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Mais um destaque da Mostra Internacional de Cinema, Reidy, A Construção da Utopia, documentário de Ana Maria Magalhães, fala sobre a influência do trabalho do arquiteto e urbanista Affonso Eduardo Reidy nos dias de hoje. O longa venceu o prêmio de Melhor Documentário de Longa-Metragem no Festival do Rio e também o prêmio Pólis no Cine’Eco Seia 2010, de Portugal. Reidy, que é de Paris e radicou-se no Rio de Janeiro, é um importante pioneiro da moderna arquitetura brasileira. Ele foi diretor do Departamento de Urbanismo do Rio, coordenou a radical transformação que modificou o centro do Distrito Federal no fim da década de 1940 e foi um dos pioneiros do brutalismo arquitetônico no Brasil.

Ainda moderno, seus projetos incluem o Museu de Arte Moderna, o Aterro e o querido Parque do Flamengo, com os quais ele viabilizou seu “sonho urbano”. São marcos da cidade maravilhosa. Há também o Conjunto Habitacional do Pedregulho, projeto com o qual ele venceu a Bienal de 1953. No filme Ana aborda sua contribuição para a construção de uma paisagem ,sob o olhar de uma utopia capaz de agir no mundo real, pontuada por entrevistas inéditas com Lucio Costa, a engenheira Carmen Portinho, o arquiteto francês Roland Castro e o brasileiro Paulo Mendes da Rocha.

Ana Maria Magalhães já havia realizado, anos atrás, um documentário televisivo sobre Reidy. Porém, a linguagem de TV não era a mais adequada para o que queria falar. Foi atrás então de uma outra abordagem, menos didática, mais cinema mesmo. Ou seja, deixou um pouco de lado os dados “biográficos”, mais “caretas”, enfocando mais o homem, seus pensamentos, utopias e escritos. Isso na verdade é o que interessa, o que vemos de mais valioso hoje em documentários – cena que mudou muito particularmente no Brasil, vide obras como Estamira, Edifício Master ou até Santiago, que, apesar de parecer mais didático numa primeira olhada, no fundo mesmo é inovador por trazer uma releitura do “fazer antigo”, algo retrô. 

Em Reidy, a edição bota em foco o discurso, claro, mas contempla bastante também as maquetes, obras acabadas e projetos em geral. Como diferencial narrativo, em vez de uma simples narração, a diretora coloca um ator lendo os manuscritos que Reidy nos deixou, um recurso que caiu muito bem. É um filme que pode agradar a arquitetos, urbanistas e também ao público leigo e interessado em artes e personagens importantes do Brasil, ainda que não tão famosos como Niemeyer. Uma dica: no blog do filme, pode-se encontrar diversas informações interessantíssimas sobre projetos de Affonso Reidy, com detalhes técnicos e tudo mais. 


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Reidy, A Construção da Utopia – 77 min 
Brasil – 2009
Direção e Roteiro: Ana Maria Magalhães 

Estreia: 11 de novembro

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