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Há certa tendência nos roteiros dos filmes de super-heróis em humanizar ao máximo o protagonista. Quebrar o ‘maniqueísmo’ que outrora transformava os salvadores da humanidade em figuras unidimensionais, acima de qualquer suspeita, pura e simplesmente ‘do bem’, é algo importante na intenção de torná-los mais parecidos, e identificáveis, com uma pessoa normal (o espectador, no caso).

Homem-Aranha, Batman, Homem de Ferro e X-men são benfeitores com inúmeros defeitos, e envoltos em conflitos existenciais. O herói do novo blockbuster da Warner Bros. tem poderes indescritíveis, mas não é lá dos mais simpáticos (embora isto, também, seja justificado pelo fraco roteiro), e é inseguro em várias ocasiões. Da mesma forma que eu e você.

Em Lanterna Verde, Hal Jordan (Ryan Reynolds, de Enterrado Vivo), é um piloto de avião irresponsável, que dirige de forma atabalhoada, e não consegue manter o relacionamento amoroso com Carol Ferris (Blake Lively) por conta da própria imaturidade. No entanto, quando recebe um misterioso anel de um extraterrestre, é encarregado de ser um ‘lanterna verde’, uma espécie de soldado guardião do universo na luta contra o mal; em especial, o poderoso Parallax, uma força maligna que se alimenta do medo dos oponentes. O anel possui uma energia verde, capaz de criar qualquer coisa dentro do limite da imaginação do herói. E ele precisará conter suas aflições para derrotar o inimigo e salvar o mundo da destruição.

Ao contrário dos personagens citados, o desenvolvimento do Lanterna Verde é prejudicado pelo roteiro, que o transforma em um homem infantil e impulsivo devido ao trauma de ter presenciado a morte do pai, que também era piloto. Além de ser uma justificativa convencional ao extremo para justificar certas atitudes do personagem, o elo entre pai e filho é estabelecido de forma frágil, o que compromete a identificação do drama com o espectador.

O enredo ainda encontra dificuldade para definir ganchos de ligação entre o universo intergaláctico-fictício e a Terra. A confusão nas idas e vindas de Hal Jordan entre os dois mundos é evidente. Além disso, o romance entre Jordan e Ferris é frio, e segue mais como uma ‘barriga’ do que como complemento dramático à história.  

Com eficientes sequências de ação, e efeitos especiais competentes, Lanterna Verde é um dos poucos filmes nos quais o recurso 3D funciona de forma convincente. A experiência sensorial no longa – representada nos efeitos de imagem e som – diverte. É uma pena, porém, que os personagens e a trama desconheçam tal poder de sedução.




Lanterna Verde (Green Lantern) – 114 min
EUA – 2011
Direção: Martin Campbell
Roteiro: Greg Berlanti, Michael Green, Marc Guggenheim, Michael Goldenberg
Elenco: Ryan Reynolds, Melanie Hebert, Blake Lively, Peter Sarsgaard, Mark Strong, Tim Robbins, Jay O. Sanders, Taika Waititi

Estreia: 19 de agosto.

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  1. "Lanterna Verde é só mais um filme de super herói"

    E era pra ser o q ?

    Pelamordedeus

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  2. Esse filme e o Capitão America ate me surpreederam, pois trasfomaram a historia de dois herois chochos em filmes ate aceitaveis.

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  3. Adorei o filme! Dica...pra assistir filme de super-herói, não conheça a história original!

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  4. Um filme excelente!!!
    Gostei bastante, principalmente o fato que a mocinha da trama não ficou sabendo quem era o herói por causa de uma mascara que só tampa os olhos...rsrs!(cena muito massa)....

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  5. Achei fraco, pouco convincente, roteiro pobre, romance aguado... Só valeu a pena porque assisti em 3D, já que tem uns efeitos legais, mas é só!

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  6. Alexandre Figueiredo23 de dezembro de 2011 20:00

    O filme é bobo e falta carisma ao herói.

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