1

As carnificinas causadas pelas guerras civis em diversas regiões da África estampam as manchetes dos jornais e ocupam as telas das TVs de todo o mundo há tempos, mas parece que ninguém se importa. Mas um cidadão norte-americano, Sam Childers, se importa e pega em armas para defender as crianças do norte de Uganda e sul do Sudão desde o fim dos anos 90. A história dele foi parar nas telas de cinema pelas mãos do diretor Marc Forster (de 007: Quantum of Solace e O Caçador de Pipas).

Representado por Gerard Butler (de Código de Conduta), Childers levava uma vida criminosa até que um belo dia se converte à religião e transforma-se em um amoroso marido para Lynn (Michelle Monaghan, de Contra o Tempo) e pai para Paige (Ryann Campos), além de um bom construtor.  Meio por acaso acaba indo à África como voluntário, onde sofre um verdadeiro choque de realidade. Ao voltar aos Estados Unidos, tem uma espécie de revelação e decide construir uma igreja.

Um caipira da Pensilvânia, como ele mesmo a certa altura se define, Childers passa a se dedicar integralmente à causa das crianças africanas. Ao presenciar a brutalidade que impera naquela parte do mundo, ele se engaja de corpo e alma à defesa dos órfãos, a ponto de negligenciar a sua família nos Estados Unidos

O filme traz diversas sequências de guerra rodadas com bastante realismo em locações, o que o torna incômodo às vezes, atingindo assim um dos seus objetivos. Além da crueldade reinante, fica clara também a confusão que há na disputa política, com salvadores da pátria transformando-se em tiranos em pouco tempo. No fim da história (que na verdade não tem fim), são as crianças que mais sofrem.

O que não é tão bem desenvolvido é a personalidade dual de Childers, que não hesita em se converter em um guerrilheiro para defender o orfanato que construiu. Sem perceber, ele começa a agir de maneira tão tirânica quanto os ditadores africanos de plantão, a ponto de ser rejeitado por seus seguidores. Esse aspecto, porém, ocupa muito menos tempo que o momento anterior à conversão.

Gerard Butler mergulha de cabeça no papel, fazendo de modo convincente o marginal que se transforma em pastor e em seguida num homem obcecado e sem noção do perigo. Michelle Monaghan e Michael Shannon (Dennis) defendem muito bem suas participações pequenas, mas importantes, assim como Souleymane Sy Savane (Deng), do núcleo africano.

Um breve comentário sobre o título: infelizmente as distribuidoras brasileiras têm o péssimo hábito de menosprezar a inteligência do público e inventam títulos que nada têm a ver com o original. Assim, O Pastor da Metralhadora, em tradução livre, virou Redenção, implicando que o personagem principal estava buscando uma forma de perdão pelos crimes cometidos antes da conversão, o que não transparece de maneira clara no filme, ou seja, é uma interpretação possível, mas reducionista.

Por: Gilson Carvalho



Redenção (Machine Gun Preacher) – 129 min
EUA – 2011
Direção: Marc Forster
Roteiro: Jason Keller
Elenco: Gerard Butler, Michelle Monaghan, Michael Shannon, Kathy Baker, Souleymane Sy Savane, Ryann Campos, Madeline Carroll

Estreia: 16 de dezembro


Compartilhe este conteúdo |

O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

  1. As distribuidoras são criticadas por isso há décadas!!!
    Será que eles nunca vão dar o braço a torcer???

    Deve ser falta de auto-estima. Eles fazem isso pra ter uma participação criativa na obra dos outros.

    ResponderExcluir

 
Top