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O que é melhor, ser mais um na multidão ou ser único? Aceitar a vida como ela é ou tentar transformá-la com as armas de que se dispõe? Ser fiel à sua história ou viver o presente? Estes são alguns dos temas da comédia Os Nomes do Amor (Les Noms des Gens) de Michel Leclerc, que faz parte da programação do Festival Varilux de Cinema Francês.

Filha de uma ex-hippie e de um imigrante argelino, Bahia Benmahmoud (Sara Forestier) aplica ao pé da letra a máxima dos anos 60: “Faça amor, não faça guerra”. Assim, ela se relaciona com homens que ela considera fascistas para mudar a visão política deles. Ela é bem-sucedida na sua missão até conhecer Arthur Martin (Jacques Gamblin), um quarentão aparentemente conservador e impossível de ser convertido.

O que Bahia (que vive sendo confundida com brasileira por causa do nome) não sabe é que Arthur (que tem o nome de uma conhecida marca de eletrodomésticos) originalmente tinha outro sobrenome, relacionado com sua verdadeira origem. Uma parte do sentido, portanto, se perde com a adaptação do título, originalmente Os Nomes das Pessoas, o que expressa o que o filme aborda: a identidade, uma questão nevrálgica não só na França mas em toda Europa.

Uma das virtudes do filme é tratar assuntos espinhosos como dominação política, colonialismo e tensões étnicas de uma maneira leve e divertida, valendo-se inclusive da graça e do carisma da protagonista (que ganhou o César 2011 de melhor atriz). Em alguns momentos, porém, os roteiristas erram a mão e criam situações totalmente inverossímeis e exageradas, como quando Bahia esquece de se vestir e anda pelas ruas e até pega o metrô completamente nua.

Por outro lado, a compreensível mudança de tom ao tratar de questões extremamente sérias como o genocídios de judeus na Segunda Guerra Mundial causa um certo desequilíbrio. Além disso, para o espectador brasileiro, talvez a falta de intimidade com as especificidades da política francesa atrapalhe a compreensão de certas piadas, incluindo a participação do candidato socialista à presidência da República Lionel Jospin como ele mesmo.

Presença rarefeita nas telas tupiniquins há um bom tempo, o cinema francês tenta reconquistar seu prestígio através de diversas iniciativas, como o Festival Varilux, que traz uma dezena de produções recentes inéditas, de gêneros variados e até realizadores e atores a 22 cidades de 17 estados brasileiros. Se depender de Os Nomes do Amor, novos espectadores deverão ser conquistados.




Os Nomes do Amor (Les Noms des Gens) – 104 min
França – 2010
Direção: Michel Leclerc
Roteiro: Baya Kasmi, Michel Leclerc
Elenco: Jacques Gamblin,  Sara Forestier,  Zinedine Soualem,  Carole Franck, Jacques Boudet - Lucien Martin, Michelle Moretti, Julia Vaidis-Bogard, Adrien Stoclet, Camille Gigot, Laura Genovino, Rose Marit

Em cartaz (08 a 16 de junho) no Festival Varilux de Cinema Francês
Estreia: 06 de outubro (Festival do Rio 2011)

Estreia: 02 de dezembro (circuito)

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  1. Esse filme é, simplesmente, fantástico!!! Uma das melhores comédias que já vi. Hollywood precisa aprender muito com o humor europeu!

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  2. Eu achei fantástico! E não acho que os roteiristas erraram nas cenas em que ela sai nua e pega o metrô... penso que foi a forma de identificarmos na protagonista o que ela era na verdade: essência, e não aparencia. O fato dela esquecer de se vestir mostra o não-apego às convenções (no inconsciente?) mesmo que ela tenha voltado a si quando o Arthur a salva... a naturalidade em lidar com questões do corpo (sem tabus), o não-apego às regras e condutas ditas como corretas, talvez tenha desencadeado na personagem o ato de sair nua nas ruas, sem se dar conta.

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  3. Só vi um pedaço do filme e parei. É muito, mas muito ruim. É uma ofensa a qualquer pessoa inteligente. Numa palavra: péssimo.

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  4. Você se considera inteligente, Suzana? hahahahaha.

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  5. Muito bom o filme.
    Também entendo que a adaptação do nome ficou bem ruim. A tradução literal ficaria bem melhor, ou mesmo "Amor aos nomes".
    Quanto a cena de Bahia saindo nua, não achei exagero. Penso como a Fabiane Secomandi (acima) e acho que isso (esquecer de vestir-se e sair nu) pode realmente acontecer.
    Eu não esperava nunca, ver os pais de Arthur sendo recepcionados pelo casal, no entanto, foi uma ótima ideia. Coitada da Bahia, esforçou-se em agradar...

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  6. Filme lindo, para pessoas INTELIGENTES! ;) Ameeeei, amamos!!!

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  7. Para alguns, INTELIGENTE deve ser comentar um filme sem vê-lo.
    O filme é maravilhoso!

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