0

Triângulos amorosos sempre renderam bons filmes. Um exemplo é Jules e Jim: Uma Mulher para Dois (Jules et Jim), clássico de François Truffaut de 1962, além de vários outros. O tema é bem aproveitado pelo jovem e talentoso realizador canadense Xavier Dolan em Amores Imaginários (Les Amours Imaginaires), premiado com o Regards Jeunes, além de ser indicado ao Un Certain Regard no Festival de Cannes 2010, e para uma dúzia de outros.

Francis (Dolan) e Marie (Monia Chokri) são dois jovens amigos descolados de Montreal que sentem atração pelo mesmo rapaz, o belo e simpático Nicolas (Niels Schnneider). Para conquistar a atenção de Nicolas, ambos lançam mão de suas melhores armas: Marie usa vestidos, penteados e maquiagem no estilo dos glamourosos anos 1950, enquanto Francis tenta mostrar um certo desinteresse, embora sonhe com um encontro romântico com o objeto de sua paixão. Entre as diversas tentativas de aproximação, surgem a insegurança, o medo da rejeição, a suspeita e consequente respeito pelo sentimento do amigo, o confronto, a decepção e a volta por cima.

Ao longo da narrativa, depoimentos de outros jovens mostram que, diferentemente da idealização que geralmente se faz, na vida real as relações amorosas são extremamente complicadas. Mesmo assim, parece não ser possível escapar dessa necessidade de estar apaixonado e imaginar o amor perfeito. O contraste entre a crueza das experiências negativas nessa espécie de confessionário e a fantasia da felicidade é um ponto alto do filme.

Outra atração é a trilha sonora, que reúne desde Bach a Vive La Fête, passando pela deliciosa interpretação da canção Bang Bang por Dalida, que reflete perfeitamente a atmosfera. A atuação do trio principal também merece destaque, principalmente Xavier Dolan, que além de atuar, escreveu e dirigiu a produção, como já havia feito no seu filme anterior, Eu Matei Minha Mãe (J’ai Tué Ma Mère), também premiado em Cannes em 2009.

Deslizando suavemente entre romance, comédia e drama, Amores Imaginários é estiloso e tem conteúdo, deixando transparecer o frescor da juventude do diretor (tem apenas 22 anos), seu olhar atento e, principalmente, sua capacidade de expressar uma certa contradição que os jovens urbanos e “moderninhos” revelam: não têm problemas em assumir sua identidade, seja ela heterossexual ou gay, pós-moderna ou saudosista, mas seguem buscando o que o ser humano sempre perseguiu: o amor. E se ele não se concretiza, não há problema, podem imaginá-lo. 



Amores Imaginários (Les Amours Imaginaires) – 95 min
Canadá – 2010
Direção e Roteiro: Xavier Dolan
Elenco: Niels Schneider, Monia Chokri, Xavier Dolan, Anne Dorval

Estreia: 18 de novembro

Compartilhe este conteúdo |

O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top