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No documentário Família Braz (2000), os diretores Arthur Fontes  e  Dorrit Harazim filmaram aspectos da rotina de uma família de classe baixa que mora no bairro Brasilândia, em São Paulo. Dez anos depois, a narrativa é retomada em Família Braz – Dois Tempos, um eficiente retrato documental do progresso social e econômico deste grupo composto por seis pessoas. Mais que isso, o documentário – vencedor do Prêmio de Melhor Filme no Festival É Tudo Verdade 2011 – ilustra, com a exposição deste microcosmo específico (a família), a evolução da classe C no país em tempos de ‘boom econômico’. A família do seu Antônio, por outro lado, distingue-se de grande parte dos novos emergentes por um item crucial: a valorização da educação.

Claramente é estabelecido, no filme de Arthur Fontes e Dorrit Harazim, que a aquisição de conhecimento entre os filhos dos Braz é a principal escada para o upgrade econômico de cada um. E a educação transmitida pelos pais os livrou de quaisquer influências negativas, tão presentes em periferias brasileiras. Nenhum deles tem qualquer envolvimento com a criminalidade. Tal retrato positivo de uma fatia da população, vulgarmente tratada como ‘massa’ pelo senso comum, é um dos principais méritos do longa. 

Antônio é um bombeiro hidráulico com auto-estima invejável. Considera-se capacitado e diz ser “profissional competente’’, numa ‘tomada’ no terraço de sua humilde casa, espaço que considera o mais agradável, pelo ‘ar puro’. Maria tinha medo de São Paulo há dez anos, mas hoje considera a selva de pedras uma terra de oportunidades. Anderson é o filho mais velho, o ‘intelectual da família’, admirador de Freud. Denise, a mais extrovertida e, da mesma forma, bem sucedida profissionalmente. Eder e Gisele são mais introvertidos, no entanto, com ambições profissionais e o interesse por conhecimento similar aos dos demais.


Sóbrio e sem arrojos técnicos, Família Braz – Dois Tempos, atende a proposta simples da abordagem em torno de um reencontro com um grupo de pessoas. Antes e Depois. Há certo clichê quando cenas do passado são exibidas em preto e branco; falta alguma sutileza em sugerir o contraponto entre as duas épocas, de fato. Os méritos, porém, sobressaem-se a certos lugares-comuns.

Anderson, em determinada passagem, diz que a imprensa é a “solução e o algoz da periferia”, pois da mesma forma que fiscaliza e denuncia abusos policiais ou preconceitos com os mais pobres, ajuda na manutenção do estereótipo em torno da idéia ‘periferia’. A polícia não é confiável, maus policiais maculam a imagem da corporação e a população é reticente aos fardados. A Família Braz prova que caráter e dignidade superam quaisquer componentes externos. Após assistir a este documentário, torço ainda mais pelos brasileiros honestos, trabalhadores e que se aproveitam de ascensão econômica para ascenderem culturalmente.



Família Braz: Dois Tempos – 80 min
Brasil – 2011
Direção: Dorrit Harazim, Arthur Fontes
Narração: Dorrit Harazim

Estreia: 10 de junho.

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  1. O importante é dizer pra essa gente que isso acionteceu por interesse e vontade deles, não por empenho de governos (hahhaha parece até piada)populistas que vivem da miséria e do ódio racial ampliado por falas e discursos vigaristas!

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