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Você acredita em destino? Em algum ponto de sua vida você já se perguntou se sua história é como um roteiro de cinema, já finalizado, ou se as páginas estão em branco e são preenchidas de acordo com suas decisões? E o livre arbítrio, realmente existe? Estes são os questionamentos que Os Agentes do Destino propõe ao espectador. Nesta trama de romance, aventura e ficção científica, o destino assume forma física, metaforicamente representado por agentes (anjos?), que são comandados pela figura do "Chairman" – em tradução literal, o presidente (Deus?) , que escreve seus planos (destino?) para cada pessoa da face da Terra.

Baseado em conto do escritor norte-americano Philip K. Dick, responsável por intrigantes histórias de ficção científica que geraram filmes como Blade Runner (1982), Minority Report (2002) e O Homem Duplo (2006), a  estreia do roteirista George Nolfi (de O Ultimato Bourne) como diretor aborda um tema que há tempos habita o imaginário popular. Coincidência ou destino? Desde fatos corriqueiros, como cair a internet, esquecer a chave e derramar café na blusa, até acontecimentos importantes, como encontrar alguém que não se vê há anos, podem ser simplesmente fruto do acaso ou a ação dos agentes do destino. Quem sabe?

David Norris (Matt Damon, de Bravura Indômita e Além da Vida) é um popular e jovem político, com um passado conturbado, que se candidata ao senado dos EUA, por Nova York. Líder nas pesquisas, David se mete em mais uma confusão faltando pouco tempo para a eleição e isto pode fazê-lo perder a disputa. Momentos antes do resultado, conhece Elise (Emily Blunt, de As Viagens de Gulliver e Trabalho Sujo), que promove uma mudança e um novo direcionamento à sua vida – a moça, inclusive, inspira um discurso corajoso e verdadeiro, que despe as jogadas de marketing envoltas em uma campanha política. Quem dera os políticos realmente fizessem isso...



Além de interessantes questionamentos sobre livre arbítrio e destino, o conflito da obra alterna entre o desejo do amor e a aparente impossibilidade de David e Elise ficarem juntos, já que os agentes do destino têm a tarefa de guiá-los, mesmo que à força, para caminhos diferentes, a fim de cumprirem os "papéis"  destinados a eles neste grande palco chamado vida. O desenvolvimento da história por vezes lembra Efeito Borboleta, com a incansável luta do protagonista para alterar o destino, e, em alguns momentos, A Origem, mas, apesar de competente, não tem a empolgante pirotecnia da obra de Christopher Nolan nem a catártica angústia do melhor filme de Ashton Kutcher.

Nossas escolhas diárias, mesmo as consideradas sem importância, e o famoso "what if" (e se...) levam a finais alternativos para filmes como Efeito Borboleta e dão o ponto de partida à teoria dos universos paralelos, segundo a qual em outras dimensões os "what if's" realmente são vividos por pessoas que poderiam ser a representação de nosso "eu". E se você escolhesse seguir a carreira de músico, em vez de ir para a faculdade de direito, como seus pais quiseram? E se você dobrasse a esquina segundos depois do momento em que reencontraria um amigo de infância? E se você viajasse nas férias para a Bahia, em vez de São Paulo?

E se David nunca conhecesse Elise? A trama se desenvolve de forma interessante e bem articulada, com atuações competentes da dupla protagonista e dos coadjuvantes, mas a direção um tanto quanto burocrática desanda o conflito, quase atingindo a monotonia a partir da metade do segundo ato. Já o ótimo clímax investe em cenas de ação, que mesmo sem ter muito fôlego, dão uma necessária guinada na parte final do longa. Com potencial estético e narrativo para marcar época, a adaptação Os Agentes do Destino esbarra na inexperiência de George Nolfi como diretor e acaba sendo mais interessante pelo que faz pensar, do que pelo filme em si.




Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau) – 106 min
EUA – 2011
Direção: George Nolfi
Roteiro: George Nolfi – Baseado no conto Adjustment Team, de Philip K. Dick
Elenco: Matt Damon, Emily Blunt, Kar, Michael Kelly, Anthony Mackie, Gregory Lay, John Slattery, David Bishins, Terence Stamp

Estreia: 13 de maio.


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