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Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano é uma aproximação entre Brasil e Índia através do cinema. Longa de estreia da jovem diretora Beatriz Seigner, é também a primeira co-produção entre os dois países. Conta a história de três atrizes brasileiras que vão em busca de trabalho na poderosa indústria cinematográfica indiana, há décadas centralizada em Bombaim (hoje rebatizada de Mumbai). Daí o nome ser uma referência à meca do cinema norte-americano.

O  raciocínio parece lógico: se a Índia é o maior produtor mundial de cinema, com cerca de 800 filmes por ano, não deve ser difícil conseguir atuar lá. Com essa intenção, as três amigas representadas por Paula Braun, Lorena Lobato e Nataly Cabanas vão para Nova Délhi apenas com o endereço de um produtor. As dificuldades começam já na imigração, quando o agente pergunta o que foram fazer no país. Achando difícil convencer que foram ser atrizes em Bollywood, elas   respondem que estão em uma jornada espiritual. Reserva de hotel não confirmada e problemas com a língua – elas falam um inglês básico são outros contratempos.  

Um fracassado teste de elenco as leva a contratar um menino como professor de dança e uma atriz para lhes ensinar a representar no estilo indiano. Novo teste, novo fracasso, mas elas são brasileiras e não desistem nunca – e lá vão as três a Mumbai, com direito a uma sequência inacreditável em que já no meio do caminho elas perguntam se o trem vai para aquela cidade. Claro que não ia. Novo trem, nova oportunidade: já em Mumbai, a constatação de que Bollywood é demais para elas. 



Entre um incidente e outro, a descoberta da riqueza cultural e espiritual do país, que tem 1,2 bilhão de habitantes, 17 idiomas e várias religiões. Volta e meia, são apresentados aspectos cotidianos que já viraram  clichês cinematográficos – cremação ritual  no rio Ganges, o trem superlotado, a religiosidade. Rodado todo em câmera na mão, se revela mais um filme experimental do que uma produção profissional. A improvisação nos diálogos preserva a espontaneidade, mas também torna algumas sequências banais e cansativas. A tentativa de aprofundar os personagens resumem-se a alguns momentos de conflito entre as três amigas e seus diálogos via telefone com parentes no Brasil.

Ficção permeada por documentário ou documentário ficcionalizado, Bollywood Dream parece ser o resultado de uma paixão pelo cinema e pela ideia de se fazer filmes. Tendo custado apenas US$ 20 mil, confirma, no entanto, que é preciso mais que paixão para se fazer produções cinematográficas viáveis. Vale como uma tentativa de se fazer um trabalho autoral, de se lançar novas pontes ligando duas nações cada vez mais importantes e ainda distantes uma da outra. Que venham outras co-produções.



Bollywood Dream: O Sonho Bollywoodiano – 83 min
Brasil, Índia – 2010

Direção e Roteiro: Beatriz Seigner
Elenco: Paula Braun, Lorena Lobato, Nataly Cabanas, Mr. Paraneshwan Naiar, Kaushik Satish, Bhávana Rhya

Estreia: 29 de abril

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  1. Achei a crítica bastante profissional, sem denegrir o filme. Pretendo assisti-lo, porque a palavra final é sempre do espectador. A diretora apresentou o filme com paixão e isso pra mim já é um bom motivo.

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  2. Perfeito! Nosso objetivo não é desestimular ninguém a ver qualquer filme, mas informar e abrir discussões sobre eles e sobre a atividade cinematográfica como um todo. Depois nos conte suas impressões. Abraços!

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  3. Gostei da crítica. Já havia assistido ao filme. Não é memorável (tanto que eu realmente não me lembrava do nome), mas há cenas bem gostosas de ver. Posso classificar como aqueles filmes gostosinhos de se ver, bem sessão da tarde. Um pouco parado demais para quem esta acostumado aos Blockbusters de ação norte-americanos.

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