A história de Athos, Porthos, Aramis e D'Artagnan é um clássico da literatura mundial, e por isso mesmo merece ser contada sempre que possível. E ainda que sofram ligeiras alterações de roteiro, os filmes que tratam do assunto, em geral, seguem a mesma linha: D'Artagnan marca duelos com os três, se encontram os quatro, lutam contra os guardas do cardeal Richelieu e viram amigos inseparáveis. Em Os Três Mosqueteiros 3D não é muito diferente.
Desta vez a trama abre com um D'Artagnan muito novo, partindo do interior rumo à grande cidade de Paris, para se tornar um mosqueteiro e enfrentar inúmeras aventuras. Ele é jovem, destemido e ansioso por provar a si mesmo, além de ter um pendor todo especial para encontrar problemas. Em menos de 20 minutos de filme o mancebo já havia puxado briga com o capitão Rochefort (Mads Mikkelsen, de Fúria de Titãs), escapado de morte a bala, recebido uma multa em seu cavalo (!) e marcado duelo com os Três, em horários diferentes, é claro.
Se você achou que esta introdução significa um filme focado em D'Artagnan, está enganado. Foi só um pretexto para apresentar o jovem aos mosqueteiros. A trama real precisou ser explicada por um narrador e alguns infográficos, antes mesmo de D'Artagnan aparecer, e é um dos pontos fracos do filme. O roteiro é insosso e fútil, com um Cardeal Richelieu (Christoph Waltz, de Água para Elefantes) insano, sedento de poder e um rei desnecessariamente burro e frívolo. Tudo gira em torno das tentativas do cardeal de assumir o trono, e de uma trama enfadonha para fazer o rei crer que a rainha é infiel, e, por conta desta infidelidade, promover uma guerra contra a Inglaterra.
É inevitável a comparação do D'Artagnan atual com Chris O'Donnel, do filme de 1993. O fato de Logan Lerman (de Percy Jackson e O Ladrão de Raios) ter cara de cantor adolescente também não ajuda. Não bastasse isso, ainda temos os três mosqueteiros, vividos por Matthew Macfadyen (de Robin Hood e Frost/Nixon), Ray Stevenson (de Thor) e Luke Evans (de Robin Hood e Fúria de Titãs), que remetem a uma nova comparação com o filme de 93: Os atores do filme de Stephen Herek eram muito mais experientes na época, e a sensação que temos é de que, à exceção de Ray Stevenson (Porthos), nenhum deles estava preparado para um papel tão importante. Não há o mesmo brilho e naturalidade.
Mas nem tudo está perdido quando existem vilões de qualidade. E do lado de cá temos um time de peso, composto por Milla Jovovich (de Homens em Fúria), vivendo Milady de Winter, os já citados Mads Mikkelsen e Christoph Waltz, além de um Orlando Bloom (de Piratas do Caribe) impagável e irreconhecível como o Duque de Buckingham. Estas quatro estrelas vão literalmente preencher os céus da França e salvar o filme, ainda que seu objetivo maior seja mesmo o de derrubar os Três Mosqueteiros e seu amigo D'Artagnan. Perseguições implacáveis, muitas acrobacias e tecnologias nada originais – mas muito bem aplicadas – dão o tom certo de exagero e explosões que gostamos de ver numa produção como essa, sem nenhuma vergonha.
Numa visão geral, Os Três Mosqueteiros 3D certamente vai agradar aos mais jovens, e a quem não viu a versão anterior. Há piadas, ainda que não das melhores, e ação suficiente para não tornar o filme enfadonho, apesar de tudo. É claro que a "norte-americanização" de comportamentos e cenários pode afetar os mais detalhistas, mas, se você não for francês, vai deixar passar.
Por: Stefano Aguiar
Desta vez a trama abre com um D'Artagnan muito novo, partindo do interior rumo à grande cidade de Paris, para se tornar um mosqueteiro e enfrentar inúmeras aventuras. Ele é jovem, destemido e ansioso por provar a si mesmo, além de ter um pendor todo especial para encontrar problemas. Em menos de 20 minutos de filme o mancebo já havia puxado briga com o capitão Rochefort (Mads Mikkelsen, de Fúria de Titãs), escapado de morte a bala, recebido uma multa em seu cavalo (!) e marcado duelo com os Três, em horários diferentes, é claro.
Se você achou que esta introdução significa um filme focado em D'Artagnan, está enganado. Foi só um pretexto para apresentar o jovem aos mosqueteiros. A trama real precisou ser explicada por um narrador e alguns infográficos, antes mesmo de D'Artagnan aparecer, e é um dos pontos fracos do filme. O roteiro é insosso e fútil, com um Cardeal Richelieu (Christoph Waltz, de Água para Elefantes) insano, sedento de poder e um rei desnecessariamente burro e frívolo. Tudo gira em torno das tentativas do cardeal de assumir o trono, e de uma trama enfadonha para fazer o rei crer que a rainha é infiel, e, por conta desta infidelidade, promover uma guerra contra a Inglaterra.
É inevitável a comparação do D'Artagnan atual com Chris O'Donnel, do filme de 1993. O fato de Logan Lerman (de Percy Jackson e O Ladrão de Raios) ter cara de cantor adolescente também não ajuda. Não bastasse isso, ainda temos os três mosqueteiros, vividos por Matthew Macfadyen (de Robin Hood e Frost/Nixon), Ray Stevenson (de Thor) e Luke Evans (de Robin Hood e Fúria de Titãs), que remetem a uma nova comparação com o filme de 93: Os atores do filme de Stephen Herek eram muito mais experientes na época, e a sensação que temos é de que, à exceção de Ray Stevenson (Porthos), nenhum deles estava preparado para um papel tão importante. Não há o mesmo brilho e naturalidade.
Mas nem tudo está perdido quando existem vilões de qualidade. E do lado de cá temos um time de peso, composto por Milla Jovovich (de Homens em Fúria), vivendo Milady de Winter, os já citados Mads Mikkelsen e Christoph Waltz, além de um Orlando Bloom (de Piratas do Caribe) impagável e irreconhecível como o Duque de Buckingham. Estas quatro estrelas vão literalmente preencher os céus da França e salvar o filme, ainda que seu objetivo maior seja mesmo o de derrubar os Três Mosqueteiros e seu amigo D'Artagnan. Perseguições implacáveis, muitas acrobacias e tecnologias nada originais – mas muito bem aplicadas – dão o tom certo de exagero e explosões que gostamos de ver numa produção como essa, sem nenhuma vergonha.
Numa visão geral, Os Três Mosqueteiros 3D certamente vai agradar aos mais jovens, e a quem não viu a versão anterior. Há piadas, ainda que não das melhores, e ação suficiente para não tornar o filme enfadonho, apesar de tudo. É claro que a "norte-americanização" de comportamentos e cenários pode afetar os mais detalhistas, mas, se você não for francês, vai deixar passar.
Por: Stefano Aguiar
Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers) – 110 min
EUA, Inglaterra, França, Alemanha – 2011
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteiro: Alex Litvak, Andrew Davies – Baseado no romance Les Trois Mousquetaires, de Alexandre Dumas
Elenco: Matthew Macfadyen, Milla Jovovich, Luke Evans, Ray Stevenson, Til Schweiger, Orlando Bloom, Logan Lerman, Mads Mikkelsen, Cristoph Waltz, Carsten Norgaard, Gabriella Wilde, James Corden
Estreia: 12 de outubro
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4 comentários:
Eu acho que se Dumas vivesse nos dias de hoje, ele violaria a história original que nem Anderson fez, eu pessoalmente gostei do filme, ficar repetindo o que já foi feito não tem a menor graça fora que denota uma grande falta de criatividade e até um apego excessivo, foi a adptação de um clássico, foi exagerado um pouco, sim, mas não acho que deveria ter sido rigídamente arcaico só por isso.
Eu não tenho preconceito com filmes cheio de efeitos e meio frívolos, mas esse, apesar de um pouco divertido, não valeu a produção. Como dito acima, os vilões são excelentes, mas queremos ver mesmo os grandes três Mosqueteiros e D'Artagnan, que não passam nem perto da postura leve e natural dos descritos por Alexandre Dumas ou personificados no filme de 93.
ACHEI O FILME PERFEITO. QUEM NÃO GOSTAR ESQUECEU QUE FOI CRIANÇA. A HISTÓRIA ROLA COMO QUADRINHOS. OS EFEITOS SÕS NOTÁVEIS. PARABENS
O Dartagnan precisava ser feiote para ser credível, é? O Ray é um actor talentoso, estou de olho nele desde a série Rome, onde actuou junto com o Kevin McKidd.E o Mathew tem uma voz poderosa de trovão. Tem de facto uma presença intensa. Filme que não dá para cansar no meio. Desenrola-se com uma ação constante do principio ao fim. Maravilhoso. Vale o dinheiro do bilhete.
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