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O sucesso da série Cilada justifica-se tanto pelo carisma do ator Bruno Mazzeo quanto pelo texto criativo, que, de forma leve, brinca com situações desagradáveis do cotidiano, aqueles acontecimentos que ‘seriam trágicos se não fossem cômicos’ (ou vice versa). Mas assim como aconteceu com a série Os Normais, a versão cinematográfica da série do Multishow está a anos luz do formato original. Apesar de superior a Os Normais 2, do mesmo diretor, José Alvarenga Jr., o longa Cilada.com, ainda que renda algumas risadas, se perde pela falta de consistência da trama principal, a fraca subtrama, sem contar no sofrível apelo escatológico em menor escala, mas ainda presente. 

A história é simples. Após ser traída pelo namorado Bruno (Bruno Mazzeo o interpreta com naturalidade e competência) em uma festa, Fernanda (Fernanda Paes Leme) decide colocar na internet a gravação de uma relação sexual mal sucedida do casal (o culpado, como não poderia deixar de ser, é Bruno). Zombado pelos amigos no trabalho e por estranhos na rua, ele precisa encontrar uma maneira de ‘limpar’ sua imagem. Na encruzilhada da busca pelo fim da fama ruim, surgem personagens excêntricos; como um pai de santo picareta, um cineasta maluco (vivido por Sergio Loroza com uma certa graça), uma mulher que cansada de relações afetivas decide ter os homens como ‘brinquedos sexuais’, a apresentadora de um programa de fofoca sensacionalista (interpretada pela sempre engraçada Dani Calabresa), dentre outros tipos. 


Infelizmente estes personagens parecem soltos na narrativa, em que após anos juntos o homem não consegue dizer ‘Eu te amo’ e, diante disso, a mocinha fica entristecida e o conflito e desentendimentos estendem-se. Certo que a dúvida em relação aos sentimentos do protagonista é verossímil, pois ele foi pego no flagra traindo a namorada. Mas perdura a insistência numa dramaticidade inexistente e, mesmo com Bruno Mazzeo e Fernanda Paes Leme com interpretações seguras, a química entre eles é comprometida com o ‘lenga lenga’.

A inclusão de uma mal explorada trama paralela, na qual Bruno precisa apresentar um anúncio publicitário sobre acidentes de trânsito, é outra mostra do vácuo criativo do roteiro. Não há sutileza na tentativa de estabelecer comicidade e o humor físico soa forçado e deslocado. O humorista Bruno Mazzeo é um ator e roteirista inteligente e o sucesso da série Cilada é merecido. Torço para que o tropeço em Cilada.com sirva de lição, e que, tanto os próximos filmes com ele (roterizando ou como ator) ou outros do gênero, sejam inteligentes e criativos, pois um filme bom é levado a sério mesmo quando é despretensioso.
 



Cilada.com – 95 min
Brasil – 2011
Direção: José Alvarenga Jr.
Roteiro: Bruno Mazzeo, Rosana Ferrão (com colaboração de Marcelo Saback e José Alvarenga Jr.)
Elenco: Bruno Mazzeo, Fernanda Paes Leme, Carol Castro, Sergio Loroza, Augusto Madeira, Fabiula Nascimento, Fulvio Stefanini, Thelmo Fernandes
Participações Especiais: Marcos Caruso, Luis Miranda, Alexandre Nero, Karla Karenina, Dani Calabresa, Ana Paula Bouzas, Rita Elmôr, Milhem Cortaz, Maíra Charken, Miá Mello, Rafaela Amado, Débora Lamm, Letícia Isnard, Aninha Lima, Aramis Trindade, Eliene Narducci, Fernando Caruso, Leandro da Matta

Estreia: 08 de julho.

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  1. Ah...agora sim!
    Abriu aqui no Firefox!
    Se tiver o mesmo teor de Qualquer Gato Vira Lata, é certeza de muitas risadas!!!

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  2. Filme bastante divertido porém deixou um pouco a desejar na parte final, não vou me aprofundar para não tirar o mel da boca das crianças mas recomendo o filme para ser visto em família é uma comédia com uma boa sacada porém muitas piadas repetidas e até mesmo copiadas de outros programas de tv.

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  3. Bem, permito-me discordar do comentário do Sr. Bruno Mendes,
    Tive a oportunidade de assistir ao filme no dia 23.07.2011, e apesar de realmente ser uma história simples, as interpretações são primorosas...com destaque para Bruno Mazzeo e Fernanda Paes Leme.
    A história pode até ser inverossímel (parcialmente), mas podemos identificar em cada situação ou personagem algo ou alguém que já nos deparamos pela vida...e essa á a grande graça do filme...a identificação com seus personagens.
    Em relação às histórias paralelas...discordo que elas não tenham ligação com a história principal...ou na vida real só realizamos um papel de cada vez??
    O pai de Santo picareta, o colega sacana, o chefe ridículo e o melhor amigo que somente te mete em enrascada...quem nunca na vida já passou ou presenciou essas figuras???
    Aliado a isso, temos uma regravação primorosa da música tema do Lobão... que incrivelmente nos faz emocionar em um filme de comédia.
    Finalmente e não menos importante...entendo que um filme tem a finalidade de agradar e entreter ao público que vai assisti-lo...e isso esse filme fez com primazia...portanto recomendo: vá e divirta-se.
    Bom filme a todos !!!

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  4. so sei q se arrependimento matasse, axo q eu estaria em estado de decomposiçao. que filminho sem nexo e sem graça

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  5. Quem disse que para ser engraçado precisa ter nexo! isto é cinema e dos melhores. Se fosse obrigado a ter nexo, seria documentário. Eu me diverti como há muito tempo não fazia! Foi muito divertido! Eu ri durante todo o filme e ainda tive acessos de riso dirigindo para casa!

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  6. Foi o filme que menos gostei de assistir este ano

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  7. filme machista, piadas manjadas, roteiro pobre...
    Melhor ver o filme do Pelé

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