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Não é fácil ser ‘o diferente’ da escola, do colégio ou do bairro. As implicâncias dos maiorais (populares) são inevitáveis e, não raro, as simples provocações transformam-se em agressões físicas. Na nova produção da Walt Disney, com o embate entre alienígenas, e o fato de o núcleo central da história ser formado por personagens ‘perseguidos ou esquecidos’ no contexto social, o bullying, um mal, infelizmente, assimilado em praticamente todas as culturas, é apresentado de forma real e também de maneira alegórica.
 
Eu Sou o Número Quatro, baseado no livro I Am Number Four, de Jobie Hughes e James Frey, não é um filme sobre o assédio moral a jovens, então é inconcebível analisá-lo como uma espécie de estudo sobre o  bullying. No entanto, com personagens infantilizados e aspectos narrativos que mais lembram uma série da Nickelodeon, o longa é um passatempo esquecível com pinceladas fracas sobre um tema atual. 

Eis a trama: John Smith (Alex Pettyfer) é um alienígena do planeta Lorien, que fugiu para a Terra para se esconder dos Mogadorians. Três já foram mortos, e John é a próxima vítima. Ao refugiar-se na pequena cidade Paradise com seu guardião Henry (Timothy Olyphant), ele se apaixona por Sarah (Dianna Agron), uma garota bela e solitária, amante de fotografia, que “vê o mundo através de uma máquina”. O novo morador da pequena cidade decide encarar os perigos terrenos – controlar o ímpeto para, com seus poderes, não machucar (ou matar) o valentão da escola – e extraterrestres – saber como enfrentar os poderosos Mogs.

Dirigido por D.J. Caruso, o filme tem ritmo ágil, com sucessivas cenas de ação. A belíssima tomada aérea da sequência de abertura, em uma floresta escura, que antecipa um ataque dos vilões Mogs, é bem realizada tecnicamente e abre o filme com vigor. Não se pode dizer que Eu Sou o Número Quatro seja um filme cansativo, monótono. Com a contribuição da ‘leveza’ da temática o filme conquista, a princípio, a curiosidade do espectador.



Apesar do bom ritmo estabelecido, o filme perde pontos com a previsibilidade do roteiro. Após chegar a Paradise, John matricula-se numa escola para manter-se próximo à rotina de pessoas ‘normais’. É nesse ponto que o longa derrapa, ao ilustrar de forma superficial e infantil os ‘duelosentre estudantes queridinhos e os ‘geeks’. A sensação de dejá vu é imediata quando o valentão que esbarra no garoto magrinho contra o armário de metal, o derruba e após alguns instantes arremessa uma bola de baseball no mesmo rapaz indefeso. Tais fatos incomodam, pois os personagens não são mais crianças, mas o roteiro os infantiliza ao extremo. 

O paralelo entre a “vilania” na Terra e os tais Mogs, por outro, lado tem seus méritos. Os extraterrestres de Mogadorians surgem como ‘valentões caricatos’, sem um pingo de remorso e se equivalem em termos físicos aos brutamontes que perseguem pobre indefesos nos colégios, como garante um personagem em determinada passagem; eles se parecem com ‘zagueiros’. O herói John, por outro lado, representa o típico galã, corajoso, romântico e ético, simbolizando o ideário altruísta de um personagem da Disney. Em alguns aspectos lembra o vampiro Edward Cullen, mas confesso que o John é menos chato. 

Repleto de ação, humor inocente e romance, embalado por uma trilha sonora que almeja deixar os olhos do espectador lacrimejando, Eu Sou o Número Quatro é tudo aquilo que já foi feito, e ainda se faz em séries televisivas ou em enlatados que passam pela enésima vez na Sessão da Tarde.


Eu Sou o Número Quatro (I Am Number Four) – 109 min
EUA – 2011
Direção: D.J. Caruso
Roteiro: Alfred Gough, Miles Millar, Marti Noxon – Baseado no livro de Pittacus Lore
Elenco: Alex Pettyfer, Timothy Olyphant, Teresa Palmer, Dianna Agron, Kevin Durand, Callan McAuliffe

Estreia: 15 de abril.

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  1. eu gostei do filme, e acho sua critica errada, pois li o livro, e sei que o filme esta bem diferente, mas mesmo eu sou o numero 4, achei um dos melhores lançamentos no genero, e por enquanto o que mais me motivou a ir no cinema ver esse ano, o filme realmente tem seus pontos fracos pois ha muitas coisas no livro q n foram contadas e dariam mais garra ao filme, mas mesmo assim um otimo filme e recomendo a todos.

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  2. O filme me prendeu a atenção do início ao fim, mesmo com toda a superficialidade comentada em todas as críticas, ou seja, creio que tenha ele tenha conseguido seu objetivo!!!
    Se reclamamos quando um filme tem um ritmo lento pq teima em nos aproximar dos personagens para suas continuações serem mais ágeis, não tenho como dizer que não gostei de um que nos aproxima desses mesmos personagens e ainda deixa o gostinho de expectativa para os próximos filmes!!!
    E mais: alguém foi assistir esse filme achando que ele não tivesse esse ritmo DisneyWorldiano (?), onde a pirotcnia não fosse imperar, e que fosse um filme profundo, do ponto de vista de aproximação dos personagens??? Então vai assistir "O morro dos ventos uivantes"...

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  3. EU SOU O NÚMERO QUATRO

    Por Victor Dorsey

    Normalmente os filmes com números no título são um tédio só. Então eu relutei antes de assistir a mais um filme de Michael Bay. Mas foi bem divertido, principalmente porque eu peguei a mania de assistir filme pensando em cada parte dele como uma mensagem que os realizadores querem transmitir e não apenas como diversão.
    O nome Hollywood significa madeira sagrada e refere-se à varinha do tipo Harry Potter que traz à existência as ilusões do ser humano. Sendo assim nada mais natural do que os realizadores dos filmes mostrarem seus pontos de vista sobre o mundo. Michael Bay, por exemplo, tem uma fixação por extras terrestres, sendo os mais famosos, vindo de sua varinha mágica, os transformers. Este que também é um típico filme adolescente tem também extraterrestre como tema. Hollywood realmente quer que você acredite que existe vida inteligente fora da terra.
    Não pretendo aqui fazer uma crítica sobre o filme, pois como disse: eu gostei dele. O que pretendo analisar são os conceitos mostrados em algumas falas colocadas “sem querer querendo” como diria o personagem Chaves. O primeiro conceito é falado por um personagem humano que foi sequestrado pelos ETs do mau. Ele pergunta: “como será esta Nova Ordem Mundial de vocês?”
    Um filme hollywoodiano custa milhões de dólares para ser feito. Logo é algo obvio deduzir que eles pensam meticulosamente sobre cada cena que vai ser colocada em um deles. Citando um personagem do filme Ligações Perigosas: ele nunca diz “oi” sem antes calcular meticulosamente o estrago que isto irá causar na vida de alguém.

    Continuar a ler em

    http://victordorsey.wordpress.com/2013/03/27/eu-sou-o-numero-quatro/

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