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Pablo Stoll ganhou destaque com seu ótimo filme Whisky (codirigido em parceria com Juan Pablo Rebella), de 2004, que pôde ser conferido por aqui no Festival Latino-americano. Este Hiroshima: Um Musical Silencioso não logra o mesmo sucesso, porém apresenta temas interessantes, dignos de serem apreciados, como a solidão, e uma abordagem inovadora.

Filmado de modo quase que “caseiro”, com 100 mil dólares, no melhor estilo DIY (Do It Yourself), com alguns não-atores bem casuais e, por isso mesmo, tão reais (embora aí, infelizmente, esteja uma das pernas “mancas” da produção), Hiroshima: Um Musical Silencioso conta a história de Juan, um jovem calado, que canta numa banda de rock e trabalha numa padaria. 

Durante o dia, vaga por Montevidéu sem muita ambição ou nada de muito especial na cabeça. Ele é de tal forma desinteressado e desconectado do mundo que o cerca, que somente alguns cartazes no estilo “cinema mudo”, que permeiam a história, são responsáveis por uma possível “fala” no filme. A obra não tem diálogos, por isso o subtítulo. Mas não é um musical. O termo refere-se à banda na qual Juan canta e também à ironia do fato de que nada diz.

Com linguagem quase videoclipesca, contando pequenas histórias dentro da rotina do personagem, não se pode tampouco definir o gênero da película, ainda que isso não seja um grande problema. Se conhecermos a história recente do diretor Pablo Stoll e de seu amigo e codiretor em Whisky, Juan Pablo Rebella, podemos entender a “missão” do filme: Rebella cometeu suicídio em Montevidéu em 2006. Chocado, Stoll acabou escrevendo este projeto e realizando-o como uma espécie de homenagem ao grande parceiro.

O mérito deste não-musical reside mais na brincadeira com a linguagem, com o som, com a trilha, com a situação inerte e o perambular do rapaz pela vida, uma espécie de protesto, uma greve de palavras, talvez até um exercício, experimentação, mas que não chega a ser um movimento, uma escola cinematográfica. 

Por: Will Pereira



Hiroshima: Um Musical Silencioso (Hiroshima) – 80 min
Uruguai, Colômbia, Argentina, Espanha – 2009
Direção e Roteiro: Pablo Stoll
Elenco: Noelia Burle, Juan Andrés Stoll, Guillermo Stoll, Mario Stoll 

Estreia: 07 de outubro (São Paulo)
Estreia: 14 de outubro (Porto Alegre, Vitória e Florianópolis)
Estreia: 02 de dezembro (Rio de Janeiro)
Em cartaz no Festival do Rio 2011

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