidato são aquilo que ele realmente acredita ou apenas um discurso pré-elaborado de um jogo em que ganha aquele que possui a melhor equipe.

Por: Robyson Vilaronga 

Tudo Pelo Poder (The Ide of March) - 101 min
EUA - 2011
Direção: George Clooney 
Roteiro: George Clooney, Grant Heslov 
Elenco: George Clooney, Ryan Gosling, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman 

Estreia: 23 de dezembro

Compartilhe este conteúdo |

O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top