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Enredo inteligente, estética dos anos 70 e ótimo elenco fazem de O poder e a Lei (The Lincoln Driver) um dos melhores thrillers dos últimos tempos e, sem dúvida, a melhor atuação de Matthew McCounaughey em toda sua carreira.  Baseado no romance de sucesso de Michael Connely, com mesmo título, o filme mostra os meandros do sistema jurídico norte-americano numa Los Angeles desglamourizada e perversa.

O clima se anuncia na abertura, com a canção Ain’t no love in the heart of the city (Não há amor no coração da cidade), interpretada pela Bobby “Blue” Band. O ritmo é incorporado pelo personagem principal, Mick Haller (McConaughey), um advogado de ética um tanto duvidosa, que tem como escritório o banco traseiro de um automóvel (o tal Lincoln do título original), com motorista, e ganha um trocado aqui e ali, defendendo qualquer tipo de criminoso, mas atuando de acordo com sua conveniência.

Quando um caso envolvendo um playboy corretor de imóveis Louis Roulet (Ryan Phillipe), acusado de agredir e estuprar uma prostituta, cai em suas mãos, ele acredita que tirou a sorte grande. Pouco a pouco,  porém, percebe que foi envolvido num esquema sórdido que o fez cometer um grave erro num caso anterior e que não só sua credibilidade, mas sua própria vida está em perigo. Enquanto luta para salvar sua carreira e consertar o passado, ele tem que manter o sangue frio e fazer o jogo do inimigo.

Se Matthew McConaughey brilha, o restante do elenco não fica atrás. Marisa Tomei dá densidade à defensora pública Maggie McPherson, ex-mulher de Haller, com quem tem uma filha pequena; William H. Macy está perfeito como o investigador que opera nas sombras da lei; Ryan Phillipe não compromete como o riquinho cínico; e Michael Peña faz um convincente preso, Jesus Martinez, um papel pequeno, mas fundamental; só para citar alguns, já que todos os atores contribuem de forma positiva para o sucesso do filme.

Trilha sonora, montagem, edição, tudo colabora para dar a O Poder e a Lei um ritmo ágil e instigante.  Como um toque extra, um certo verniz noir e uma competente releitura da estética dos anos 70, emprestando um ar de novidade a um gênero repleto de boas produções.



O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer) – 118 min
EUA – 2011

Direção: Brad Furman
Roteiro: John Romano – Baseado no romance de Michael Connelly
Elenco: Matthew McConaughey, Marisa Tomei, Ryan Phillipe, William H. Macy, John Leguizamo, Michael Peña, Lawrence Mason

Estreia: 27 de maio

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  1. Excelente filme, superou minhas espectativas. Uma mistura muito bem elaborada de filme policial e suspence que prende a atenção do espectador.
    É difícil não simpatizar com o personagem de Matthew McConaughey ,uma vez que ele tem exatamente o perfil cultural do homem brasileiro:trabalhador, pai de família, apaixonado pelos filhos, com um quê de sem vergonha e, infelizmente, com pequenos desvios de caráter tendenciais à picaretagem.
    O personagem de Ryan Phillippe é perfeito pois consegue tirar o advogado egocêntrico de sua zona de conforto colocando sua inteligencia e perspicácia em cheque.
    A trama se desenrola perfeitamente, sem grandes furos que mereçam ser relatados e com reviravoltas muito interessantes.
    Os juristas que assistirem vão amar ou odiar pois esse, como todo filme americano que fala de direito, foge um pouco dos padrões do direito brasileiro, mas nada absurdo que comprometa a diversão. Ao final a sensação que se tem é a de não ter sentido o tempo passar.
    Um filme de qualidade que a algum tempo não se vê nesse gênero, indico sem medo de errar.

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