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Após a sequência de abertura de O Besouro Verde, a elipse convencional, que marca uma passagem de 20 anos na história, indica um filme sem arrojos narrativos. A obra, de fato, não é inovadora em aspectos estilísticos, apesar da direção do antenado Michel Gondry (de Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças e Rebobine, Por Favor). Com ressalvas por certas sequências de ação que mereciam um cuidado maior na elaboração, O Besouro Verde diverte, e, como entretenimento despretensioso, cumpre bem seu papel, apesar de Seth Rogen exagerar o tom em alguns momentos e comprometer a comicidade.

Britt Reid (Seth Rogen, de Ligeiramente Grávidos) é um playboy egocêntrico que desde a infância é repreendido pelo pai, o magnata da mídia James Reid (Tom Wilkinson, de O Escritor Fantasma). Quando ele morre em circustâncias misteriosas, Britt conhece Kato (Jay Chou), um inteligentíssimo carateca, ex-funcionário de James, que constrói, desde máquinas de café expresso, a artefatos bélicos e blindagens perfeitas para carros. 

A dupla se une, e, da noite para o dia, transformam-se em super-heróis sem qualquer compromisso com a lei, em uma Los Angeles dominada pelo crime organizado, representado pelo inescrupuloso Chudnofsky (Christoph Waltz, de Bastardos Inglórios). Novo dono do jornal herdado do pai, Britt, com a ajuda da jornalista Lenore Case (Cameron Diaz, de Encontro Explosivo), pretende destacar as ações do Besouro Verde e seu parceiro, mesmo que isso possa comprometer a linha editorial do veículo, “transformar o jornal em uma discoteca”.



Baseado em um clássico dos quadrinhos, o tom cômico e despretensioso impera neste O Besouro Verde. Ao contrário de um Batman – O Cavaleiro das Trevas, que investe na construção de personagens plausíveis e verossímeis, o filme de Gondry, roteirizado por Evan Goldberg e Seth Rogen, assume o aspecto caricato de protagonistas e coadjuvantes. Nada comprometedor, pois a obra é honesta nessa proposta. Em uma situação, o vilão Chudnofsky (Waltz ótimo novamente) declara em tom pujante: “Estátuas decapitadas? Eu decapito gente de carne e osso”, fala que escancara o tom maniqueísta do personagem. A histeria de Rogen, por outro lado, incomoda em alguns momentos (incrível como o ator berra desesperadamente).

O uso do recurso 3D decepciona. A impressão é que diretores e produtores não entenderam que não basta uma profundidade de campo maior, ou estilhaços de bala e pedaços de objetos voando em nossa direção para a experiência cinematográfica surtir efeito com mais precisão. Sequências elaboradas com zelo estético e a obstinada escolha de planos e contra-planos são cruciais. Em determinado momento, Kato abre duas garrafas de cerveja, e as tampinhas voam em câmera lenta antes de caírem no chão. Nas sequências de luta, personagens rodam também em câmera lenta (uma espécie de referência à Matrix, mas sem objetividade narrativa). Mera desculpa para a tal “experiência 3D”.

Com todos os defeitos, não ouso dizer que O Besouro Verde é um filme ruim. A obra é despretensiosa, mas ainda encontra espaço, mesmo que de forma breve, para questões sérias, como as relações espúrias do poder institucional com o crime organizado e a mídia (bem Tropa de Elite, não é?). O Besouro Verde tem bom humor, ação e comédia. Mas, cá pra nós, exagera menos, Rogen! Estreia: 18 de fevereiro.

O Besouro Verde (The Green Hornet) – 119 min
EUA – 2011
Direção: Michel Gondry
Roteiro: Seth Rogen, Evan Goldberg – Baseado nas series de rádio de George W. Trendle
Com: Seth Rogen, Jay Chou,
Cameron Diaz, Tom Wilkinson, Christoph Waltz, David Harbour, Edward James Olmos, Jamie Harris, Chad Coleman, Edward Furlong


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  1. Achei que o filme diverte bem, mas longe daquilo de um super-herói de verdade. É apenas divertido, e Rogen faz o papel dele de fato, como nos outros filmes. Sempre babaca, mas engraçado às vezes.

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