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Os ‘filmes de temporada’ – sejam estes animações ou não – têm em comum a ambição de conquistar plateias grandes e heterogêneas com o uso de tramas simples, singelas, sem quaisquer pretensões intelectuais, ou algo parecido. Filmes felizes, descompromissados, ok. Alguns funcionam, outros não. Hop – Rebelde Sem Páscoa, do diretor de Alvin e os Esquilos, é o filme do período no qual as pessoas saboreiam ovos de chocolates. Apesar de preso às fórmulas do ‘entretenimento-para-toda-a-família’, a fantasia que une personagens animados e seres-humanos diverte, pois conta com um protagonista simpático e algumas boas sacadas na historinha simples.

Na ilha de Páscoa, situada no Chile, existe uma fábrica de chocolate onde coelhos comandam ‘pintinhos’ no preparo de saborosas guloseimas relacionadas ao período. É tradição que a nobre função de ‘coelho da páscoa’ – o peludo encarregado de entregar o ovo a todas as crianças do mundo em um dia – seja passada de pai para filho, no entanto Júnior sonha em ser baterista e foge para Hollywood atrás do seu sonho. Na jornada conhece Fred, um jovem adulto recriminado pela família por não conseguir um emprego. Ambos embarcam em uma série de aventuras e tornam-se companheiros por necessidade e afinidade.

Assumidamente e escancaradamente infantil, a animação não ousa abordagens politicamente incorretas, mas funciona bem. Júnior, ao contrário, por exemplo, do chatíssimo e choroso Stuart Little, esbanja bom humor em sequências nas quais finge ser um boneco de ventríloquo, ou um coelhinho de pilha, com o propósito de esconder dos ‘humanos’ o fato de que é um ‘coelho falante’. Os outros personagens animados têm correta funcionalidade na trama, como as espertas e ágeis (uma delas não é tão esperta assim, essa é a melhor) ‘boinas rosas’, um trio de coelhinhas encarregadas de trazer o coelho fugitivo de volta à ilha de Páscoa. É imediata a relação destas personagens às Panteras ou às Garotas Super Poderosas, e é claro que a direção não poderia deixar de ilustrá-las, em determinada cena, distribuindo golpes coreografados em slow-motion, chavão habitual a todos gêneros, mas nada mal, aqui nada mal.



Com menos destaque, mas não menos importante, o ‘pintinho chefe’ surge como o ‘vilão da história’, pois ambiciona a liderança na fábrica de chocolates. O pássaro possui um sotaque portenho aliado a uma presença ameaçadora, que funcionam brilhantemente. É importante constatar que a dublagem brasileira deste, e dos demais personagens, é digna de aplausos por conseguir imprimir aos seres animados o timing cômico e dramático preciso. 

Os seres humanos, por outro lado, são secundarizados em relação aos bichanos. A família com cara de propaganda de margarina com ‘filhos perfeitos’, e a ovelha negra, pouco espaço têm para relacionar-se com o universo mágico. Além de Fred, o coelho Júnior mantém um contato frio com outros, o que de certa forma minimiza o potencial cômico da obra. Há a relação do coelho com o instrumento no qual tem habilidades inquestionáveis, a bateria, e com alguns músicos, e a disputa por uma apresentação em um show de talentos – as sequências em que Júnior toca bateria são divertidíssimas e graficamente impecáveis – mas seria melhor se a química entre ficção x realidade fosse ratificada com mais importância.

Como produto de diversão, apesar de deslizes e convencionalismos, Hop – Rebelde Sem Páscoa cumpre o seu dever. Em datas comemorativas a demanda é por obras leves e engraçadas. Obviamente é inaceitável, apesar da despretensão, que um filme ofenda a inteligência do espectador. Esta obra não comete esse pecado. Vale assistir. E outra coisa, se você, em algum momento da sua vida, encontrar as ‘boinas rosas’, fuja! Fica a dica. P.S.: Há uma pequena cena após os créditos!



Hop: Rebelde Sem Páscoa (Hop) – 95 min
EUA – 2011
Direção: Tim Hill
Roteiro: Cinco Paul, Ken Daurio, Brian Lynch
Elenco: James Marsden, Russell Brand, Kaley Cuoco, Hank Azaria, Gary Cole, Elizabeth Perkins

Estreia: 21 de abril.

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