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Eternidade, de Sivaroj Kongsakul, faz parte da programação do Indie Festival 2011, que começa dia 16 de setembro em São Paulo. O filme venceu o festival de Roterdã, na Holanda, entre outros prêmios pelo mundo. Wit é um tailandês que, aparentemente, faleceu recentemente, e está vagando de moto pelo campo, relembrando seu passado. Logo de início entramos em contato com planos bastante longos mostrando paisagens vastas, totalmente naturais, a imensidão do céu e da estrada. Este estilo, presente em muitos cinemas, particularmente os orientais, já nos põem em sintonia com esta outra cultura e com a história de caráter retrospecto e reflexivo, ou contemplativo.

Wit leva sua esposa para o campo, para conhecer sua família. A garota tem menos de vinte anos, e, acostumada à vida na cidade, não se adapta à vida pacata do campo no início. Porém, o amor e a paixão que o casal vive, cada vez maiores, fazem com que ela aos poucos se habitue com os frequentes passeios de moto pelo interior, os mergulhos no lago e o leve balançar da rede com seu filho, à tarde. Esta é a vida à qual ela se entrega, ao lado de seu marido.

A trilha cuidadosa marca bastante, a ponto de ficarmos com ela na cabeça por um tempo após sairmos da sala. Bela, memorável. Porém, os longos planos tranquilos e cheios de calmaria e felicidade são bruscamente interrompidos pela segunda parte da história, quando esta garota, agora mulher madura, viúva e com dois filhos para criar na cidade, vive outra realidade. Novamente urbana, a calmaria ficou para trás, assim como a juventude. Ela tem de educar e sustentar seus filhos, cuidar da casa e superar a perda de seu parceiro.

A frieza da vida, porém, tem significado e provoca a reflexão a respeito do que, apesar de simples e trivial, é grande e eterno. Mas a película faz isso sem “forçar a barra”, sem grandes questionamentos filosóficos. O que gera a realidade, a sensação de algo concreto e verdadeiro é, em grande parte, a direção de atores – colocá-los nestes ambientes de forma natural, como devem ser. Vale pela experiência de reavaliarmos o que é o bom cinema: muitas vezes o mais simples, o de menos recursos, feito com um casal de atores concentrados. Uma lição que os primeiros filmes de Wong Kar-Wai, apesar de menos “calmo” do que Sivaroj, também nos traz – uma jornada ao compacto, sintetizado, às puras relações humanas, que sustentam uma história tranquilamente.




Eternidade (Tee Rak) – 105 min 
Tailândia – 2010 
Direção e Roteiro: Sivaroj Kongsakul
Elenco: Wanlop Rungkamjad, Namfon Udomlertak, Prapas Ammnuay, Pattraporn Jaturanrasmee 

Estreia: 16 de setembro (Indie Festival 2011)

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