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No último Festival de Cannes, a arte foi ofuscada pela polêmica provocada pelo diretor dinamarquês Lars von Trier, que numa entrevista coletiva declarou “entender Hitler”. Como consequência, foi banido e considerado “persona non grata”. Desastrada estratégia de marketing ou mero egocentrismo de von Trier, a verdade é que o imbróglio não impediu Melancolia de receber boa acolhida, e inclusive, conquistar o prêmio de melhor atriz para Kirsten Dunst.

Apontado pelo próprio diretor como um filme muito próximo da estética mainstream americana, Melancolia não emociona tanto quanto Dançando no Escuro (Dancer in the Dark), que lhe valeu em 2000 a Palma de Ouro em Cannes, nem é tão controverso como Antricristo (Antichrist), de 2009, ou mesmo Dogville (2003). Está longe, porém, de ser uma obra banal. O filme começa com uma série de imagens estranhas em super câmera lenta, como pássaros caindo do céu e uma noiva parecendo deslocada no tempo e espaço, ao som impactante de Tristão e Isolda, de Wagner. É um prenúncio do que está por vir, uma história sobre desintegração familiar e o fim do mundo.  

Após esse prólogo, a trama se delineia; um casamento envolvendo duas irmãs, Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg, de A Árvore), a primeira como noiva, a segunda como organizadora. Fica bem claro que as duas têm personalidades opostas: enquanto Justine é frágil e sonhadora, Claire é prática e controladora. Em torno delas gravitam os outros personagens: o romântico noivo (Alexander Skarsgard), a cética mãe Gaby (Charlotte Rampling, de Não me Abandone Jamais), o desligado pai Dexter (John Hurt), o cínico patrão de Justine, Jack (Stellan Skarsgard, de Thor), e o genioso cunhado John (Kiefer Sutherland).

Embora dividido formalmente em duas partes que levam os nomes das duas irmãs, como a estabelecer uma mudança de foco, a narrativa se concentra realmente em Justine. A variada gama de sentimentos exibida por ela dá o tom do filme. Da doçura e ingenuidade que marcam a chegada dos noivos ao belo castelo onde acontecerá a festa à depressão resultante da constatação do fracasso, surge o temor da destruição da Terra por um planeta errante. E é exatamente esse evento monstruoso e impossível de controlar que vai fazer emergir a verdadeira personalidade de Justine, Claire e John.

Fundador do Dogma 95, que defendia um cinema mais realista e menos comercial, Lars Von Trier continua fiel à câmera na mão e filmagem em locações. Aderiu, no entanto, ao uso de efeitos visuais. Todas escolhas acertadas, assim como a ótima trilha musical, com destaque para o já citado Wagner, e o elenco repleto de atores renomados, com destaque para Kirsten Dunst e Kiefer Sutherland, além de participações pequenas, mas marcantes, de Charlotte Rampling e John Hurt.



Melancolia (Melancholia) – 136 min
Dinamarca, Suécia, França, Alemanha – 2011

Direção e Roteiro: Lars von Trier
Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, John Hurt, Charlotte Rampling, Alexander Skarsgard, Stellan Skarsgard, Cameron Spurr, Brady Corbet, Udo Kier

Estreia: 05 de agosto.

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  1. Filmaço! Vi na cabine e adorei! Von Trier é genial quando quer ser. Pena que fora do cinema ele é meio louquinho da cabeça!

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