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Dirigido por Tadeu Jungle, Amanhã Nunca Mais é um longa-metragem sobre a passividade e a resignação de um homem diante do que acontece em sua vida. Esse homem é Walter (Lázaro Ramos, de Marighella), um anestesista que tem a trivial missão de buscar um bolo para o aniversário de sua filha, sob o peso de não decepcionar sua mulher (Fernanda Machado). Essa simples missão, no entanto, se torna um pesadelo em decorrência das desventuras em série que acontecem no seu percurso e diante das quais nosso protagonista não consegue se posicionar e tomar uma atitude severa.

Com um argumento que talvez não seja muito atraente, o roteiro consegue fazer com que o filme se torne bastante interessante, pela mensagem que passa e até mesmo pelo absurdo das situações que se apresentam e que dão o tom tragicômico da obra. Algumas cenas em primeira pessoa criam um efeito lírico de aproximação com o personagem e seu ponto de vista sobre os fatos. Créditos também para a verossimilhança da composição da personalidade de Walter ao longo do filme, que reafirma a todo tempo sua incapacidade de se posicionar e dizer “não”, seja diante de situações banais (como aceitar ou não uma comida de sua sogra) ou de problemas que podem mudar o rumo de sua vida.

A trilha sonora de Arnaldo Antunes também está em harmonia com a caracterização da passividade e do conformismo de Walter com relação aos fatos bizarros que acontecem enquanto busca o bolo do aniversário de sua filha e, principalmente, com relação à sua vida afetiva e profissional. Walter é a metáfora da sociedade brasileira, é o anestesista anestesiado pela rotina, pela profusão de informações, pelo trânsito, pelos absurdos que se tornam rotina, pelo peso das obrigações e das cobranças que levam à imobilidade e à falta de esperança na melhoria. O final, previsivelmente, nos faz refletir... “por que não dizer não?”.

Por: Joana Angélica Souza


Amanhã Nunca Mais – 78 min
Brasil – 2011
Direção: Tadeu Jungle
Roteiro: Marcelo Muller, Mauricio Arruda, Tadeu Jungle
Elenco: Lázaro Ramos, Fernanda Machado, Maria Luisa Mendonça, Milhem Cortaz, Luis Miranda, Paula Braun, Vitória Guerra, Vic Militello, Imara Reis, Anna Guilhermina, Arthur Koll, Carlos Meceni 

Estreia: 11 de novembro

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  1. O filme é coerente: ruim do começo ao fim. Até a trilha sonora era previsível. No ato final achei que vinha a "surpresa", mais não!!!! Mais previsível ainda ... o cara da uma porrada ao médico como "vitória" ... fazia tempo que não assistia um filme tão ruim. Lázaro Ramos não precisava disso.

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