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A profundidade de campo ampla que destaca um personagem solitário em ambiente insólito, e a luz dura que ratifica a aridez desértica do velho oeste são características técnicas presenciais e, diga-se de passagem, obrigatórias no gênero faroeste. Na animação Rango, de Gore Verbinski (de O Chamado e da trilogia Piratas do Caribe), tais elementos são representados de forma excepcional pelos detalhes gráficos criados pela Paramount. A cena em que micro-insetos andam em uma gotícula é uma das mostras do zelo minimalista nos efeitos, que não deixam nada a dever às produções da Pixar. E isso não é pouco.

Os aspectos positivos de Rango, em contrapartida, vão além do visual. Com um protagonista inteligente, uma série de personagens secundários simpaticíssimos, e um roteiro maduro, a animação sobre o camaleão com crise de identidade é uma prova contundente de que para introduzir o espectador no universo fílmico, o recurso 3D não é tão necessário

Na animação, Rango é um camaleão com intenções artísticas, e sonha em participar de uma ficção cuja sua participação seja embalada por atos de heroísmo. Ao chegar na empoeirada Dust (como o nome já diz), um cidade do velho-oeste, o camaleão finge ser um heroi e precisa proteger a população dos constantes perigos, para provar sua valentia. Com a escassez de água e um prefeito demagogo que vive a proferir que "as pessoas têm que acreditar em alguma coisa", com a finalidade óbvia de iludir a população, a missão de Rango não é nada fácil.



Na evolução narrativa desta aventura, os méritos do filme florescem. Mesmo com a homenagem ao faroeste e boas cenas com o tom solene do gênero, como aquelas iniciais que ilustram a solitária caminhada do camaleão no deserto, Rango tem ritmo ágil, com sequências intensas e divertidas. O bombardeio aéreo orquestrado por Cavalgada das Valquírias, do compositor Richard Wagner (referência honrosa à Apocalipse Now) é vibrante, assim como as perseguições do pássaro ao camaleão, pelas vielas de Dust

O roteiro, por outro lado, acerta ao incutir no longa questões sérias sobre a corrupção política, por exemplo. O prefeito de Dust é o coronel tão comum nas cidades do interior brasileiro, mesmo nos dias de hoje, que engana uma população alienada e carente, com falsas promessas. A personagem Feijão é uma espécie de Maria Bonita do Velho Oeste e a única da cidade com esclarecimento sobre seus direitos. Por isso, combativa em relação às ações do político.

Rango é uma animação divertida, engraçada, mas madura, com personagens sérios. A comicidade gratuita e infantilóide passam longe. Eis uma característica nova e extremamente saudável em um produto cultural que é majoritariamente destinado ao público infantil. Crianças não são bobas e merecem um filme sério e ao mesmo tempo divertido e encantador. Com um protagonista que se descreve corretamente como um "homem de muitos epítetos", Rango é um filme que vai ser difícil de esquecer.

Por: Bruno Mendes

 

Se antes os filmes de animação eram feitos mais para agradar os pequenos, hoje temos animações que agradam muito mais os adultos que as crianças. Esse é o caso de Rango. A história gira em torno de Rango, um lagarto domesticado que cai no deserto e precisa se virar sozinho. Envolvido em questões existenciais do tipo “quem sou eu?”, o lagarto encontra Feijão, uma lagarta cheia de personalidade e preocupada com a escassez de água na região.

Juntos, ambos seguem para a cidade mais próxima, Poeira, onde Rango se faz de durão e inventa ter matado um grupo de sujeitos perigosos, para se tornar alguém importante. A partir daí, ele ganha o respeito de todos, o posto de xerife e vira o heroi que ele achava que deveria ser, arcando, é claro, com as consequências de ser um herói: quando a cidade fica em situação difícil, sua atitude é demandada. É aí que Rango enfrenta muitos desafios para conhecer a si mesmo.

O roteiro não traz grandes surpresas, ficando o destaque por conta da personificação dos bichos, que parecem extremamente realistas, se comportando como humanos. Com uma estética um pouco sombria e diálogos e piadas do universo adulto, o filme mostra-se antenado a questões como o exercício do poder permeado pelo discurso religioso o prefeito-tartaruga-vilão erguendo a torneira que lembra uma cruz , a importância da água para a manutenção da vida e as consequências do progresso. E, claro, essas mensagens dificilmente vão encontrar ressonância no público infantil.

Ainda presenteando os marmanjos, Rango utiliza referências musicais fazendo pequenas paródias, como na sequência de morcegos lembrando naves espaciais ao som do tema de Star Wars. Além disso, a fotografia do filme é caprichadíssima e a animação é tão bem feita que em alguns momentos os cenários e os bichos parecem retratar o Velho Oeste de verdade.

A sequência inicial da estrada e aquela do ataque das toupeiras pilotando seus morcegos “Star Wars” são as mais eficientes em termos de diversão, nos reservando os momentos mais empolantes do filme. Boa parte do longa, entretanto, presta-se mais a apreciação de uma animação muito bem feita do que à diversão leve e espontânea que filmes mais lúdicos proporcionam às crianças. Detalhe: na versão dublada, Rango não tem a voz do Luciano Huck. Boa notícia!


Estreia: 09 de março.

Rango (Rango) – 107 min
EUA – 2011
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: John Logan
Dublagem Original: Johnny Depp, Isla Fisher, Abigail Breslin, Ned Beatty, Alfred Molina, Bill Nighy



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  1. Existe uma crítica velada à Las Vegas que vem, progressivamente, "roubando" água das regiões vizinhas (é a cidade que o prefeito constrói no meio do deserto). Se não me engano, este tema foi abordado pelo documentário A Terra Vista de Cima. Rango é uma animação imperdível.

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  2. Apesar da crítica acima, o filme é chaaaaato. Passem longe

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  3. Achei chatíssimo... cenas meio delirantes demais, personagens NADA carismáticos e vários cliches de velho oeste. Realmente filme metido a "cult" que não passa de uma tentativa pretenciosa.

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  4. Filme horrível. Cansativo e nada carismático. Com piadas tolas e cenários sem cor alguma.

    Odiei, queria sair de uma vez da sala do cinema.

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  5. Clichês de filmes velho oeste em um filme que faz paródia de filmes de velho oeste? Nossa, anônimo, você é tão inteligente, aposto que eles usaram esses clichês e nem perceberam!

    É cada um que escreve na internet, que eu vou te contar viu....

    Lorena, não quero ser rude, mas você está pedindo cor no deserto? Sério?

    O filme é ótimo, vá assistir sem medo!

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  6. Q filme ruim, não é p criança nem p adulto. Não é engraçado, nem a história interessante. Completamente previsível, longa, e chata. A sensação de querer sair do cinema antes do filme acabar é absurda.

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  7. Ao assitir, acompanhei ao coro dos que comigo saiam da sala: o susto foi grande.
    A começar pela classificação etária: 10 anos.

    O filme conta com um roteiro, bem... Estranho. A começar pelo monólogo inicial de um lagarto solitário com crise de identidade. Pelo menos até desenvolvimento do ápice, ele ainda poderia cativar pela simpatia dos personagens, o que também não acontece, já que os mesmos parecem mais bizarrices saídas de filmes de terror, estereotipadas desde a cultura 'caipira', até o modo de falar.

    Com um senso de moral altíssimo e expressões complicadas voltadas para a faixa etária, ele ainda peca na ocultação do desenrolar do problema principal, já que não evidencia se o mesmo será a crise do lagarto, a falta de água ou a junção dos dois.

    Em contrapartida, os efeitos visuais junto com a trilha são magníficos e o cenário extremamente envolvente.

    O filme até tem certo potencial, mas infelizmente o mesmo não foi bem desenvolvido por causa da abordagem adotada.

    Não é necessário falar que os pequenos não gostaram e alguns grandes ficaram 'a ver navios'. Infelizmente isso tudo se deu para quem, desde o início assistiu ao trailer, onde o mesmo foca mais na diversão, o que acontece pouco com RANGO.

    That's it!

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  8. Ótima animação, um faroeste com todos os ingredientes, desde o prefeito currupto, ao herói de araque e o pistoleiro malvado q chega na cidade trazendo cheiro de morte... Ainda tem uma hilária banda de corujas mexicanas auxiliando na trilha sonora e uma aparição de Clint Eastwood
    com seu personagem de outrora "pistoleiro sem nome" agora como sendo a "alma do oeste".... tá tudo lá ! Encha o balde com pipoca e boa diversão !

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  9. O filme é ótimo! Divertido, inteligente e por que não dizer, profético! Quem controlar a água, controla-rá o mundo! Muitos adultos não conseguem entender o filme, crianças então, nem se fala, mas a questão é que não é culpa dos realizadores se a maiorias das pessoas de hoje mau sabem ler, avalie compreender o que se está lendo! É uma pena...

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  10. Apesar das criticas negativas resolvi assistir o filme. Assisti o filme durante 1 hora na esperança que ele melhorasse e se tornasse um filme bom, oque não aconteceu.

    Filme ruim, não vale a pena assistir.

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  11. Meu deus, cada absurdo que encontrei nos comentarios, esperando elogios e criticas consistentes. Pelamordedeus! Uma das melhores animacoes do ano, trilha sonora excelente, dublagem excepcional, historia e personagens muito bem definidos e originais. Nada contra as animacoes da Pixar que sao igualmente incriveis mas essa e muito mais profunda do que muitas por ai. SE NAO TIVER CULTURA E O MINIMO DE INTELIGENCIA, POR FAVOR NAO ASSISTA.

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  12. uma bosta perdi meu precioso tempo, não sei o que esse filme tem de bom que tanta gente puxa o saco dele

    Horrivel não assistam

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  13. O filme e genial! Ignorem criticas destrutivas! Vale a pena assistir!

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  14. eu ainda nao assisti e sinceramente espero bastante do filme por três motivos:
    1 - sou grande fã de filmes western e do genero como um todo
    2 - A pixar até hoje não me decepcionou
    3 - todos os comentarios negativos que eu vi pareciam tao burros como leigos.
    O roteiro NAUM PODE ser ruim porque uma equipe competente como a da pixar entende que naum importa o quao genial seja o produto da animação, se o roteiro for o ruim o filme vai sair uma porcaria.
    Além do mais ja vi gente falando mal de classicos e defendendo crepusculo intao a opiniao alheia me desaponta bastante ultimamente.
    Vou postar um comentario depois de assistir o filme, se eu estiver errado eu vou admitir.

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  15. eu sinceramente achei que o filme relatou ezatamentese a situacão sobre a questão critica da seca no deserto da pequena cidade dessa animação.Mesmo sendo uma animação o filme relatou um assulto realista.Eu assisti o filme e achei divertido em uma questão realista e discordo que esse assunto seja exagerado.Mas relato e muito antigo da ideia de uma cidade.

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  16. Lamentável o comentário de alguns anônimos por aqui. Aposto que foram ver o filme, esperando ser uma animaçãozinha toda coloridinha, cheia de frescurinhas musicais, humor ingênuo e desenvolvimento infantil. Só porque é uma animação, não quer dizer que seja voltado completamente para crianças. O lance é saber interpretar o que o filme passa. É como ler um livro. Embora isso seja impossível para alguns...

    É o tipo de filme "Ame-o, ou Odei-o"; por ser peculiar. Pessoas com senso de humor, que realmente entendem de filmes, considerarão RANGO como uma das melhores animações já feitas. As referências e citações enriqueceram o roteiro. Entretanto, falando no roteiro, ele não é compreensível para crianças, devido ao complexo diálogo e linguagem adulta. É um digno filme "Western" (Faroeste), e não poderia ser todo coloridinho e voltado completamente para o público infantil. É um filme maduro, bem desenvolvido, roteiro bom (apesar de existirem fendas, que confundem os desatentos), e trilha sonora cativante. Recomendo à todos!

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  17. Filme espetacular, personagens carismáticos, inteligente, engraçado.... A riqueza dos detalhes impressiona. Mas realmente não é para crianças...

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  18. É lamentável ver certos comentários...alguns são tão superficiais que eu me pergunto se esses comentaristas realmente viram o filme, ou se possuem o minimo de capacidade de interpretação. Rango não é um filme que contribui para a alienação das pessoas, muito pelo contrário, é um filme com gransdes criticas, que servem de reflexão para nossa sociedade.

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  19. Quando vi o trailer decidi que ia assistir.
    Entrei no cinema com a melhor expectativa, até uns 15 minutos o filme estava super legal,porém as cenas ficam escuras, confusas, violentas, pesadas, cansativas, sem comédia, quando a cobra aparece vi que a coisa ia piorar, achei um filme duro demais para o público infantil.
    Eu assisti o filme com 11 anos de idade e não gostei nada, queria sair logo, quase sai do cinema, e o pior era que ele estava lotado.

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  20. O roteiro do filme é ótimo, porém não é para um filme infantil, o velho oeste é bem retratado, mas é muito escuro, sem cores chamativas e bonitas.
    Filmes bons infantis 3d são:
    -os smurfs
    -madagascar 3
    -rio (muito bom)
    -era do gelo 4 (a mais fraca de todos da serie,porém tem o sid muito engraçado como sempre)
    -happy feet 2 ( mais pro lado infantil,não oferece piadinhs,relata conselhos sobre amizade, familia...-em geral é bom, envolve os pinguins mais fofinhos do mundo!!!)
    -Zé Colméia (muito fofo e engraçado)
    Desculpe se minha opinião não é a mais apoiada mas rango foi chatinho para mim.

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  21. EU VI EM HD E TAVA PERFEITO!!!!
    trilha, enredo, monologos...
    e afinal
    a cena q ele engole o cigarro é épica
    nota 10 pra Nickelodeon e. Paramount

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