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Filmes como O Massacre da Serra Elétrica (1974) e Haloween (1978) marcaram o princípio de sucesso dos Slasher Movies, este sub-gênero do terror, no qual assassinos mascarados matam várias pessoas e o derramamento de sangue é regra. Após Jason's, e Freddy Krueger's nos anos 80, a segunda metade da década de 1990 acompanhou o surgimento da franquia Pânico (1996). Em ritmo mais frenético – bem adequado à geração MTV – os filmes investiam menos no suspense psicológico e mais nos detalhes sórdidos das mortes violentas e nos sustos decorrentes do aumento abrupto da trilha sonora no momento em que aparecia o mascarado

A fórmula se repetira à exaustão e o público, consequentemente, cansou. Eis que 15 anos depois o assassino mascarado volta a atormentar a vida da agora trintona Sidney (Neve Campbell) e, é claro, de estudantes moderninhos, em Pânico 4. Dirigido pelo criador da série, Wes Craven, Pânico 4 é um caso inusitado. Afinal, eis o exemplo de um filme de terror que não assusta e, no entanto, surge como um dos melhores da franquia. É mínima a preocupação em envolver o espectador em uma aura de suspense agonizante e sério, todavia com generosas doses de piadas auto-referentes, e a enxurrada de escárnio (e homenagem, por que não?) a produções do gênero, a obra traz discussões divertidíssimas e bem elaboradas sobre o uso das convenções em clássicos ‘slasher's’.  



Os diálogos afiados dos personagens em torno de questões referentes a ‘mortes em filmes de terror’ deixam clara a opção (correta ) do roteiro e direção pelo tom metalinguístico e paródico da obra. Mas não se enganem, Pânico 4 não adere à ‘pastelonice’ de paródias assumidas como Todo Mundo em Pânico; apesar do leve teor de suspense, a tensão é sustentada e as mortes são pra valer. Vai lá, com alguns sustinhos. Os personagens, são interessantíssimos – ao contrário da maioria dos filmes de terror, que de forma geral possuem figuras unidimensionais chatíssimas; tenho a impressão de que é proposital para que torçamos que sejam eliminados logo, da forma mais truculenta possível. 

Enfim, há muito que se elogiar em Pânico 4. O principal pecado de filmes como Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado e Lenda Urbana é fazer o uso de todas as convenções e levar isso a sério, tentar introduzir medo à uma plateia ‘acostumada’ aos truques de produções do tipo. E a maior virtude do filme de Craven é assumir-se enquanto produto de diversão, e como obra, de certa forma, dependente de certos clichês. Sim, um bom filme funciona ao explorar – e fazer chacota – de suas próprias convenções. Pânico 4 é piadista, vibrante e merece respaldo.


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Pânico 4 (Scr4am) – 111 min
EUA – 2011
Direção: Wes Craven
Roteiro: Kevin Williamson
Elenco: Neve Campbell, David Arquette, Courteney Cox, Hayden Panettiere, Emma Roberts, Adam Brody
 
Estreia Mundial: 15 de abril

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  1. Gostei muito do filme, e nem gosto de filmes de terror, e não considero esse filme como terror. Nunca tinha visto nenhum da franquia, mas agora vou ver.

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