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Disco dance foi uma febre que acometeu o mundo nos anos 70 e que tinha Nova York como seu principal centro irradiador do ritmo, da moda e dos passos de dança.  Mas, se na Big Apple o Studio 54 atraía todo mundo que era importante, em Montreal o lugar para se estar era a Starlight. Pelo menos em  Funkytown, filme de Daniel Roby, que traça um retrato da década mais dançante da história na segunda maior cidade do Canadá e a mais importante da província francófona do Québec.

Livremente baseado em personagens e fatos reais, Funkytown, que tem início em 1976 e termina em 1980, gira em torno de Bastien Lavallé (Patrick Huard), apresentador de TV que foi do topo ao fundo do poço, tendo como cenário a famosa discoteca. Lá ele conhece Adriana (Sarah Mutch), uma aspirante a top model que acabou virando sua amante e depois uma cantora fake, concebida e bancada por Gilles (Raymond Bouchard), dono da casa noturna.

Também frequentam a discoteca Jonathan Aaronson (Paul Doucet), co-apresentador do programa de Lavallé, homossexual assumido que acaba se envolvendo com Tino (Justin Chatwin), um jovem de origem italiana que, juntamente com a namorada Tina, ganha uma competição de dança na Starlight. Ao conhecer Jonathan, o “Tony Manero” canadense decide finalmente explorar o outro lado de sua sexualidade e se sente dividido.

A longa lista de personagens principais inclui Daniel (François Létourneau), filho de Giles, que é tratado de forma brutal pelo pai, e Mimi (Geneviève Brouillete), uma cantora decadente, que fica fora da nova onda porque canta em francês, e não em inglês. Essa, aliás, é a questão de fundo: a divisão política do país que fala as duas línguas, que no filme surgem alternadamente para marcar essa característica. Funkytown trabalha, de maneira sutil, essa partição essencial do país, que tem duas heranças culturais e busca uma conciliação que parece ainda longe de um final feliz.

O grande número de histórias que correm paralelamente e às vezes se encontram (ou colidem), característica da narrativa pós-moderna, aproxima Funkytown de Crash: No Limite (de Paul Haggis), Babel (de Alejandro González Iñarritu) e Magnólia (de Paul Thomas Anderson), que utilizam essa técnica de forma mais eficiente. Quanto à temática, já havia sido abordada pelo mesmo Thomas Anderson em Boogie Nights: Prazer Sem Limites e por John Badham no já clássico Embalo de Sábados à Noite.

Muito interessante, além das roupas, cabelos e maquiagem, é a trilha sonora, que inclui grandes nomes da era disco como Donna Summer, Santa Esmeralda, Boney M, Lipps Inc. Com um elenco extremamente afinado e ótima reconstituição de época e produção de arte, Funkytown só não atinge seus objetivos plenamente por ser ambicioso demais, tornando-se um pouco mais longo que o usual e, às vezes, cansativo, principalmente para quem não percebe as implicações políticas e só quer curtir a disco music. 



Funkytown – 133 min
Canadá – 2010
Direção: Daniel Roby
Roteiro: Steve Galluccio
Elenco
: Patrick Huard, Justin Chatwin,  Paul Doucet, Sarah Mutch, Raymond Bouchard, Geneviève Brouillette, François Létourneau, Sophie Cadieux, Romina D'Ugo, Jocelyne Zucco, Janine Therlault, Camille Penell

Em cartaz no Festival do Rio 2011

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