2

Rânia (Graziela Felix) tem 16 anos e mora num morro em Fortaleza. Estudante de família pobre, ela ocupa seus dias entre tarefas de casa, banhos de mar, a escola e o sonho de ser bailarina, que alimenta no seu novo trabalho: dançarina de uma boate para homens. É lá, no "Sereia da Noite", que a jovem conhece pela primeira vez as reais possibilidades profissionais de sua dança, até que conhece a coreógrafa Estela (Mariana Lima, de A Alegria), e se divide entre o dinheiro fácil da vida noturna e a vontade de se tornar uma dançarina de verdade.

Primeiro longa metragem da diretora cearense Roberta Marques, é uma ficção muito bem vinda ao cinema nacional, pois Rânia não faz o gênero da típica garota pobre com um sonho fora de seu alcance. Ela é real, e encara suas dificuldades com a naturalidade de quem já nasceu assim. Ela gosta de dançar, mesmo não apreciando totalmente a cultura que envolve a arte, mas se põe à disposição. Sente que dançando ela conhece melhor a si mesma. Em meio à revolta natural da adolescência, ela encontra um eixo, mas não se agarra levianamente a ele.

Paralelo a esse processo interno, Rânia convive com sua amiga Zizi (Nataly Rocha), dançarina profissional de cabaré, que satisfaz fantasias e desejos dos homens quando cai a noite, mas sonha em ter um marido, uma casa e uma parede lilás. Assim como a protagonista, ela é forte, consciente, mas não é caricata. É Zizi quem conta à Rânia histórias do estrangeiro, e também quem encaminha a garota para a boate, para que ganhe algum dinheiro.

Rânia poderia ser considerado um dos melhores filmes recentes sobre adolescência, não fosse pelas falhas técnicas, inaceitáveis no momento presente do cinema nacional. Com som direto de má qualidade e uma direção de atores que deixa a desejar, acaba sendo quase ininteligível. A sensação era a de assistir a um filme em língua estrangeira, mas sem o apoio das legendas. Muitos diálogos ficam perdidos, e eventualmente temos a sensação de que, efetivamente, não havia diálogos, e os atores precisaram improvisar na hora.

Ainda assim, Rânia consegue prender a atenção do espectador, seja pelo comportamento dúbio da adolescente, ora menina, ora mulher, seja pela fotografia agradável e bem executada de Heloísa Passos (que co-dirigiu a fotografia de
Lixo Extraordinário), ou ainda pela trilha sonora impecável. 

Por: Stefano Aguiar

Compre nos EUA e receba na sua casa


Rânia – 85 min 
Brasil – 2011 
Direção: Roberta Marques 
Roteiro: Luisa Marques, Roberta Marques 
Elenco: Graziela Felix, Mariana Lima, Nataly Rocha

Em cartaz no Festival do Rio 2011


Compartilhe este conteúdo |

O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

  1. Eu fiz a música do Rânia, obrigado por elogiar a música do filme de "impecável", fiquei realmente feliz com o reconhecimento, só faltou citar o nome do compositor assim como o da fotografa foi citado ;) rs, brincadeira, um abraço e bons filmes!
    Bernardo Uzeda

    ResponderExcluir
  2. Interessante a parte desta crítica tão específica sobre "som direto", uma vez que críticos não escutam som direto, escutam o som editado e mixado... nunca li críticas que falam de som direto. No caso deste filme, a edição de som foi realizada pelo mesmo compositor acima... conheço algumas pessoas da produção deste filme, assim como tenho acompanhado sua trajetória em festivais internacionais, com excelentes críticas sobretudo ao ELENCO...
    Isso me faz confirmar que durante o Festival do Rio apareceu na rede algumas"pseudo-críticas" que eram, no mínimo, tendenciosas e tentavam de uma forma ou de outra promover o compositor e proteger o editor de som... uma atitude muito amadora... cinema é muito mais que isso!

    ResponderExcluir

 
Top