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Depois da exibição de Transeunte para a imprensa especializada, o diretor Eryk Rocha e o ator Fernando Bezerra receberam jornalistas para uma conversa na Videofilmes, no bairro da Glória, zona sul do Rio de Janeiro. A produtora é responsável também por vários filmes de Walter Salles (que assina a produção executiva de Transeunte, em parceria com Mauricio Andrade Ramos), como Central do Brasil, Linha de Passe, Abril Despedaçado, entre outros.

Descontraídos, Eryk e Fernando mostraram-se felizes com o filme, que teve boa recepção nos festivais de Brasília e Paulínia (SP). Esperam igual acolhida em festivais internacionais e no circuito comercial, embora tenham consciência das dificuldades que o cinema nacional enfrenta, especialmente no que diz respeito à distribuição. Por isso defendem o estabelecimento de um circuito alternativo, subsidiado pelo poder público, para que o grande público tenha acesso a obras que reflitam sua realidade.

Eryk explicou que teve a ideia para o filme quando esteve em Cannes, em 2004, e apresentou seu curta-metragem Quimera. Ele contou que estava sentado em um café quando viu um desfile de celebridades, pessoas ricas e bem-vestidas aproveitando a vida, e se deu conta de como as coisas são muito diferentes no Brasil e em outras partes do mundo. Quis contar a história de uma pessoa comum, anônima, sozinha. Imediatamente começou a esboçar o argumento, que seria desenvolvido depois, juntamente com Manuela Dias, co-autora do roteiro.

A decisão de situar a história no Centro do Rio de Janeiro veio de suas lembranças, de ter crescido numa cidade mais tranquila, mais humana, onde as crianças podiam brincar na rua, o que hoje é muito raro. Para Eryk, o Rio de Janeiro cresceu e se transformou, nem sempre para melhor, e o Centro, mais do que qualquer outra região, mostra isso. Ele acredita que uma das funções do cinema é testemunhar seu tempo e as mudanças que uma sociedade vive.

A memória também foi matéria-prima para construir o personagem Expedito, já que Fernando nasceu e morou no Rio até os 30 anos, para depois ir a São Paulo, onde construiu sua carreira. Foi por intermédio do diretor Walter Salles, com quem filmou Linha de Passe, que Fernando conheceu Eryk. O ator disse que sentiu uma grande emoção ao descobrir que o jovem diretor era filho de Gláuber Rocha, com quem sempre sonhou trabalhar.

Além disso, Fernando disse que colocou-se à disposição do diretor na hora de corporificar o personagem que, afinal de contas, não é tão diferente de si mesmo. Para Fernando, a velhice chega sem que as pessoas se deem conta disso, e são os outros, a sociedade em geral, que rotula alguém de idoso, de uma forma geralmente negativa, excludente, limitadora. “Transeunte trata dessa questão de modo delicado, apontando para novas possibilidades. Eu mesmo me sinto recomeçando, com fome de novos projetos.”  


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