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Dentro do gênero e da proposta a que se dedica o diretor Joel Schumacher, Reféns consegue atingir seu objetivo maior: provocar tensão, e muita. O suspense marca presença no filme do início ao fim, seja na trilha sonora, expressão dos personagens, ou nas suas ações, que sempre parecem “esconder” algo, uma segunda intenção. Há desconfiança entre os membros da família que protagoniza o filme, assim como entre o grupo de bandidos que entra em conflito com eles.

Nicolas Cage (de Fúria Sobre Rodas 3D) é o pai de família que está negociando a compra e venda de diamantes entre seus contatos comerciais. Assunto sigiloso, nem a própria esposa (Nicole Kidman, de Esposa de Mentirinha), e nem a filha adolescente (Liana Liberato, de Confiar), sabem algo a respeito do assunto. Porém, à noite, recebem a “visita” de uma gangue de assaltantes nada pacientes que sabem das jóias e querem arrancar a todo custo esta fortuna das mãos de Kyle (Cage). Este não cede facilmente, agindo com certa frieza e inteligência, apesar de ter a si e à sua família sob a mira e ameaças dos criminosos.

Um dos assaltantes, o mais novo, busca somente obter a esposa de Kyle, Sarah (Kidman) – sexualmente, supõe-se (desequilibrado mental, diz amar a mulher e não suporta ver o casal feliz cheio de grana à sua frente). Acontece que este jovem bandido já havia entrado na casa da família disfarçado como técnico de segurança, a fim de inspecionar o local a ser assaltado posteriormente. E ficou abismado com a beleza e charme de Sarah, que, afastada e aborrecida com o marido workaholic, estava em um momento frágil e deixou-se ser “cantada” pelo rapaz. Ao reconhecê-lo, agora, como um dos assaltantes insanos, a tensão aumenta entre a família, criando joguetes de traição e ciúmes, e criando dúvidas a respeito do que vale mais a pena preservar.

Podemos pensar, às vezes, que Kyle está sendo um tremendo canalha, insistindo em proteger seus bens materiais enquanto sua esposa e filha correm sério risco de vida. Mas não. Ele lembra muito Dustin Hoffman no excelente Sob o Domínio do Medo (Straw Dogs), de Sam Peckinpah. O marido inteligente, promissor, workaholic, aparentemente frágil fisicamente, mas que se utiliza da “malandragem”, astúcia e sangue frio para raciocinar e achar uma saída para um ataque brutal de vários caras que não hesitam em destruir sua casa e matar sua família para conseguirem o que querem. Obviamente, o clássico de Peckinpah é muito mais bem construído. Mas a referência é clara, lembrando também Horas de Desespero, de William Wyler.

Também deve-se notar a cumplicidade que se cria entre família assaltada e bandidos, uma certa compreensão até. Eles negociam, jogam um xadrez tenso, mas sincero, no fundo, a fim de que ambos conquistem seus objetivos: uns salvarem-se, outros roubarem e saírem ilesos – e ainda um terceiro e problemático objetivo, o do jovem bandido que quer aquela bela e rica mulher para si. São vilões humanos, convincentes, e por isso mesmo mais assustadores – ou seja, os melhores vilões. Kidman continua bela e atuando muito bem. Cage segue o padrão dramático que lhe é comum, que não é absurdo, mas cai como uma luva neste roteiro. Para quem busca um suspense com adrenalina, que se passa em tempo quase real, daqueles dos quais não podemos nos desgrudar até que termine, com ritmo ligeiro e sagaz, se satisfará com o novo de Schumacher. 



Reféns (Trespass) – 91 min 
EUA – 2011 
Direção: Joel Schumacher 
Roteiro: Karl Gajdusek 
Elenco: Nicolas Cage, Nicole Kidman, Ben Mendelsohn, Liana Liberato, Cam Gigandet, Jordana Spiro 

Estreia: 11 de novembro

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  1. Legal. Estava desanimado, mas graças a matéria, vou assistir!
    Obrigado.

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  2. AH GALERA O FILME É BOM SIM,MAS TEM UMA HORA QUE DÁ VONTADE GRITAR: ABRE ESSA PORRA DESSE COFRE PELO AMOR DE DEUS!!!RSRSRS.

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