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A casa onde Bernward Vesper (o ótimo August Diehl) morava na infância ‘respirava’ a austeridade nazista. Enquanto sua mãe tinha comportamento excessivamente formal (triste e ao mesmo tempo autoritário) na mesa de jantar de jantar, o patriarca Will Vesper (ex-escritor nazista) mostrava o traço sombrio da sua personalidade ao matar um gato e comparar serenamente o animal com um judeu. Bernward cresceu nesse ambiente, tão bem apresentado no longa alemão Se Não Nós, Quem?. Ele, porém, conhece e se apaixona pela idealista Gudrun Ensslin (Lena Lauzemis); juntos abrem uma editora e, no embarcar dos anos 1960, ambos tornam-se figuras importantes em uma era marcada por revoluções politicas e sociais.

Inspirado na história real do escritor Bernward Vesper, a obra do diretor Andres Veiel faz refletir sobre uma geração, ao mesmo tempo em que expõe os traços comportamentais de uma figura humana interessante e, ao mesmo tempo, conflituosa e ambígua. O equilíbrio destes dois aspectos do roteiro é estabelecido de forma correta, apesar de em certos momentos o enfoque na turbulenta relação de Gudrun e Vesper se estender além do necessário. O filme acerta em apresentar as questões históricas do período sem tornar-se panfletário, por mais que os discursos esquerdistas sejam predominantes.

É uma época em que jovens vão para as ruas protestar, espalhar panfletos e incendiar lojas, no ímpeto de lutar contra um sistema que não consideram justo nem democrático – como afirmam os líderes políticos vigentes. É um mundo contraditório, afinal, tiram Hitler do poder e matam milhares de inocentes na Guerra do Vietnã. Mas até que ponto estes jovens politizados têm a noção se os métodos utilizados são certos ou não? Há legitimidade nos atos, ou são arroubos inconsequentes de uma juventude entorpecida pelas drogas da era hippie? Em determinada passagem do longa, Gudrun questiona o hábito de atearem fogo em lojas, e conclui de maneira racional: “A classe trabalhadora nos acha idiotas”. 

Se Não Nós, Quem? é, do ponto de vista narrativo, claro e objetivo na intenção de mostrar as consequências do turbilhão emocional – com ingredientes como drogas, amores efêmeros, bebidas, literatura politizada, revolução e brigas – na vida do escritor. Ele viveu em ambiente nazista, defendeu veementemente o pai (mesmo sendo contrário à ideologia dele, mas dentro daquela lógica de que ‘família é família’), mudou radicalmente e começou a escrever o livro Die Riese (A Viagem, em tradução livre), que hoje é um dos  materiais impressos mais importantes sobre a geração 1968.


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Se Não Nós, Quem? (Wer Wenn Nicht Wir) – 124 min
Alemanha – 2011
Direção: Andres Veiel 
Roteiro: Andres Veiel, Gerd Koenen 
Elenco: Lena Lauzemis, August Diehl, Andreas Döhler, Alexander Fehling, Michael Wittenborn, Susanne Lothar 

Estreia: 11 de novembro (Rio de Janeiro)

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  1. Assisti ao filme e adorei-o. Gostaria muito de indicações sobre onde encontrar o livro A viagem (Die Riese). Agradeço desde já.

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