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Max Kohn (Otto Tausig) é um aclamado escritor, já na avançada idade de 80 anos. Sua idade, e uma certa fixação por cirurgias de próstata e romances repentinos, parecem definí-lo por completo. Ele é um conquistador, e as mulheres vêm até ele, de todas as idades, misteriosamente interessadas. Max é um cronista das pessoas ordinárias, e em seus contos revela personagens tão comuns a ponto de se tornarem grotescos.

O Amor Chega Tarde narra uma complicada viagem de trem para uma palestra. A história começa mostrando a aparente fragilidade do escritor, que recebe o carinho e o cuidado de sua Reisel (Rhea Perlman), com quem mantém uma relação afetiva instável. Ela tem ciúmes e a consciência de que o frágil Max pode ser muito mais do que isso. Ele, por sua vez, já não carrega ilusões a respeito de nada, e se dispõe a encontros amorosos por onde passe, seja com a jovem fã em um café, ou com a antiga aluna da faculdade, ou ainda com a camareira do hotel ou a vizinha do quarto ao lado. Reais ou imaginários, seus romances casuais são o fio condutor da história.

Por mais que ele se aventure, sempre busca a segurança de Reisel, que lhe oferece mais do que carinho. Ela é seu porto seguro, e para onde Max correrá e será abrigado quando tiver problemas.
Pode-se considerar o filme intrigante, à medida que acontecimentos reais da vida do escritor e os meandros da sua imaginação são misturados. É como se estivéssemos na mente dele, vendo com clareza suas histórias sendo formadas enquanto escreve ou revisa os textos. Como espectador, meu interesse ficou preso às andanças de Max e a relação das histórias com a vida. Para tal, ele mistura acontecimentos e personagens, até o ponto em que talvez ele mesmo se confunda.



O Amor Chega Tarde (Love Comes Lately) – 86 min
Alemanha, Áustria, EUA2007
Direção: Jan Schütte
Roteiro: Jan Schütte – Baseado em conto de Isaak Bashevis Singer
Elenco: Rhea Perlman, Otto Tausig, John C. Vennema, Olivia Thirlby, Bunny Levine, Brad Lee Wind, Caroline Aaron

Estreia: 22 de abril.

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  1. Este filme passou em uma das últimas (ou mesmo na última) mostra (ou festival) internacional de cinema do Rio de Janeiro. Põe em evidência algo que as pessoas costumam esquecer: na velhice, o corpo padece, mas o desejo (sexual e de viver) mantém-se e com ele o olhar humano, curioso e divertido, sobre todos os aspectos da vida. Quando envelhecemos perdemos força e mobilidade mas, se nos mantemos intelectualmente ativos, os muitos interesses da vida estimulam a existência, e a vida não perde o sentido, o seu único, aliás, que é viver para experimentar, e através das experiências, viver mais refinadamente.

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