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Dia 16 de setembro começa o Indie Festival 2011 em São Paulo. O festival de cinema independente já está em sua 11ª edição e acontece até dia 29. Abordando o cinema mundial e tendo este ano como destaques as retrospectivas dos diretores Bela Tarr (Hungria) e Claire Denis, de Minha Terra, África (França), os filmes podem ser conferidos no Cinesesc e no Cine Olido, ambos em São Paulo, de forma gratuita – o Festival já passou por outras cidades brasileiras.

Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim e anunciado como o último filme de Bela Tarr (realizado em parceria com Ágnes Hranitzky), O Cavalo de Turim apresenta um curto, porém significativo, período na vida de um pai e sua filha. Únicos personagens principais desta história, eles vivem sua monótona e solitária rotina numa casa isolada, praticamente sem contato nenhum com a sociedade

A monotonia é personagem principal também, explicitada em longos e silenciosos planos. Pai e fiha dormem, comem, pegam água no poço, racham lenha, vez ou outra fazem algum trajeto a cavalo até a cidade. O cavalo também tem importância chave na história.

A repetição e monotonia chegam a ser enervantes em alguns momentos, como nas várias vezes em que a filha troca a roupa do pai (ele não fala, exceto quando totalmente inevitável), porém, ao longo do filme percebemos o motivo de tal recurso do diretor. É outro tipo de cinema, e deve ser enxergado com outros olhos. O próprio Bela Tarr declarou que não acredita nas palavras, e sim nas imagens, já que trabalha com cinema.

É impressionante como a natureza adquire função de protagonista e talvez tema mais importante do filme – estamos falando da natureza que nos cerca e da natureza humana, no fim. O cavalo que se recusa a andar e a comer, por exemplo, ou o vento nas colinas onde os dois vivem, que é mostrado de forma avassaladora, seja no áudio que nos contamina, nos cerca e afoga, seja no efeito que causa no pai e sua filha. A natureza é magnânima, suprema, destruidora, e fracos somos perante seu poder – bem maior que a filosofia, os estudos e teorias, livros e tudo o mais. A trilha densa, pesada, grave, só intensifica a repetição e pesar que circundam aquela casa na colina.

Outra metáfora interessante é vista quando a cabana fica sem luz, devido à tempestade, e quando a água do poço seca. Esta perda de luz é a própria perda de lucidez, de visão, de norte. Belo preto e branco esfumaçado, que permeia atuações bastante legítimas de János Derzsi e Erika Bók, o Cavalo (agora também Urso) concorrerá a uma vaga na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2012, e deve entrar em cartaz no circuito mais alternativo dos cinemas brasileiros em breve.




O Cavalo de Turim (A Torinói ló) – 146 min 
Hungria, França, Alemanha, Suíça 2011 
Direção: Belá Tarr, Ágnes Hranitzky
Roteiro: Belá Tarr, László Krasznahorkai
Elenco: János Derzsi, Erika Bók, Mihály Kormos

Estreia: 16 de setembro (Indie Festival 2011)
Estreia: 06 de outubro (Festival do Rio 2011)

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  1. Gostei desta crítica. O filme, sou forçado a dizer, bem contra aminha vontade, qoe o destestei. Saí de lá tremendamente cansado e com um forte dor de cabeça que só passou quando adormeci (em casa não no filme!).

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