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O primeiro-ministro Silvio Berlusconi já é uma figura mítica na vida italiana, apesar de ainda estar vivo e saudável. Homem mais rico e poderoso da Itália, ele é dono de canais de televisão, revistas, editoras, indústrias, bancos, financeiras, construtoras e até de um time de futebol da primeira divisão. Para Sempre Silvio (Silvio Forever), documentário de Roberto Faenza e Filippo Macelloni, conta sua trajetória.

O filme é uma biografia não-autorizada que reúne material gravado em diversas épocas da vida do político e empresário. Começa com sua mãe, Rosa, contando como o filho é trabalhador, solidário e amoroso desde criancinha. O próprio Silvio fala de suas primeiras iniciativas nos anos 40-50 para ganhar dinheiro e ajudar a família, quase todas envolvendo algum tipo de encenação, como quando pede a seus parentes para fingirem interesse em imóveis que ele pretendia vender, com o objetivo de conseguir financiamento público. A entrada na política se deu em 1994 e desde então seu poder só aumentou.

Consciente da importância da mídia, Berlusconi usa e abusa de sua capacidade de comunicação, mostrando-se como um homem culto (estudou na Universidade Sorbonne, em Paris), talentoso e charmoso (até canta em francês). Para justificar os ataques que recebe, afirma que é alvo de campanhas difamatórias motivadas por inveja, mas uma das perguntas sem resposta é de onde vem sua imensa fortuna.

Não há preocupação em produzir filmagem inédita, embora o material pouco audível tenha sido substituído por gravação feita por um locutor com voz parecida com a de Berlusconi. Hilárias são as intervenções do ator cômico Roberto Begnini (de A Vida é Bela), que em uma canção em primeira pessoa diz que Berlusconi compra tudo, até Deus, que por casualidade é ele mesmo. Em outra ocasião, sugere que ele e o primeiro-ministro virem gays e fiquem juntos e até finge dar-lhe um beijo na boca. Surpreendentemente não há menção aos diversos escândalos sexuais em que Berlusconi já se envolveu.

A construção da crítica fica por conta da montagem em que se percebe a onipotência e onipresença do bilionário. Tudo é tão hiperbólico que beira o absurdo, como o mausoléu modernista que ele mandou construir para si mesmo nos jardins de sua mansão, com um sarcófago onde deverá ser enterrado, como se fosse um faraó. No final, talvez a melhor definição seja a de seu companheiro Indro Montanelli, que diz que "Berlusconi é o maior vendedor do mundo, um homem que tem recursos inimagináveis ​​e que tem um conceito de verdade muito pessoal, em que a verdade é o que ele diz”.




Para sempre Silvio (Silvio Forever) – 80 min
Itália – 2011
Direção: Roberto Faenza, Filippo Macelloni
Roteiro: Sergio Rizzo e Gian Antonio Stella
Com: Silvio Berlusconi, Rosa Bossi Berlusconi, Ugo Gregoretti, Roberto Begnini, Mike Bongiorno, Dario Fo, Indro Montanelli

Estreia: 06 de outubro (Festival do Rio 2011)


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