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Os cineastas Felipe Bragança e Marina Meliande enviaram uma carta de 7 páginas (inspirada num bilhete escrito por uma adolescente chamada Luiza, encontrado num apartamento abandonado) a 14 diretores. Estes responderam com pequenos filmes de 5 minutos aproximadamente.

Cada curta metragem foi “costurado” pelos coordenadores do projeto, formando um longa metragem de 65 minutos que teve sua estreia no festival de Rotterdam. O experiente cineasta Karim Ainouz (conhecido pelo filme Madame Satã) é uma espécie de padrinho do projeto. Fez o último filme, com imagens de Berlim e Fortaleza.

A pré-estreia em São Paulo foi no MIS (Museu da Imagem e do Som) nesta quinta (22/9) e teve conversa com o idealizador do projeto Felipe Bragança e os diretores Marco Dutra, Juliana Rojas e Caetano Gotardo (foto). Os filmes variam de estilo e formato de captação, mas todos têm excelente acabamento sonoro, de arte, fotografia e trilha sonora. As obras se enquadram no estilo experimental.

Apesar disso, é um filme basicamente para agradar a jurados de festivais e aos próprios realizadores, pois não dialoga com o público. Por vezes fica “hermético” demais ou falado demais. Chegando em certos momentos a causar uma certa repulsa por passar a impressão de tentar ser um filme presunçoso. Um filme que tenta ser “cabeça” demais, mas com belas imagens.

O que fica claro, e mais ainda falando com os realizadores, é que foi um espaço que tiveram para “experimentar” (no sentido mais amplo da palavra). Eram instigados pelo idealizador a fazerem os projetos que mais queriam, mesmo com fortes limitações orçamentárias. Isso levou a opções interessantes, como um dos “curtas” que utilizou VHS para captar o material. Este suporte, tão ultrapassado, foi escolhido por remeter ao diretor Marco Dutra a época em que fazia filmes apenas para diversão com os amigos, antes de estudar cinema.

Os diretores também não poderiam parar seus projetos pessoais para se dedicar ao filme; teriam que fazer de forma paralela, pois o idealizador diz que não seria justo que parassem trabalhos que o motivaram a convidá-los. A forma com que o filme foi criado torna-se mais interessante que seu resultado final. Mas vale pela curiosa forma com que foi elaborado, com interessantes opções dos diretores.

Por: Beto Besant
Desassossego (Filme das Maravilhas) – 65 min
Brasil – 2010
Direção: Felipe Bragança, Marina Meliande
Diretores Convidados: Karim Ainouz, Marco Dutra, Juliana Rojas, Helvécio Marins, Clarissa Campolina, Ivo Lopes Araújo, Caetano Gotardo
Roteiro: Felipe Bragança

Estreia: 23 de setembro (São Paulo)

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