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Transcendence

Crítica - Esses Amores

23 de agosto de 2011


Ilva (Audrey Dana) é filha de uma atriz pornô do cinema mudo. Na Paris ocupada pelos alemães na 2ª Guerra, em uma época ainda bastante conservadora e cheia de pudores e preconceitos, ela é uma mulher apaixonada, intensa e muito à frente de seu tempo. A história nos fala dos amores impulsivos e incontroláveis de Ilva em diferentes épocas e lugares – um jovem honesto e um tanto ingênuo, um soldado alemão, dois soldados (um branco e um negro) entre os quais ela não pode se decidir, e um pianista. Durante a libertação da França, em 1944, ela está sendo julgada num tribunal e aos poucos vamos entender o por quê.

A personagem de Esses Amores, de Claude Lelouch (e os que a rodeiam), percorrem o século XX e “cobrem” toda espécie de fato marcante deste período (como não lembrar de Forrest Gump?), passando pela chegada do cinema falado, a 2ª Guerra Mundial ou o advento do jazz – interessante observar a evolução musical de cada época dentro da história, como pano de fundo, retratada em bares, clubes, na vida noturna em geral, onde se desenrolam alguns dos amores da protagonista. Vários personagens são músicos, também. Um dos homens de Ilva, um soldado nazista do alto escalão, é capaz de gerar carisma no espectador ao tocar a Marselhesa numa espécie de flauta-acordeon, embora isso nos gere um considerável incômodo. É que o diretor consegue criar momentos apaixonantes, embora bastante contraditórios.

É uma produção de grandes proporções. Plasticamente é um belo filme. Bons planos, trilha sonora inspirada e elementos que, em geral, transmitem-nos a ideia de que foi feito por alguém que é apaixonado pela sétima arte, sem dúvida. O tema gira bastante em torno do próprio cinema – a metalinguagem de Cinema Paradiso ou a homenagem feita por Tarantino em Bastardos Inglórios. Há, sim, muitos momentos pontuais que nos cativam. Porém, olhando o flme de modo mais amplo, num todo, é informação demasiada para 120 minutos. Muitos personagens e fatos. Não que isso prejudique a compreensão dele. Há dois momentos entrelaçados no enredo, e bem claros: passado e presente. Mas acaba sendo evidente a desproporção, o disparate de informações e reviravoltas. Falta um certo respiro, que, se fosse respeitado, geraria algo como 3 filmes ou mais.

Lelouch é um mestre, merece todo o respeito e admiração, sem sombra de dúvida. Porém, este filme deve se assumir uma espécie de filme-homenagem à carreira, obra, atores e atrizes do diretor francês. Há um retrospecto de sua obra no próprio filme. Liberdade que ele pode se dar? Sim. Soa como uma despedida, também. Com certeza feita com paixão e amor pelo cinema, pela música, pelas mulheres e pela vida.




Esses Amores (Ces amours-là) – 120 min 
França2010 
Direção: Claude Lelouch
Roteiro: Claude Lelouch, Pierre Uytterhoeven
Elenco: Audrey Dana, Dominique Pinon, Samuel Labarthe, Anouk Aimée

Estreia: 26 de agosto.

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