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Em Copacabana (de Marc Fitoussi), Babou (Isabelle Huppert, de Minha Terra, África) é uma “coroa” francesa totalmente fora dos eixos: solteira, sem emprego fixo, meio avoada e apaixonada pelo Rio de Janeiro, que sonha conhecer, e pela música brasileira. Sua filha, Esmeralda (Lolita Chammah), é extremamente diferente: comportada, fiel à sua carreira e ao seu comportado noivo, pretende se casar em breve e se livrar da vida e educação caótica em que sua mãe lhe colocou.

O que choca Babou é que Esmeralda não a quer em seu casamento, pois sente vergonha da mãe. Esta fica em choque e resolve fazer de tudo para agradar a filha e provar que pode, sim, ser responsável e regrada em sua vida. Então aceita um emprego em uma imobiliária no litoral belga, muda-se imediatamente e sua vida passa por um choque. Porém, o que começa como desastre total logo se transforma – Babou realmente dá tudo de si e se destaca entre a equipe de entediados funcionários da empresa, que têm de vagar pelas ruas da cidade entregando folhetos a turistas, de modo que estes visitem a sede a fim de conhecer os imóveis. Babou é promovida. Ganha a simpatia dos chefes sisudos. 

Mas ela, em sua essência, é muito boa, apesar de tresloucada. Assim, age por instinto quando instala, por conta própria e quebrando as regras, um casal de hippies mochileiros no apartamento da empresa. Quando finalmente sua filha vai visitá-la, e vê aquela mudança quase completa que se instalou na mãe, fica confiante que esta mudou e, afinal das contas, podem se dar bem. Mas esta pureza e jeito mundano, irreverente, de Babou não fica preso por muito tempo e aflora novamente, gerando novos conflitos, dias antes do casamento da filha. 

A trilha sonora de Copacabana é cheia de canções brasucas; tem Jorge Ben, Chico, bossa, entre outros. Isso surge algo surreal em meio à trama europeia, mais “fechada”, mais ensimesmada daquelas culturas. E Babou não está nem aí quando, do nada, bota uma destas na juke box e começa a dançar sozinha, pra si mesma e pra quem quiser ver, do seu jeito. Ela tem esta certa alma brasileira, espírito solto e festeiro, algo “povão”, e no fim é uma tremenda mãe. Basta observar o que faz por aquele casal maltrapilho, sem esperar nada em troca.

Em sua forma, Copacabana é simples, não ousa tanto. Talvez um equilíbrio para com a alma da protagonista. Planos normais, tradicionais, que não chamam atenção em si, assim como a luz e foto em geral. Mas a história flui suave, como uma onda, e se deixa levar de modo bem natural, o que é uma grande qualidade. Comédia com grande carga dramática, é um entretenimento comedido, ainda que interessante.

Um elogio especial à Isabelle Huppert, que confere grande personalidade e diferencial à película. Huppert é muito versátil, quando lembramos daquela recatada (porém reprimida) mulher em A Professora de Piano.




Copacabana (Copacabana) – 107 min
França, Bélgica – 2010
Direção e Roteiro: Marc Fitoussi
Elenco: Isabelle Huppert, Lolita Chammah, Aure Atika, Jurgen Delnaet

Estreia: 07 de outubro.

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