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Riscado foi o grande vencedor do Festival de Gramado 2011, com cinco Kikitos (direção, atriz, roteiro, trilha sonora e crítica), que se somaram a vários outros conquistados anteriormente. Agora, chega ao mercado cercado de expectativa. Karine Teles, protagonista e uma das responsáveis pelo roteiro, ao lado do diretor Gustavo Pizzi, parceiro também na vida real, afirma que estão todos “animados e ansiosos, porque agora o filme vai sozinho...”.

A seguir, confira entrevista em que a atriz fala sobre a inspiração para o filme, a relação com o marido Gustavo Pizzi e o processo de composição da sensível e divertida personagem Bianca, que lhe proporcionou vários prêmios e que agora ganha as telas do Brasil e, quem sabe, do mundo.

Cinema na Rede: Como surgiu a ideia do filme?

Karine Teles: Sempre me questionei a respeito do papel da sorte na carreira das pessoas. Esse assunto era tema de conversas intermináveis entre o Gustavo e eu. Comecei a escrever um roteiro que colocasse essa questão em cheque. Mas somente com a entrada do Gustavo no trabalho de roteiro é que o Riscado foi transformado no que ele é.

CR: Quais foram as dificuldades que encontraram?

Karine: Não posso falar de dificuldade porque este filme foge a todos os padrões... Foi produzido de uma maneira diferente (sem dinheiro de editais e incentivos fiscais) e, do início da escrita do roteiro até sua conclusão, foram menos de dois anos (o que é muito rápido em termos de cinema). Toda vez que a gente se deparava com algum entrave ou alguma dificuldade, soluções apareciam quase que por mágica. Portanto, por mais dificuldades que possam ter surgido, acho que mais soluções e encontros felizes surgiram durante o processo de feitura do Riscado... E continuam a surgir...

CR: O fato de serem casados interfere positiva ou negativamente no trabalho de vocês?

Karine: Acho que interferiu positivamente. Nos conhecemos muito bem e admiramos o trabalho um do outro, em primeiro lugar. Então isso já ajudava. E, como Gustavo me conhece muito bem, ele sabia exatamente o que me dizer para que eu chegasse onde ele queria... Mas isso, claro, porque ele é um diretor muito sensível, que sabe falar com cada ator da forma que ele acredita que vai funcionar melhor... para alguns, ele dizia: “estude o roteiro”; para outros, “esqueça”, por exemplo... Tanto que o elenco tem sido bastante elogiado, todos estão muito bem.

CR: Riscado incorpora várias formas de arte, como teatro, música, dança. Qual a importância
disso no trabalho de vocês?


Karine: No caso de Riscado, tudo isso faz parte do universo da personagem. São formas de arte muito ricas e cheias de possibilidades, assim como o cinema, as artes plásticas, a culinária, a moda... Acho que tem um pouquinho destas vertentes também no filme.

CR: Como foi representar ícones como Carmen Miranda e Marylin Monroe, ainda que de forma
caricata?


Karine: Eu assisti a vídeos das personagens um milhão de vezes para selecionar um gesto ou uma sensação que, para mim, representasse cada uma dessas mulheres... A ideia nunca foi fazer uma caricatura, ou mesmo uma imitação. Queríamos fazer uma versão, a versão da Bianca para aqueles ícones. Para isso, estudamos as personagens, pesquisamos, não só o trabalho delas, mas também um pouco da vida de cada uma e a forma como elas influenciaram a nossa cultura. E criamos as nossas versões a partir das impressões retiradas desta pesquisa. 

CR: No final do filme há um anti-clímax. Vocês viveram alguma experiência parecida? Como veem esse mercado?

Karine: Todo mundo viveu... Em cada exibição do filme sempre alguém vem contar que viveu algo parecido com esta ou aquela cena do filme... Todo mundo tem um desejo... E todo mundo tem um caminho que nem sempre é completamente tranquilo ou completamente turbulento... Assim como o caminho da personagem... Escolhemos o mercado dos atores porque ele é um bom exemplo para ser usado na discussão que queremos levantar com o filme... É um mercado muito exposto e que mexe muito com a vaidade e por isso mesmo um pouco mais cruel, mas a Bianca também poderia ser uma advogada.... uma jogadora de futebol... uma chef de cozinha.... escolhemos uma atriz porque era mais próximo da gente e por este motivo poderíamos ir bem fundo no universo dela....




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