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Como escrever uma resenha crítica, do ponto de vista cinematográfico, sobre uma ópera em 3D filmada para o cinema? Se a linguagem cinematográfica se desenvolveu a partir das variações de plano e de montagem, uma obra teatral filmada com variações de plano e emprego da tecnologia 3D constituiria uma evolução do teatro filmado? E aplicar uma nova tecnologia à filmagem do teatro seria uma forma nova de recorrer a uma forma ultrapassada de fazer cinema?

Pensando em tais perguntas, vou começar falando do recurso em si em Carmen 3D. O efeito 3D dá uma profundidade interessante ao cenário, nos remetendo à ideia de que estamos realmente diante de um palco, embora essa impressão seja mais presente quando os planos são mais aproximados. E o efeito 3D aproxima, em certos momentos, os personagens de nós espectadores, embora esse fato não constitua um recurso que faz uma grande diferença em nossa apreciação do espetáculo.

A ópera é dividida em 4 atos e conta a história de Carmen, uma cigana sedutora por quem Don José, um cabo do exército, se apaixona e larga tudo para viver ao lado dela uma vida errante. Mas, sedutora e selvagem como é, Carmen não se prende a paixões por muito tempo, deixando Don José louco de ciúme. Enquanto Micaëla, sua antiga noiva, vai em busca de Don José para levá-lo de volta pra casa, ele segue seu destino trágico em busca do amor de Carmen.



O desempenho da mezzo-soprano Christine Rice (Carmen) é envolvente e faz um contra-ponto muito eficiente com a doce Micaëla, interpretada pela soprano Maija Kovalevska. Os detaques masculinos ficam por conta do tenor Bryan Hymel (Don José) e do barítono Aris Argiris (Escamillo). Sem falar na introdução impactante do maestro Constantinos Carydis! A sequência da dança cigana e do solo do toureiro são destaques do espetáculo também.

Enfim, assistir à ópera Carmen, no cinema, em 3D, me trouxe muitas reflexões sobre o próprio conceito de cinema enquanto veículo e espaço onde é contada uma história. Dos primórdios do cinema, onde o teatro era filmado, à tecnologia 3D, muito se evoluiu no universo cinematográfico. E parece que é retomado esse movimento de mudança com o uso do espaço da sala escura como abrigo de novas maneiras de apreciar a arte, seja ela qual for. 

O cinema empresta sua casa, oferecendo ao público a oportunidade de assistir à bela ópera, de 3 horas de duração, do francês Georges Bizet, sem precisar ir ao Royal Opera House em Londres. Se esse movimento não fizer parte da evolução do cinema em si, pode vir a fazer parte da reinvenção do espaço da sala escura. Estreia: 12 de março.

* Sessões nos dias 12, 13, 15 e 20 de março (exclusivo na rede Cinemark).

Carmen em 3D (Carmen in 3D) – 180 min (com intervalo)
Reino Unido – 2011
Direção: Julian Napier
Composição: Georges Bizet
Libreto: Henri Meilhac, Ludovic Halévy – Baseado na novela de Prosper Mérimée
Com: Christine Rice, Bryan Hymel, Aris Argiris, Maija Kovalevska, Dawid Kimberg, Caroline Lena Olsson, Anthony Debaeck, Constantinos Carydis

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