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O novo filme de Helvécio Ratton (de Batismo de Sangue) tem como objeto de estudo um item da mesa dos brasileiros, de norte a sul do país, que muitas vezes passa despercebido, mas que em Minas Gerais é muito mais que tradição: é cultura e história. Falar de queijo, para os produtores mostrados no documentário, é falar de um mistério passado de geração em geração há mais de 200 anos. 

Helvécio abre o filme com as vacas, que fornecem a matéria prima do queijo, e continua seguindo o processo fabril do produto, etapa por etapa, na voz de seus produtores. O produtor artesanal é a estrela da obra, e no decorrer de O Mineiro e o Queijo descobrimos que fazer e vender queijo são apenas duas etapas até que eles cheguem em nossas mesas. Os atravessadores, a concorrência das grandes empresas, leis e normas sanitárias e até mesmo política sulcam a longa e tortuosa estrada de terra dos queijos.

A narrativa é quase toda feita pela conexão das palavras dos produtores, técnicos e políticos entrevistados. Eventualmente há a necessidade de pontuar informações, o que é feito de forma um tanto estranha e incômoda, com textos sobre fundo preto, quebrando um pouco o ritmo do filme, que no geral é interessante. Como se fosse uma roda de prosa, os diálogos se sucedem e o tema vai mudando sem que se perceba isso nitidamente. O método vem bem a calhar, pois todos os assuntos relativos à produção, comercialização e consumo do queijo são intrínsecos uns aos outros.

Este é o grande mérito do filme: a continuidade. Quando percebemos, estamos tão interessados nas questões relativas ao queijo que já nem nos importamos muito com "como se faz o queijo". É justamente aqui, nestas outras questões, que o filme deixa de ser um documentário de domingo para virar algo maior e mais importante.

Afora algumas tomadas incômodas, como quando a câmera chega tão perto do entrevistado que ficamos incomodados, e os já citados cortes para dar informações textuais, O Mineiro e o Queijo flui muito bem, e não cansa. Sentado no cinema, absorto, percebe-se como algo tão pequeno e simples, que compramos e consumimos sem nos importar, pode ter uma história grande e cheia de lutas. Definitivamente este filme vai mudar a maneira como consumimos o queijo. E ao sair do cinema vai ser difícil não sentir uma vontade louca de comer um queijinho de minas.  

Por: Stefano Aguiar



O Mineiro e o Queijo72 min
Brasil – 2011
Direção e Roteiro: Helvécio Ratton

Estreia: 30 de setembro

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