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Muitas obras foram produzidas sobre a ditadura Franco, que governou a Espanha entre 1939 e 1976. Uma das mais contundentes é Balada do Amor e do Ódio, de Alex de la Iglesia, vencedor do Leão de Prata de melhor diretor no Festival de Veneza 2010 e um dos destaques do Festival do Filme Fantástico do Rio de Janeiro RIOFAN 2011; o longa estreia comercialmente em 29 de julho.

O ano é 1937 e um pequeno circo na periferia de Madri apresenta números de palhaços, quando o espetáculo é interrompido por soldados que obrigam a trupe a juntar-se a eles. Uma breve e sangrenta batalha e o grupo é massacrado. Um palhaço é preso, e seu filho, Javier (Jorge Clemente), um tímido menino de dez anos, fica sem família e jura vingar-se.

Um salto à frente e estamos em 1973. A Espanha convive da melhor forma possível com a brutal ditadura franquista. Javier (Carlos Areces) prepara-se para estrear no circo, representando um palhaço, só que desta vez triste. Tímido e solitário, Javier apaixona-se pela acrobata Natália (Carolina Bang), mulher da principal atração do circo, Sérgio (Antonio de la Torre), que afirma que “se não fosse um palhaço, seria um assassino”.

A partir daí, a bela Natália vai dividir-se entre a paixão violenta de Sérgio e o amor complacente de Javier, numa clara alusão à própria Espanha, dividida entre os fascistas e os republicanos. A narrativa evolui para uma série de eventos cada vez mais extremos, tendo a história espanhola como pano de fundo, até um desfecho surpreendente.

Frequentemente comparado ao americano Quentin Tarantino (de Pulp Fiction e Bastardos Inglórios) e ao mexicano Guillermo del Toro (de Cronos e O Labirinto do Fauno), de la Iglesia compartilha com o primeiro a estilização e com o segundo a temática fantástica. Mas, enquanto Tarantino privilegia a linguagem pop, de la Iglesia tende para o barroco; enquanto del Toro usa os efeitos especiais como parte da narrativa, o espanhol pesa a mão nas sequências espetaculares.

A comparação da ditadura com o circo, a violência exacerbada, os efeitos visuais,  tudo cabe nessa obra alegórica. O problema é que aparentemente o diretor opta por romper todos os limites, chegando às raias do grotesco, o que pode causar fascínio em alguns e repulsa em outros. Contendo elementos de drama histórico, melodrama, terror, graphic novel, comédia, Balada do Amor e do Ódio é um filme difícil de classificar o que não é necessariamente negativo, mas talvez exija um certo distanciamento para que os delírios do diretor possam ser digeridos. 



Balada do Amor e do Ódio (Balada Triste de Trompeta) – 107 min
Espanha, França – 2010

Direção e Roteiro: Alex de la Iglesia
Elenco: Carlos Areces, Antonio de la Torre, Carolina Bang,  Manuel Tallafé, Enrique Villen, Santiago Segura, Jorge Clemente

Estreia: 12 de agosto.

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  1. Um filme que recomendo, pela arte, pelos diálogos ágeis e muitas surpresas.Vi sua pré estréia no RioFun 2011 e na minha opinião o melhor filme!

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