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Na reflexão sobre os méritos de Carros 2, a qualidade da estampa visual é a primeira coisa que vem à mente. Há de se constatar que elogiar este quesito nas produções da Pixar é algo redundante. A concepção gráfica das animações atingiu um patamar ainda não alcançado por outras produtoras. Filmes como Os Incríveis, Up e Toy Story são algumas das provas do grau de excelência alcançado pela produtora ao longo do tempo. Mas, se nos exemplos citados anteriormente, e em Carros (2001), conteúdo e visual mantiveram o mesmo nível, esta continuação deixa a desejar no desenvolvimento da trama devido ao enredo confuso  e personagens desinteressantes. 

Nesta sequência, o astro das pistas Relâmpago McQueen está de volta à ação e vai disputar corridas em vários países. O forte rival de Rêlampago é o Italiano Francesco, um carro de Fórmula 1 prepotente e debochado, que confere uma óbvia alusão à escuderia Ferrari. Mas o grande destaque do longa é Mate, amigo e assistente de prova do protagonista, um guincho velho com sotaque caipira, atrapalhado e um tanto quanto inconveniente, que por engano é envolvido em uma intriga internacional  durante uma das etapas do campeonato. Inicialmente presa às disputas automobilísticas, o enredo logo altera o foco para uma trama de espionagem com várias cenas de perseguição, explosões e fugas

As cenas iniciais que ocorrem no mar e em um navio, para mencionar novamente o esplendor criativo da Pixar, são belíssimas. A perseguição pelos corredores da embarcação com cenários explodindo ao fundo estabelecem devida tensão ao momento. Há uma ambientação adulta, que confere um ar Velozes e Furiosos ou Missão Impossível e impressiona o espectador em poucos minutos de ação. É uma pena que o enredo não faz jus à dinâmica visual, pois o roteiro jamais configura uma relação coesa entre os dois acontecimentos. Aquele em que McQueen precisa vencer Francesco, e a guinada rumo ao universo da espionagem, no qual o inocente Mate vê-se envolvido. Precisando optar por um caminho, o roteiro, por um bom tempo, ignora justamente o protagonista McQueen para concentrar-se na ação explosiva. O destaque, como fora mencionado, é o Guincho.



Este novo “protagonista”, apesar de alguns lampejos graciosos que deixam transparecer inocência e pureza – como na forma carinhosa como trata o amigo, ou no momento em que se atrapalha em um moderno banheiro japonês –, o que funciona na proposta infantil da animação, jamais surpreende o público, pois são raras as tiradas inspiradas e suas ações tornam-se previsíveis com o tempo. Além disso, o sotaque caipira extremamente artificial em sua articulação minimiza o tom humorístico, apesar de existir uma tentativa que ele seja exposto. Em vão. Os demais personagens são secundarizados na narrativa, inclusive Relâmpago, concebido de forma superficial como um velocista garboso que encara todos os desafios. 

Manter o grau de excelência elevado em todos os filmes é improvável, pois há um momento no qual a melhor produtora ou a mais sábia das equipes criativas tropeçam. Com Carros 2 a Pixar derrapou em uma pista tortuosa e confusa, que teve o roteiro como principal obstáculo.


 
Carros 2 (Cars 2) –  113 min
EUA – 2011
Direção: John Lasseter, Brad Lewis
Roteiro: Ben Queen
Dublagem em Português: Emerson Fittipaldi, Luciano do Valle, José Trajano, Claudia Leitte

Estreia: 23 de junho.

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  1. Assistí ao filme.

    O original, quando assistí junto às minhas filhas, foi um primor... eu me ví torcendo pelo Relâmpago e acompanhei a sua transformação de um carro, que apesar do bom coração, tinha o tema competição como norte em sua vida. Transforma-se em um carro que aprende a valorizar aquilo que era mais importante, a honestidade a honradez a amizade e até mesmo o amor, tornando-se quase que uma lição de vida.

    Este Segundo filme, não animou nem a mim ou minhas filhas...claro, um pouco mais crescidas. Vimos os efeitos primorosos da pixar, algumas tiradas cômicas (todas do Matter) mas não conseguí enxergar qual a mensagem, aquela que toca na alma, aquilo que diferencia uma obra prima de um produto de entretenimento.

    Não estaríamos pedindo muito, afinal, a pixar nos deu Formiguinhas, Os incríveis, Toy History, Walle, Procurando Nemo....Carros....

    Claro que nós ficamos felizes em rever tão queridos personagens, contudo acredito que tanto a Disneypixar quanto Jonh Lasseter, poderiam ter tido um pouco mais de sensibilidade e nos contar outra estória. Sabe, igual àquelas que mexem com nossos pensamentos de uma forma tão sutil, que a única forma de expressar tal sentimento seria com aquela solitária lágrima.

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  2. eu achei o filme super 10
    eh uma historia envolvente q vc qer saber o fim
    adorei

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  3. Diferente do primeiro, esse não passa mensagem produtiva nenhuma, pelo contrário, deixou de ser um filme infantil e passou a ser mais um filme de ação com mensagens capitalistas a seus concorrentes e antigos inimigos. Estes são mostrados como na imagem do espião alemão, dos tempos da 2 guerra. E sobrou até pro Brasil. A trama gira em torno dos interesses de quem domina os combustíveis no mundo, e o filme defende a continuação da gasolina e tenta fazer uma lavagem cerebral para as pessoas não usarem o biocombustivel chamado de allinol. Maiores coincidências com o etanol brasileiro impossível. O filme deixou o entretenimento em segundo plano para fazer propaganda ao seu produto, típica jogada capitalista de muito mau gosto.

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