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Uma idosa avó caminha com dificuldade por uma cidade até chegar no local onde deseja acender uma vela para seu falecido neto, que foi morto em um assalto no dia anterior. Lola Sepa (Anita Linda), a avó, é uma senhora que vive com sua filha e netos menores, e sendo muito pobre, precisa arcar com as despesas do funeral do neto querido. Além disso, precisa arrumar dinheiro para manter um processo aberto contra o assassino capturado pela polícia pouco tempo depois. 

Mas os problemas vão muito além das dificuldade financeiras. Por ser muito idosa, Lola Sepa precisa lutar o tempo todo contra as dificuldades da velhice, especialmente para se locomover em uma caótica cidade filipina, onde o transporte é bastante precário e chuvas torrenciais caem o tempo todo. Para piorar, a família de Lola Sepa vive em um apertado barraco, em uma favela localizada em um bairro totalmente alagado, em que só é possível transitar de canoa.

Enquanto Lola Sepa luta por justiça e para garantir um enterro digno a seu neto, acompanhamos as dificuldades de uma outra avó, Lola Puring (Rustica Carpio), avó de Mateo (Ketchup Eusébio), o assassino. Lola Pouring é igualmente pobre, e vive com seus netos e um filho deficiente físico; a situação de Mateo na cadeia a deixa arrasada. Vendedores de verduras na feira, a família de Lola Pouring luta para garantir o pão de cada dia, e não tem dinheiro para pagar um advogado, muito menos para tentar um acordo financeiro com a parte ofendida. 

Apesar do drama intenso o filme não deixa de ter momentos engraçados, ou mais que isso, pois algumas situações vividas pelas senhoras são tão adversas, e são tantos os pequenos detalhes a conspirar contra elas, que se torna inevitável o vislumbre de uma ironia realmente cômica no dia a dia das personagens. Durante algumas tomadas do filme nos sentimos como espectadores de um documentário, e o realismo da obra é potencializado. Quando esse realismo se combina com a proximidade que o longa tem das duas personagens, a sensação de imersão é bem grande.

Lola não é uma grande produção, definitivamente não se destaca pela qualidade técnica e aparentemente não possui um enredo que atraia alguém em busca de lazer no cinema. Mas aqueles que estiverem dispostos a olhar um pouco além das limitações vão descobrir em Lola uma verdadeira e incrível viagem. Uma viagem para um país único e completamente desconhecido para a maioria dos brasileiros, uma viagem para uma realidade social também estranha para muitos de nós mesmo que fisicamente próxima e ainda, uma viagem no tempo para nosso futuro inevitável, a velhice.



Lola – 110 min
França, Filipinas – 2009

Direção: Brillante Mendoza
Roteiro: Linda Casimiro
Elenco: Anita Linda, Rustica Carpio, Tanya Gomez, Jhong Hilario, Ketchup Eusébio, Benjie Filomeno

Estreia: 22 de julho (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Juiz de Fora); 29 de julho (Salvador e Florianópolis); 05 de agosto (Belo Horizonte e Recife).

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