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O que será de nozes?

Crítica - Planeta dos Macacos: A Origem

24 de agosto de 2011


O ano das revoluções, 1968, também marcou época no cinema, com o lançamento de memoráveis clássicos, como 2001: Uma Odisseia no Espaço, O Bebê de Rosemary e O Planeta dos Macacos. O longa estrelado pelo então onipresente Charlton Heston rendeu quatro continuações, remake de Tim Burton (2001) e, agora, uma superprodução que explica o início da supremacia símia, com incríveis efeitos visuais da Weta Digital, responsável por obras como Avatar e a trilogia O Senhor dos Anéis.

A tarefa de refilmar, ou acrescentar algo às histórias originais de obras cultuadas, não é nada fácil. É pisar em um terreno perigoso, vide a questionada versão de Gus Van Sant para Psicose, do mestre Hitchcock. Além d’O Planeta dos Macacos original ter um dos finais mais impactantes e filosóficos da história do cinema, mais de quarenta anos depois o argumento continua atual e a maquiagem (de John Chambers, vencedor do Oscar) ainda impressiona, embora os efeitos especiais tenham se tornado obsoletos, frente à evolução tecnológica.

Único filme da franquia dirigido por Franklin J. Schaffner (de Patton: Rebelde ou Herói?), O Planeta dos Macacos de 1968 tem uma ambientação sombria perfeitamente construída, que, amplificada pela marcante trilha sonora (composta por Jerry Goldsmith), tem a capacidade de provocar completa imersão do espectador. A nova ordem social imposta aos viajantes do tempo liderados pelo coronel Taylor (Charlton Heston), remete à necessária reflexão acerca do papel do ser humano na natureza.

O homem é o único ser que, não satisfeito em destruir seu próprio habitat, destrói a si mesmo. Não fosse uma prática tão banalizada e incutida na sociedade, soaria até como um absurdo cogitar a possibilidade de sentir prazer ao inalar fumaça, citando apenas um exemplo. E o que dizer de guerras por território ou riquezas naturais, travestidas de jornadas “santas”? Em um agressivo processo evolutivo, o ser humano acabou se tornando o predador dos predadores, embora sua constituição física não seja característica de tal status.

E esta evolução sempre andou de mãos dadas com a modificação da natureza. Criamos nossa selva de pedra e uma dualidade cada vez mais forte entre instintos e racionalidade. Pensando nisso, duas relevantes questões estão intimamente ligadas à saga Planeta dos Macacos: o ser humano merece ser a raça dominante do planeta Terra? Até que ponto é ética a interferência humana na natureza?

O remake de Tim Burton mudou a história original para explicar como o Planeta se tornou dos Macacos, ficando, conceitualmente, aquém do sucesso da obra de Schaffner, mesmo se fazendo valer da tecnologia disponível no começo dos anos 2000. Já Planeta dos Macacos: A Origem acerta em cheio, não apenas pela deslumbrante qualidade estética e inquestionável perfeição técnica, mas, principalmente, por dar respostas que fãs esperavam e fantasiavam há décadas. E, melhor ainda: com muito respeito pelo Planet of the Apes de 1968.

As referências ao original permeiam todo o filme e são de deixar qualquer cinéfilo mais atento extasiado. Além disso, desde a primeira cena, muitas passagens, diálogos e, inclusive, personagens, são invertidos em relação a 1968, já que a trama se passa na cidade de São Francisco dos dias de hoje e os humanos ainda prevalecem. Por enquanto...

Buscando uma cura para seu pai (John Lithgow), que sofre do mal de Alzheimer, Will Rodman (James Franco, de 127 Horas) se dedica exaustivamente a aperfeiçoar o medicamento ALZ-112, testado experimentalmente em macacos na Gen-Sys, grande corporação da indústria farmacêutica, tão emblemática para O Planeta dos Macacos, quanto a Iniciativa Dharma para Lost.


As experiências dão origem a Olhos Brilhantes (desta vez não é o coronel Taylor o detentor da alcunha) e a complexidade empregada na engenharia genética tem como consequência uma nova linhagem símia, com um desenvolvimento cognitivo tão acelerado, que dota Cesar (Andy Serkis, mais uma vez atrás dos efeitos visuais) de uma super inteligência, capaz de transformar um bebê chimpanzé no líder de uma revolução de proporções gigantescas.

A riqueza do personagem, e seus densos conflitos, têm a capacidade de criar uma forte ligação emocional com o público e, além do roteiro muito bem amarrado (de Rick Jaffa e Amanda Silver) e da direção irretocável de Rupert Wyatt, o mérito é dividido entre a Weta Digital, que desenvolveu um equipamento portátil de captura de movimento, e Andy Serkis (que deu vida ao Gollum de O Senhor dos Anéis e ao King Kong de Peter Jackson), responsável pelas expressões faciais de Cesar.

O trabalho de construção dos movimentos e expressões realizado em Planeta dos Macacos: A Origem pode ser considerado até mais difícil do que os de Avatar e da trilogia O Senhor dos Anéis, por se tratar da recriação de um mundo que se baseia na realidade, não em universos fantásticos. E, realmente, o resultado é espetacular. Os movimentos de Cesar, e de seus semelhantes, são incríveis.

A guerra pela supremacia, entre símios e humanos, tem com ponto forte a frenética montagem de Conrad Buff IV e Mark Goldblatt (Oscar à vista) e o clímax na ponte Golden Gate, com uma neblina que aumenta a sensação de tensão, é memorável. Não menos interessante que a potencialidade técnica, a atuação dos personagens humanos é condizente com a qualidade da obra, e até o Draco Malfoy de Harry Potter (Tom Felton, como Dodge) mostra a que veio. Não é exagero algum afirmar: Planeta dos Macacos: A Origem é um marco na história do cinema.


Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes) – 105 min 
EUA – 2011 
Direção: Rupert Wyatt 
Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver 
Elenco: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow, Brian Cox, Tom Felton, David Oyelowo, Tyler Labine, Jamie Harris, David Hewlett, Ty Olsson, Madison Bell, Andy Serkis

Estreia: 26 de agosto.

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8 comentários:

Daisynha ਏਓ disse...

Crítica maravilhosa! Você e seus textos bem construídos. Seu texto também é uma obra de arte. Brilhante! Parabéns!
Da parceira e fã (ainda babando), Daisy Soares. ♥

Rafael W. disse...

Acho dificíl ficar à mesma altura do clássico original, mas espero que seja, ao menos divertido.

http://cinelupinha.blogspot.com/

Rolan disse...

Emocionante!
A humanização dos símios proposta atraves da tecnologia fez do filme um novo classico cinematográfico.

Anônimo disse...

Um dos melhores filmes que já assisti esta ano, um bom roteiro, que prende o espectador do começo ao fim, sem exageros, e uma hitoria bem amarrada.

Mattheus Rocha disse...

Obrigado, minha Daisy! Você é minha maior inspiração! ♥

Samantha Ferrely disse...

Planeta dos Macacos - A Origem é com toda certeza o melhor filme de 2011. As cenas de ação são impecáveis... aliás, é ação e emoção do começo ao fim!

ver pra crer disse...

muito bom mesmo infelismente ainda não encontrei o filme de 1968 na minha cidade mas gostaria de assistir.

Anônimo disse...

Exagerou aí...

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