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Camille (Lola Creton) é uma menina francesa de quinze anos. Sullivan (Sebastian Urzendowsky, de Caminho da Liberdade) é seu namorado, também adolescente. Tudo vai bem em sua vida, até que o garoto, sedento por vivência e aventura, resolve passar um ano viajando pela América do Sul. Teoricamente, continuam o namoro por cartas. Porém, o distanciamento é inevitável, e as cartas passam a não virem mais. Deprimida, toca sua vida. Anos mais tarde, vemos uma Camille um pouquinho mais madura, estudante de arquitetura dedicada. Ela se apaixona por seu professor, mais velho, famoso arquiteto norueguês, e inicia um relacionamento novo, muito diferente da paixão juvenil de antes. É aí que entra Sullivan no jogo novamente, que reaparece, também mais amadurecido, com outra cabeça. Este reencontro provocará dúvidas e revisões em suas vidas.

O amor juvenil, inexperiente e no qual tudo é novo, já foi retratado em milhares de películas anteriormente, e vemos vários exemplos disto no próprio cinema francês. A diferença, às vezes, é o contexto e a forma como se conta esta história. Talvez façam falta, neste caso, mais imagens da América Latina, na viagem do personagem masculino. Tema interessante, pois muitos jovens europeus (particularmente franceses, alemães etc.) fazem algo parecido ao se graduarem no colégio ou na universidade. Partem com suas mochilas para o nosso continente, onde passam meses, ou até mesmo anos.

O “mochilão”, ou “backpacking”, pode ser uma experiência muito renovadora, desafiadora e que contrói bastante em nossa vivência e caráter. Realmente é o caso de Sullivan, que volta outro, talvez com outros ideais, visão de mundo etc. Camille parece ser mais frágil, não por ser a personagem feminina somente, mas porque permanece no local onde mantinha o relacionamento adolescente. Porém, sua experiência rumo à maturidade é talvez mais chocante, ou seja, faz par com um homem mais velho. E é incerto, de início, o que se dará destas múltiplas situações em que se encontram atualmente os dois, agora quase adultos. Esta é a história contada de maneira singela pela jovem diretora Mia Hansen-Love, que já foi premiada em Cannes com outro filme seu, O Pai dos Meus Filhos (2009). 

Com bom enredo, o filme traz também bela fotografia, que chama-nos a atenção em sua suavidade e seus tons claros. Esta visão mais técnica do filme reflete a visão da direção: olhar tênue, feminino, algumas vezes inocente até, deste retorno inesperado de um antigo amor que abala o outro, atual, tão “sólido” e estável. Nas palavras da personagem: "Você me persegue onde quer que eu vá... acho que amo você, mas queria que você desaparecesse". O longa poderia talvez ousar um pouco mais em sua narrativa, ou em algum aspecto plástico, mas isso não compromete a obra, que é honesta e fala de um tema que sempre será atual. Além disso, a abordagem da dor e do sentimento presentes no amadurecimento do jovem casal aqui é tratado de forma realista, com todos seus altos e baixos que bem conhecemos.

Por: Will Pereira



Adeus, Primeiro Amor (Un Amour de Jeunesse) 110 min
França – 2011
Direção e Roteiro: Mia Hansen-Love 
Elenco: Lola Creton, Sebastian Urzendowsky, Magne Havard Brekke, Valérie Bonneton 

Estreia: 16 de dezembro


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