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Entre Nós

Crítica - A Garota da Capa Vermelha

13 de abril de 2011


Novas roupagens para clássicos da literatura já se tornaram recorrentes no cinema e a bola da vez é Chapeuzinho Vermelho. A fábula escrita no século XVII pelo francês Charles Perrault, que  tinha como intuito alertar crianças e jovens sobre perigos e enganos, foi parodiada de forma bem humorada pela ótima animação Deu a Louca na Chapeuzinho (2005) e agora  ganha uma versão  moderna e dark pelas mãos do roteirista David Leslie Johnson (de A Órfã) e da diretora Catherine Hardwicke (de Aos Treze, mas mais conhecida pelo primeiro filme da franquia Crepúsculo). A Garota da Capa Vermelha apresenta uma atmosfera de mistério, envolta por uma trama sombria, que valoriza o suspense.

A principal alteração em relação à obra original é a mudança do antagonista, já que agora ele é um lobisomem (alguém lembrou de Crepúsculo?). Vampiros à parte, outra semelhança com a saga de Bella, Edward e Jacob é que Valerie (Amanda Seyfried, de Querido John e Cartas para Julieta), a Chapeuzinho, também se divide entre o amor de dois homens: Peter (Shiloh Fernandez), por quem é apaixonada, e Henry (Max Irons), com quem sua família arranja um casamento. Moradores de Daggerhorn, um povoado à beira de uma imponente floresta, os jovens convivem com a tensão da trégua com o lobisomem, que não ataca o vilarejo em troca de sacrifícios de animais.

Mas, após uma noite de lua cheia, os moradores descobrem o corpo de uma vítima do lobisomem. A trégua está quebrada e o mistério está lançado. Quem é o lobisomem? Todos são suspeitos em potencial. Sob o ponto de vista de Valerie, até seus amigos, familiares e pretendentes podem ser o  mitológico assassino. A ambientação do suspense é muito bem construída e, apesar de inferior, lembra os excelentes O Pacto dos Lobos (2001) e A Vila (2004) – se você gostar de A Garota da Capa Vermelha, não deixe de ver as obras citadas, caso não as tenha assistido. A competente fotografia de Mandy Walker (de Austrália) valoriza as sombras da floresta e o contraste de cores (a capa vermelha de Chapeuzinho deslizando pela neve é de uma poética beleza visual), amplificando os ares de tensão e mistério.

 

A escolha de determinadas cores parece retratar as nuances emocionais e conflitos dos personagens. O branco da neve simboliza a pureza; o vermelho da capa a perda da inocência, o sangue derramado; e o escuro da floresta o luto, o mistério... É como o coelho capturado em uma armadilha prestes a ser morto por crianças em busca de diversão. O branco de seus pêlos pode vir a ser manchado por seu sangue... A direção de Catherine Hardwicke é habilidosa (é interessante a "pegada" teatral da encenação). Já o roteiro (o segundo da promissora carreira de David Leslie Johnson), apesar de valorizar com competência o clima de tensão, peca em algumas passagens, nas quais lança mão de  desnecessários diálogos para justificar presenças de objetos em cena, por exemplo, além de utilizar alguns clichês de filmes de mistério o que não chega a comprometer sua harmonia como um todo.

O núcleo de atores jovens, com exceção da protagonista Amanda Seyfried, não acompanha com destreza necessária a qualidade dos atores veteranos entre eles, merece destaque o bom e velho Gary Oldman (de O Livro de Eli) como o impiedoso Padre Solomon, que chega ao vilarejo com a promessa de capturar e matar o lobisomem –, mas a direção ágil, as ótimas jogadas de câmera, os bons efeitos especiais e a trilha sonora pertinente ao enredo suprimem as eventuais falhas de interpretação. Vale destacar também a atuação de Julie Christie (de Em Busca da Terra do Nunca) como a sombria avó de Chapeuzinho. A Garota da Capa Vermelha, além de dar conta do recado na sua proposta de envolver o espectador em uma ótima trama de mistério, ainda se mostra uma fábula sobre a lealdade.

Por: Mattheus Rocha 

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A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood) – 100 min
EUA, Canadá – 2011
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: David Leslie Johnson
Elenco: Amanda Seyfried, Gary Oldman, Billy Burke, Shiloh Fernandez, Max Irons, Virginia Madsen, Lukas Haas, Julie Christie

Estreia: 21 de abril.

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9 comentários:

garota disse...

Muito bacana este filme, adorei.... ótimo post!

sol disse...

Foi um dos piores filmes que já vi. Conteúdo raso, cópia escrachada de Crepúsculo, enredo previsível, atuações medíocres (salvando-se o excelente Gary Oldman - que não compreendo como se envolveu em tão tolo projeto -, e uma não tão ruim Amanda), além de falas que chegam a dar vergonha alheia de tão rasas e repetitivas. Química zero entre os protagonistas, que conseguem ser mais inexpressívos que os atores do filme que tentam descaradamente copiar - e eu que achei que isso não fosse possível (!). Tirando a fotografia e a ambientação, nada mais se salva. Quero crer que a diretora apenas quis criar uma obra rentável aos moldes da franquia vampiresca, pois se esse filme foi feito com alguma outra intenção, acho que tudo o que conseguiu foi ofender o intelecto do público - que paga preços abusivos pelas poltronas no cinema. Mais respeito com o público é primordial. E necessário.

Marcos Ordonha disse...

Frase linda: "É como o coelho capturado em uma armadilha prestes a ser morto por crianças em busca de diversão. O branco de seus pêlos pode vir a ser manchado por seu sangue."

Anônimo disse...

Desde quando esses contos tiveram que ver com "fadas", todos sabem que eram histórias de terror.
Li muitas criticas falando sobre " O triangulo" amoroso, fiquei me perguntando onde eles viram isso, pois não assistiram o mesmo filme que eu vi. Nunca existiu um triangulo amoroso, foi só para aumentar o drama na cena da morte da irmã(Pelo que percebi, ela tentou focalizar no mistério sobre o "lobo"). Em algumas cenas ela conseguiu... mas concordo em uma coisa o roteiro poderia ter sido melhor.
Comparações a parte, não vi nada parecido com crepusculo... além dos atores sem "lindos"( Vamos comentar, os atores de crepusculo não podem ser chamados de bonitos).(risos!)
Obviamente ela poderia ter sido mais feliz em suas escolhas, mas não diria que é um perda de tempo ver o filme.

Anônimo disse...

E o mais obvio é que teria lobo... já que se trata da história da chapeuzinho vermlho.
(risos!)

Anônimo disse...

Ola,
Adorei o filme assisti varias vezes , os atores são lindos..parabéns pelo filme..

Anônimo disse...

olá,gostei mto do filme,e vou fazer,ou pelo menos tentar fazer,uma peça teatral sobre ele...mto bom.

Anônimo disse...

Nada a ver com a saga crepusculo, nada mesmo, este filme tem um que de mais, nao e comercial e nao tem a mocinha com a boca sempre entraberta e a mesma cara , no filme todo. A garota da capa vermelha e otima e linda perfeita, loira de olhos azuis com a capa vermelha na neve com aquele moco maravilhoso na neve, fotografia, cenario, que pode comparar com crepusculo nada a ver mesmo.

Anônimo disse...

Muito bom esse filme! É interessante, prende à atenção até o fim. Uma versão da fábula "Chapeuzinho Vermelho", mas com um Q a mais de suspense!

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