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Em 2011 comemora-se o centenário de nascimento de Carlos Marighella, o mais importante opositor do Regime Militar no Brasil, considerado o inimigo nº1 da Ditadura. Com direção e roteiro de Isa Grinspum Ferraz, sobrinha do líder comunista baiano, o documentário Marighella foi selecionado para a Mostra Première Brasil do Festival do Rio 2011. A sessão de gala do filme foi neste sábado (15/10), no Odeon Petrobras. Visivelmente emocionada, Isa apresentou a obra agradecendo a coragem dos entrevistados, que se abriram para falar sobre as experiências que tiveram com seu tio. “A alma do filme são os entrevistados”, disse a cineasta.

Apesar de não existir nenhuma imagem em movimento de Marighella vivo, já que ele passou quase 40 anos na clandestinidade, Isa teve acesso a um vasto material, o que a fez ter dificuldade para selecionar o que iria entrar no corte final – o primeiro teve mais de 4 horas de duração. Com a pesquisa para a construção do doc, Isa obteve inéditas gravações de rádio feitas por Marighella em Cuba, nos anos 1960, e até documentos secretos da CIA. A diretora afirma que a vida dele daria para mil filmes e este é a sua prestação de contas não apenas com a história de seu tio, mas com a história do Brasil. 

Com trilha sonora original de Marco Antonio Guimarães e Mano Brown (vídeo), narração de Lázaro Ramos e um competente trabalho de direção de arte e montagem, Marighella é uma espécie de documentário investigativo, dividido em sete pistas (ou capítulos), e apresenta depoimentos emocionantes e enriquecedores, como o de sua viúva Clara Charf, de familiares e de companheiros de luta armada. O militante baiano é apresentado desde sua ascendência genealógica até a reconstrução de seu último dia de vida, em 4 de novembro de 1969, quando foi assassinado em São Paulo, aos 57 anos. 

Carlos Marighella escolheu o martelo e a foice para lutar contra o integralismo e ficou conhecido como militante esquerdista, mas também era poeta, filho, pai, tio, amigo e companheiro. Este retrato multifacetado é apresentado por Isa com riqueza de detalhes, contextualização histórica e, principalmente, com muito afeto. É evidente a admiração que os entrevistados sentem até hoje por Marighella, que dedicou sua vida à luta contra a injustiça social e teve destaque nos principais acontecimentos políticos do Brasil, desde a Era Vargas (1930-1945) até o Golpe Militar de 1964.

Marighella foi peça fundamental do Partido Comunista Brasileiro (PCB), deputado constituinte no grupo de Luís Carlos Prestes e ícone da luta armada contra a ditadura militar. Viajou para Cuba, China, URSS e nutria grande simpatia pelo Vietnã comunista. Não é à toa que sua coragem e inteligência o tornaram a “caça mais cobiçada”. Foi preso, torturado e ganhou fama mundial com as traduções de seu Manual do Guerrilheiro Urbano. Figura importantíssima da história brasileira, sua memória foi bem representada por este belíssimo documentário. 


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Marighella – 100 min 
Brasil – 2011
Direção e Roteiro: Isa Grinspum Ferraz 
Narração: Lázaro Ramos

Em cartaz no Festival do Rio 2011

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