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Uma tragédia para rir. Assim o diretor Alain Fresnot definiu Família Vende Tudo em entrevista coletiva concedida após exibição para a imprensa especializada em um cinema de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. A seu lado, três atores do elenco: Lima Duarte, Caco Ciocler e Raphael Rodrigues.

Em clima descontraído, Fresnot, que dirigiu seus primeiros curtas no início dos anos 70, falou da dificuldade em fazer cinema no Brasil.  “Faço um filme a cada sete, oito anos. Se continuar nesse ritmo, vou ter de viver até os 120 anos para fazer todos que pretendo”. Seu longa anterior, Desmundo, foi lançado em 2003 e, antes disso, tinha dirigido Ed Mort (1996) e Lua cheia (1988). Mas afirmou que não queria reclamar da vida, e sim promover e curtir o novo filme, enquanto já pensa nos próximos.

Sobre Família Vende Tudo, Fresnot disse que buscou retratar uma família comum, igual a milhares de outras Brasil afora, que vivem com dificuldades mas não perdem a esperança. Mais do que fazer denúncias, Fresnot afirma que o objetivo foi lançar um olhar sobre uma parcela da população brasileira; ao mesmo tempo, teve a preocupação em não cair em estereótipos.

Caco Ciocler disse que inicialmente ficou surpreso ao ser convidado a dar vida ao cantor brega Ivan Carlos, principalmente por não ter o que se chama physique du role, ou seja, o porte físico adequado para o papel. Mas o encarou como um desafio, e ficou satisfeito com o resultado. Além de observar cantores em ação, contou com a ajuda de Latino, que o ensinou como ser mais sensual no palco, o que Caco achou bem divertido.

O veterano Lima Duarte – que já havia sido dirigido por Fresnot em Lua Cheia , elogiou o diretor, que, segundo ele, tinha uma visão bem clara do que queria. Por isso, não foi difícil incorporar Ariclenes, seu personagem, que ele vê como um pai de família trabalhador, carinhoso e preocupado em prover tudo o que seus filhos precisam. Sobre os métodos pouco ortodoxos que ele usa para garantir o sustento da família, ele diz que não o julga, afinal, ele faz tudo aquilo pelo bem estar da família.

Por fim, Raphael Rodrigues garantiu que não ficou intimidado ao trabalhar ao lado de grandes nomes como Lima Duarte e Vera Holtz. Sem falsa modéstia, o menino de 12 anos disse que já tinha experiência em desfiles de moda e comerciais. Além disso, foi bem orientado pela direção. Sobre o papel que representou, Bira, o caçula da família, fumava e participava de todos os golpes, inclusive incentivando Lindinha (Marisol Ribeiro) a pedir mais dinheiro a Ivan Carlos. E o que aprendeu com o filme: “Nada”, disse, porque sabe “que cinema é cinema”.


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