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Após a dolorosa perda da filha, Doug Riley (James Gandolfini) e sua esposa Lois (Melissa Leo) praticamente param suas vidas. Lois passa os dias trancada em casa enquanto seu marido, dono de uma empresa de material hidráulico, segue a vida do jeito que pode. A vida parecia definida a este luto silencioso até que, numa viagem a trabalho, Doug conhece Allison (Kristen Stewart), uma stripper de 16 anos perdida em New Orleans. A menina chama sua atenção, não pelos atributos físicos (em suas próprias palavras, Doug prefere mulheres mais velhas), mas por uma estranha vontade de cuidar daquela alma perdida. Cauteloso, o empresário se aproxima da menina e ambos iniciam uma amizade simples, porém nem sempre tranquila.

Doug quer ajudar Allison. Ela, por sua vez, quer ser uma garota independente e madura, e afirma isso a todos os momentos, entre palavrões e impropérios que irritam Doug. Ainda assim, eles se ajustam um ao outro, iniciando uma convivência curiosa, até que uma agradável surpresa acontece na vida de Doug: Lois decide se reintegrar à sua vida. A presença da mulher mais velha altera a dinâmica do relacionamento entre Allison e Doug, e o que parecia confortavelmente definido rui e se transforma. Em se tratando de vida, o saldo final é sempre positivo.

A história é triste, porém reconfortante. Com mais momentos agradáveis do que conflituosos, o filme se torna leve, mesmo com os assuntos delicados sempre à espreita. É impossível não se apaixonar por Doug, com seu jeitão de gigante carinhoso e antiquado, mas quem já foi jovem não vai ignorar a revolta gratuita e toda a autoafirmação de Allison. Melissa Leo (vencedora do Oscar 2011 de melhor atriz coadjuvante por O Vencedor) e James Gandolfini estão perfeitos; poderiam muito bem ser alguém que você conhece, até alguém de sua família, e tenho certeza de que você ficará encantado com eles.

Kristen Stewart, por outro lado, ainda precisa amadurecer um pouco. A protagonista do sucesso adolescente Crepúsculo ainda não desencarnou da personagem, e em muitos momentos vemos a Bella sem os vampiros. Sem demérito, cada profissional leva consigo seus traços e sua atuação, mas eu prefiro não reconhecer personagens. Talvez o fato de Allison também ser adolescente colabore com esta impressão, mas Kristen ainda precisa crescer um pouco para realmente tocar nossos corações.

O roteiro é solto e leve, a trilha sonora encantadora. Estes dois elementos ajudam ao tom geral de leveza de Corações Perdidos, sem deixar o espectador pertido. Você sai do cinema pensativo, mas alegre, e pode até pensar em ajudar alguém próximo sem cobrar tanto de volta.



Corações Perdidos (Welcome to the Rileys) – 110 min
Reino Unido, EUA – 2009
Direção: Jake Scott
Roteiro: Ken Hixon
Elenco: Kristen Stewart, Melissa Leo, James Gandolfini

Estreia: 08 de julho.

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  1. Olá!! :) O mais engraçado é que eu só vejo esse tipo de comentários sobre a Kristen Stewart por críticos brasileiros. Acabei de perceber isso. Pesquisando críticas sobre esse filme... Procurei justamente por ter achado que a garota se saiu bem. O filme é bem legal.

    O problema é que as pessoas assistem com olhos preconceituosos. Eu respeito sua opinião. Até por que eu não tenha lá muita experiência em analisar atuações. Mas acho que se encontrei essa divergência, é pq algum motivo há. Fiquei intrigada. Maas, gosto e opinião cada um tem a sua, né? bjs.

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