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Apesar do ótimo elenco (Kevin Spacey, Stanley Tucci, Demi Moore, Jeremy Irons e outros), Margin Call: O Dia antes do Fim dá a entender que o roteiro surpreenderá, mesmo porque é o que se pode esperar de uma produção que consegue reunir um elenco deste porte (sem ter um grande orçamento). Mas o que acontece é uma verdadeira frustração. Passamos todo o tempo com diálogos intermináveis, esperando uma reviravolta, mas nada de relevante acontece.

O problema do roteiro em não ter a reviravolta é que torna o filme monótono. Ele cria um clima interessante, que prende o público, sugerindo que algo muito grave irá acontecer, mas com o passar do tempo, ao vermos que nada acontece, o filme se torna previsível. Com isso passamos a nos perguntar: Qual o objetivo do filme? Além disso, pelo ótimo elenco, também vem a pergunta: O que teria feito tantos atores experientes e renomados aceitarem a participação?

Na trama, uma equipe da direção de uma grande empresa demite 80% do quadro de funcionários durante a crise financeira de 2008. Eric Dale (vivido por Stanley Tucci, de Capitão América: O Primeiro Vingador) é um dos demitidos, que ao sair, entrega um pen drive com detalhes sobre um rombo financeiro que levará a empresa à falência. Rapidamente organiza-se uma reunião de emergência com a cúpula da empresa durante a madrugada. O filme mostra o velho clichê que no mundo empresarial os fins justificam os meios, e que o que importa é obter lucro. 

Jeremy Irons está muito bem como o patrão com pouca inteligência e cultura, mas que chegou ao topo da empresa pelos meios mais escusos. Em contraponto com o jovem funcionário que preserva sua ética e honestidade, com ambição de crescer profissionalmente, mas vai percebendo pouco a pouco o mundo onde está entrando. Entre eles está Sam Rogers, o personagem de Kevin Spacey (de Quero Matar Meu Chefe), que atua na hierarquia da empresa e mantém certa dignidade e ética, mas se deixa levar pelos altos lucros.

É um filme agradável de se ver, mostra a vida em uma grande metrópole. Tem boas locações, bons figurinos, carros de luxo, imagens aéreas. Os diálogos são bons, apesar de ser o tipo de filme que se baseia em diálogos, o que torna o filme falado demais. Como diz o velho ditado, “cinema é imagem”. Para que um filme seja excessivamente falado, é preciso que os diálogos sejam extremamente interessantes, mas em Margin Call: O Dia antes do Fim eles causam o problema citado: geram uma expectativa que não se confirma. Um amigo crítico de cinema diria que “é um bom filme para se ouvir no rádio”. Ou seja, se o longa pode ser todo falado, não é necessário filmá-lo. Mas o grande problema é mesmo no roteiro, por não apresentar ações, surpresas ou reviravoltas. Se isso acontecesse, os diálogos seriam bem vindos.

Por: Beto Besant


Margin Call: O Dia Antes do Fim (Margin Call) - 107 min
EUA - 2011
Direção e Roteiro: J. C. Chandor 
Elenco: Kevin Spacey, Jeremy Irons, Paul Bettany, Stanley Tucci, Demi Moore 

Estreia: 09 de dezembro

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  1. pelamordedeus... vergonha de ler esse review. O filme é um retrato fiel sobre política e poder corporativo...

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