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Capitães da Areia é um dos mais conhecidos romances de Jorge Amado, já tendo sido adaptado para teatro e TV. Agora, ganha versão para o cinema, dirigida por Cecília Amado, neta  do célebre escritor baiano, em seu longa de estreia. Os capitães do título são meninos de rua que vivem próximos ao mar em Salvador, capital da Bahia. Para garantir a sobrevivência, praticam furtos e outros pequenos delitos. O companheirismo e a solidariedade reinante entre eles, sob a liderança segura de Pedro Bala, substituem os cuidados e carinhos das famílias que não têm.

A diretora acerta ao respeitar a época em que a história se passa, meados do século passado. Caso tivesse optado por atualizar a obra, teria inevitavelmente que adaptar, entre outras coisas, a linguagem e mesmo o comportamento dos personagens, tornando-os talvez mais violentos, eliminando assim uma certa aura de romantismo que Capitães apresenta. Coerente com essa escolha, o vocabulário utilizado empresta autenticidade e charme à obra.

Um problema que o filme não consegue evitar, comum à maior parte das adaptações, é a impossibilidade de aprofundar algumas questões, já que deve transmitir através de imagens e em poucos segundos, ideias que são desenvolvidas em muitas páginas no romance. É o caso da própria origem das crianças e da sua condição, entre outros temas.

Os belíssimos cenários naturais e a rica arquitetura colonial de Salvador estão presentes, além de sua peculiar herança cultural, principalmente a negra, ainda que tendendo à folclorização, característica também da obra de Jorge Amado. O elenco formado por adolescentes e crianças tem um ótimo desempenho, com destaque para Robério Lima, que faz o Professor, um menino sensível com dons artísticos, e Jean Luis Amorim, o Pedro Bala. Outro destaque da produção é a bela trilha sonora assinada por Carlinhos Brown.



Capitães da Areia – 96 min
Brasil – 2011
Direção: Cecília Amado
Roteiro: Cecília Amado, Hilton Lacerda – Baseado no romance de Jorge Amado
Elenco: Jean Luis Amorim, Ana Graciela, Robério Lima, Israel Gouvea, Paulo Abade, Marinho Gonçalves, Ana Cecília, Jussilene Santana

Estreia: 7 de outubro 
Em cartaz no Festival do Rio 2011

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  1. Concordo com tudo acima exceto que "O elenco formado por adolescentes e crianças tem um ótimo desempenho".
    Pra mim, todos falamvam do mesmo jeito e com a mesma entonação sonolenta, sem expressão e sem caracterização de personagem, o que estragou um filme belíssimo visualmente. Entendo que são atores inexperientes, mas então que seja culpado o preparador de elenco. O foco do filme parece ter ficado na edição, na fotografia e na trilha sonora (maravilhosa, a propósito), mas tudo isso não conseguiu mascarar a falta de sentimento nos atores.

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  2. Péssima atuação dos atores. Apenas o Professor foi razoável.

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  3. Achei a atuaçao convincente,na bahia existe muita gente talentosa tem que dar oportunidade para esses jovens ,adorei cada detalhe do filme e a escolha do elenco foi perfeita, adorei a plasticidade final do filme, o candomble sendo retratado de uma maneira respeitosa como deveria ser, a tempos que nao me emocionava assissstindo um filme brasileiro.

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  4. Apoio a má interpretação e falta de expressão dos atores nos primeiros 20 minutos do filme, mas para aqueles que tiveram paciência e assistiram o filme até o final fica perceptivel o desenvolvimento e melhoria tanto nas falas como nas expressões dos meninos, são sim garotos que não tem experiência, mas que merecem todo o nosso respeito por terem se esforçado e conseguido sim convencer nas atuações.

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  5. Gostaria de expressar minha indignação a respeito do filme Capitães da Areia. Colocaram crianças para fazer cenas prá lá de picantes, não havia necessidade disso. Assisti ao filme numa sala gigantesca, onde só havia mais 6 pessoas. Depois do que vi, espero que continue assim!!!

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  6. Como todos estão dizendo a fotografia é incontestavelmente bem trabalhada nesse filme... E só! O Elenco com raríssimas exceções é péssimo, a trilha sonora é pobre (como era de esperar de Carlinhos Brown e Cia) e infelizmente, talvez contrariando a grande maioria, acho o enredo dessa obra lamentável!
    É para mim chocante perceber que no Brasil ainda há comoção com vagabundos, bandidinhos e malandros com a justificativa de que "não tiveram oportunidade". O próprio filme mostra que crianças dessa triste realidade certas vezes (raras, infelizmente) têm a oportunidade de reerguer suas vidas ou na adoção ou na oportunidade de partir para os estudos... E lamentavelmente Jorge Amado resolveu imortalizar em sua obra "pseudo heróis" que jogam as chances de lado pura e simplesmente para jogar se na vida bandida, malandra e de resultados rápidos e fáceis. Não é idolatrando realidades como essas que levantaremos a moral do nosso povo. Não é de exemplos desses que nossos jovens precisam.
    A ingenuidade do Padre ao defender assassinos e delinquentes que se fazem de vítimas enquanto meninos sem oportunidade (o adotado do filme que o diga) mostra a lambança que humanistas de bom coração fazem ao não tratar marginais de índole desvairada da forma correta. Não digo que jovens carentes e que hoje estão no mundo do crime não tenham saída, mas daí a idolatrá-los me faz pensar que estamos no caminho errado.
    Por fim, fica o antimarketing que Jorge Amado faz em sua obra ao bonito gesto de adoção a crianças de idade mais avançada. Garanto que vendo exemplos deploráveis como o do "Sem Pernas" muitos possíveis pais adotivos optem por crianças mais novas e com a índole ainda não contaminada na hora de escolher seus filhos adotivos.
    Em minha opinião, a obra do Jorge Amado (ou da neta Cecília) é um desfavor para toda a sociedade e não só a mim que gastei 96 minutos do meu dia e a mais uma dúzia de pessoas que ocuparam uma sala de cinema em São Paulo em pleno domingo a tarde!

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  7. Sinto que devo demonstrar minha indignação com a frase do comentário acima "chocante perceber que no Brasil ainda há comoção com vagabundos, bandidinhos e malandros com a justificativa de que não tiveram oportunidade."

    Não gostar da obra, seja o filme ou o livro, é uma coisa, agora não se comover com a triste realidade brasileira retratada é desumano,sim, eles e muitos outros na vida real são bandidos, mas por falta de escolha,por sobrevivencia,não justifica,mas é a outra face da moeda sempre ignorada pela sociedade.

    A falta de oportunidades e perspectiva pode SIM levar menores a maus caminhos,ignorar tal realidade duramente esfregada em nossas caras é pura alienação,algo apenas possível para aqueles distantes o suficiente dos fatos, vivendo em seus condomínios de luxo,e esperando o próximo milhão cair na conta bancária,ocupados demais para se preocupar com alguem além de si mesmos.

    mendigar nas ruas,passar fome,um olhar de desprezo,tudo isso marca,marca e dói.

    "vagabundos""bandidinhos""malandros" a obra explica o infeliz porquê disso e qualquer um com coração ,senso de solidariedade e amor perceberia e se comoveria com isso,para quem sabe tentar mudar o futuro há que se fazer no presente.

    E o que "é chocante para mim perceber" é como existem pessoas realmente egocêntricas e insensiveis a dor alheia.

    Indiferença.Isso é um desfavor social.Isso não levanta a moral de nosso povo,por que a Indiferença,não faz NADA.

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  8. Gente, porque Pedro Bala não é loiro n filme? Porque mudou?

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  9. Pois é a turma gosta mesmo é de porcaria internacional e de artistas globais pelo jeito.
    Eu trabalho com adolescentes e sempre vejo neles ( mesmo pelos pessimos desempenho com alguns dizem acima e eu não compartilho desta visão) como devemos ter esperança de melhoras no nosso cinema nacional.
    Parabéns para todos que participaram e patrocinaram (filme)esta obra de arte. Sobre a história e quem a escreveu nem precisamos comentar.É uma pena a pouca divulgação de filme.
    Agora quem não acredita nos jovens e na seriedade de algumas ONGS tem que perde tempo mesmo na vida. Tanto dentro ou fora de uma sala de cinema.
    Sou mineiro e adorei este filme. E o jovens tem muito tempo para e errar e melhorar sempre.

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  10. Filme muito ruim, direção, atores muito fracos. Apenas o cenário e as músicas são boas. Muito melhor é a Cidade de Deus, temos que colocar gente melhor para dirigir um filme com uma bela história que poderia ser melhor contata. Leiam o livro e não perca tempo com este filme de 5 categoria.

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