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O novo documentário em longa-metragem de Eduardo Coutinho, As Canções, segue a fórmula de alguns de seus trabalhos anteriores: personagens do povo, multifacetados, agrupados através de anúncios na rua e na internet, contando à câmera histórias reais, íntimas, num teatro que vira cenário das entrevistas. O tema? Músicas que marcaram suas vidas. Canções que, por um motivo ou outro, foram importantes em certo momento para elas. Às vezes ligadas a paixões, relacionamentos bem ou mal-sucedidos, aventuras do cotidiano ou fora dele, tempos dourados e tempos difíceis.

Já vimos algo similar, por exemplo, em Jogo de Cena (2007), com mulheres contando causos e se emocionando em frente à sua lente, algumas delas atrizes conhecidas. Porém, neste caso, trata-se de “uma homenagem ao melodrama”, nas palavras do próprio diretor de 78 anos, que teve a obra projetada na última 3ª feira (25/10), em sessão para a imprensa. O espectador poderá conferir As Canções nos cinemas de São Paulo a partir do dia 27/10, quando ele estreia na 35ª Mostra Internacional de Cinema, após conquitar os prêmios de melhor documentário pelo júri oficial e pelo público no Festival do Rio. 

São 18 personagens do Rio de Janeiro. Alguns mais extrovertidos, outros menos. A maioria mulheres. Interessante notar que estas se abrem mais, são mais sinceras ao relatar dores, perdas. Emocionam-se mais, também. E o critério para a seleção dos personagens na edição final foi justamente a dose de sentimento embutida naquela história que lhes remete a um tema musical. Outra curiosidade é que as canções são antigas, em sua maioria, indo até os anos 1970, não mais, apesar da faixa etária destas figuras variar de vinte e poucos até uns 70, 80 anos.

A forma em si, como sempre, é preto no branco, não tem muito mistério: câmera no tripé e closes, planos médios e foco no entrevistado, no que ele está dizendo, ou em suas lágrimas verdadeiras, às vezes. A sequência de relatos, o ardor com que os personagens cantam as músicas das quais falam (isto era um critério também, cantar, ainda que mal, a canção em questão), vão desfilando um rol de emoções variadas à nossa frente, com as quais é impossível não se envolver. E também é impossível qualquer pessoa não possuir ao menos uma música marcante em sua vida, seja ela uma criança ou um idoso. A música está intimamente ligada às nossas vidas, às vezes inconscientemente. 

Coutinho falou também, com certo desabafo, que “está um tanto saturado do tema; histórias íntimas e reais da população” são coisas que já apresentou ao público sob todos os ângulos possíveis. Podemos esperar algo mais inusitado para seu próximo trabalho. Documentários, sim, e provavelmente com relatos apaixonados, porém com algum tema mais ousado, talvez. Mas vale conferir este retrato musical e sincero sobre o passado, sobre o Brasil e seu povo. 

Por: Will Pereira

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As Canções – 91 min
Brasil – 2011 
Direção: Eduardo Coutinho 

Em cartaz na 35ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo
Estreia (circuito): 09 de dezembro 

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