1

Separados há duas décadas, Nora e José continuam morando próximos um do outro. Por isso, José não se se surpreende quando uma encomenda para ela é entregue na casa dele. Ao se dirigir ao apartamento da ex-mulher, José descobre que ela finalmente conseguiu se matar, após 14 tentativas. Por questões religiosas é uma família judaica ela não poderá ser enterrada imediatamente. Assim, José vai ter de passar Cinco Dias Sem Nora, filme mexicano de Mariana Chenillo.

Antes de morrer, porém, Nora havia organizado tudo: sua casa, papéis, fotos, tendo inclusive deixado cartas para o filho, a empregada e o ex-marido, e até instruções para a preparação do jantar de Pessach, a páscoa judaica, com ingredientes etiquetados na geladeira e um caderno de receitas sobre a mesa. O que ela não prevê é que sem querer iria deixar cair uma fotografia, depois encontrada por José, em que um segredo guardado a sete chaves por várias décadas seria revelado. Nos dias em que o sepultamento é preparado, os familiares, amigos e religiosos circulam pelo apartamento, enquanto José quer apenas encontrar mais elementos para desvendar o mistério levantado com a foto que ele encontrou. Conflitos familiares e religiosos acontecem, obrigando José a confrontar seu passado e seus relacionamentos ao longo de toda sua vida.

Construída como uma comédia discreta como deve ser uma obra que tem a morte como tema central –, Cinco Dias Sem Nora extrai sua graça da observação das crenças e hábitos dos outros, não só religiosos, mas de toda a vida. O excesso  de Nora, por exemplo, que chega a ser irritante; a sinceridade de Moisés, que estuda para ser rabino, mas gostaria de ser chef; a implicância de José com os rituais judaicos. Essas sequências não chegam a arrancar gargalhadas da plateia; no máximo um sorriso, mais de surpresa do que propriamente de comicidade. E é verdade também que em um determinado momento o ritmo desacelera e o filme cansa um pouco.

Mais interessante, talvez, seja observar como a diretora constrói a narrativa explorando detalhes sutis, como o cuidado de Nora com a casa, a devoção da empregada Fabiana (Angelina Peláez), os trejeitos faciais de José (Fernando Lujan). Outra coisa bastante salutar é que se trata de um filme mexicano sem nenhum estereótipo; nada de cores vibrantes, música rancheira, melodrama. Pelo contrário, é uma pequena história familiar abordando um tema que diz respeito a todos amor, morte, memória de uma maneira delicada e com elementos religiosos menos visíveis num país extremamente católico. Uma outra faceta desta nação tão próxima e tão pouco conhecida.


Cinco Dias Sem Nora (Cinco Días Sin Nora) – 92 min
México – 2008
Direção e Roteiro: Mariana Chenillo
Elenco: Fernando Lujan, Enrique Arreola, Ari Brickman, Juan Carlos Colombo, Angelina Peláez, Max Kerlow, Marina de Tavira, Veronica Langer

Estreia: 06 de maio.

Compartilhe este conteúdo |

O Cinema está na Rede e também no Twitter

Postar um comentário

  1. Taí um filme chatíssimo,e não me venha com conversinhas de que gosto de Batman,Transformers,Velozes e Furiosos.Gosto de cinema asiático,cinema iraniano,Truffaut,Godard,Rosselini,etc...por isso o carimbo de confuso,chato e irritante.

    ResponderExcluir

 
Top