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Nesta sexta-feira (30/09) estreia Trabalhar Cansa. O longa dirigido por Marco Dutra, em parceria com Juliana Rojas, foi o único representante brasileiro no Festival de Cannes deste ano e vencedor de dois prêmios no Paulínia Festival de Cinema: melhor som e prêmio especial do júri. Também chegou a ocupar a lista dos candidatos a representar o cinema brasileiro na festa do Oscar 2012, mas a vaga ficou com Tropa de Elite 2.

O Cinema na Rede já conferiu o filme, que conta a história de um casal que decide abrir seu próprio negócio. Trabalhar Cansa aborda questões relacionadas à insegurança, frustração, esperança e tudo que associamos ao emprego ou à falta dele. Nosso repórter Bruno Mendes entrevistou os atores protagonistas Marat Descartes e Helena Albergaria, e conversou também com o diretor Marco Dutra

Você confere agora o bate-papo com o diretor, que fala do seu primeiro longa-metragem. O paulistano Marco Dutra nasceu em 1980 e formou-se em Cinema pela USP. Mais recentemente, assinou o roteiro de Meu País, em parceria com Octavio Scopelliti e André Ristum. E não perca, amanhã é a vez dos atores Marat Descartes e Helena Albergaria aqui no Cinema na Rede.

Cinema na Rede: Como foi dirigir Trabalhar Cansa, seu primeiro longa-metragem? 

Marco Dutra: Foi uma experiência muito boa, e também excitante, por ser o nosso primeiro longa. Trabalhamos com quase a mesma equipe dos nossos curtas, porque esse longa sempre nos pareceu um herdeiro direto dos curtas que havíamos feito juntos. Então a sensação foi a de trabalhar entre amigos (o elenco também era formado por atores com quem já tínhamos trabalhado antes, em sua maioria).

CR: O orçamento reduzido em relação a produções maiores pesou, ou ocorreu tudo dentro da normalidade?

MD: Somos acostumados a trabalhar com orçamentos pequenos, e já fizemos filmes também sem dinheiro nenhum. O orçamento de Trabalhar Cansa (R$ 2,5 milhões) era justo para as necessidades específicas da produção. Tivemos alguns apertos, mas todas as áreas conseguiram realizar seu trabalho de modo a atingir o resultado pretendido.

CR: Na concepção de vocês, qual o cerne da obra?

MD: É um filme sobre relações de trabalho na cidade grande (especificamente São Paulo), mas com elementos de estranheza narrativa que nós gostamos de utilizar. Desde os curtas, trabalhamos com elementos do filme de gênero - horror, ficção científica, musical. Trabalhar Cansa também tem seus aspectos mórbidos, apesar de lidar com questões cotidianas de uma família de classe média.

CR: Trabalhar Cansa ilustra o desespero da perda do emprego, e as consequências da instabilidade financeira na vida de uma família. A cidade de São Paulo, por ser uma megalópole com considerável nível de estresse, tem importância fundamental na temática, ou vocês pensaram no drama independentemente do local em que ele ocorre?

MD: Eu sempre vivi em São Paulo e Juliana vive aqui desde 1999. Conhecemos bem a vida na cidade, as contradições da vida urbana. Temos a impressão de que o filme reverbera em qualquer um que tenha relação com esse tipo de dia-a-dia, mesmo no exterior. Mas há no filme temas e elementos bem específicos do Brasil e de São Paulo, e o público brasileiro reage a eles (pudemos testemunhar nas sessões que já fizemos por aqui).

CR: O filme foi exibido em Cannes. Como vocês sentiram que o público de lá assimilou a história?

MD: O filme foi recebido muito bem por lá. A história econômica reverbera nos europeus com força por causa da crise recente - até mais do que no Brasil, que vive momento mais eufórico. Algumas das piadas parecem fazer sentido apenas para brasileiros, mas de maneira geral o filme foi bastante bem recebido no exterior, tanto da parte da crítica quanto do público.

CR: Temáticas universais rendem melhores histórias? Como vocês avaliam o cinema brasileiro atual? Há oportunidades para vários tipos de filmes ou o mercado ainda é restrito a poucos segmentos?

MD: Há lugar para tudo - para o específico e para o universal, e também para os diversos gêneros de filmes. Estamos testemunhando uma produção brasileira mais numerosa e variada, com ampliação nos temas e nas abordagens. Esperamos que o mercado e os festivais continuem a se abrir para essa variedade, para que os filmes cheguem ao seu público.


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