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Diz-se que o cinema é o equilíbrio perfeito entre o real e o irreal. Que as imagens em movimento emprestam uma dose perfeita de realidade à fantasia que é a sétima arte. Mas o arrebatamento que alguns filmes causam, nos faz repensar esse equilíbrio, fazendo-nos considerar a hipótese daquela história estar acontecendo exatamente naquele momento em que estamos assistindo. Somos tocados pelos acontecimentos, sentimos o que os personagens sentem, vemos o que eles veem, da maneira que eles enxergam o mundo... E isso, nenhum recurso 3D consegue superar: essa experiência de ser capturado pela ficção, de se entregar à sua verdade irreal!

O novo longa de Darren Aronofsky, de O Lutador (2008), tem essa capacidade de colocar o espectador na pele da personagem principal, Nina, vivida por Natalie Portman, de Entre Irmãos (2009). E, de cara, já deixa suspenso no ar uma pergunta perturbadora: o que há além da perfeição, se o que é perfeito está acabado? Se a perfeição é a exclusão dos defeitos, das imperfeições, ser perfeito parece algo muito diferente de ser humano. Como não sofrer tentando não ser humano? Como não se ferir na busca obsessiva por superar os próprios limites?

Nina sofre. Sofre porque se sente o tempo todo incapaz de ser perfeita, embora empregue todo seu tempo e energia na tentativa de sê-lo. E, se considerarmos sua ocupação de bailarina, o seu sofrimento parece ainda maior. O balé, com sua disciplina rigorosa e a constante busca da perfeição, acaba se configurando como um cenário cruel para Nina. Na expectativa de conseguir a posição de destaque na companhia de balé para interpretar o cisne branco e o cisne negro, Nina se leva e nos leva ao extremo. E sua mãe, Erica Sayers (Barbara Hershey), é uma ex-bailarina que mais parece a carrasca da filha, mantendo-a num universo maternal e de um controle perverso, colaborando para as obsessões e perda da noção de realidade sofridas  pela filha. 

Nina apresenta sinais de distúrbios alimentares, autoflagelação e delírios, exibindo uma personalidade controladora, tensa e instável. Ela trava uma relação doentia até com a ex-bailarina principal, Beth Macintyre (Winona Ryder em participação especialíssima), por se sentir culpada ao substituí-la. Nina está sufocando, nós vamos juntos ao longo do filme. Os personagens do ótimo Vincent Cassel (Thomas Leroy) e de Mila Kunis (Lily),  tentam trazer Nina para a realidade por intermédio do erotismo e do prazer, mas acabam por confundir ainda mais a bailarina, potencializando as suas paranoias.

Cisne Negro já deixa claro, na sua sombria e poderosa sequência inicial, que trata-se de uma história perturbadora. O reflexo do rosto de Nina no vidro do metrô, os closes dos pés maltratados pela dança, suas terríveis alucinações, sua angústia... Tudo faz de Cisne Negro um exemplar de terror psicológico de muita qualidade, dirigido com competência e povoado por personagens densos e inquietantes, com destaque para Natalie Portman, que se entrega física e emocionalmente ao personagem, de tal forma que nos oferece uma sensação incomodamente intensa de que Nina é real.  

 



Em O Lutador, a câmera acompanha o protagonista tanto em sua apoteótica caminhada de entrada no ringue, quanto em seu dia-a-dia desolador. Em Cisne Negro a câmera segue por trás da bailarina Nina, enquanto ela anda tensa na sua jornada rumo à perfeita execução dos movimentos de uma montagem visceral do balé O Lago dos Cisnes e, quando percorre ruas, preocupada com as transformações em sua personalidade, até então dócil. O diretor Darren Aronofsky acompanha seus protagonistas de perto com seu cinema psicologicamente perturbador e sombrio e o êxito desta nova produção chega a superar o excelente O Lutador

Sob pressão constante do exigente diretor artístico Leroy, a talentosa Nina precisa extrair de si a “força maligna necessária para interpretar o cisne negro, um papel que exige um “impulso selvagem que a bailarina não tem. Nina é forçada por Leroy a liberar impulsos sexuais reprimidos e os instintos mais perversos da sua personalidade. Ela confronta-se, então, com tabus internos, descobertas, medos e dores físicas. A doce bailarina, recriminada ao pedir desculpas o tempo todo, precisa encontrar nuances obscuras. Eis o caminho para a almejada e cobrada perfeição. A competitiva colega Lily, devido ao seu temperamento intempestivo e impulsivo,  surge como uma “aliada perfeita” na busca de Nina pelo cisne negro, mas também é uma ameaça, por almejar o seu papel.

A abordagem de Aronofsky não fica restrita ao mundo competitivo do balé e às consequências nefastas de um ambiente competitivo. O subtexto explora questões a respeito dos conflitos psicológicos, devido a novas atitudes, e feitos que contrariam princípios e valores até então invioláveis. Nina recebe uma educação conservadora e é tratada como criança pela mãe. Um quarto com bichos de pelúcia e caixinha musical que executa o tema de Lago dos Cisnes ilustram seu habitat. A ruptura desse modelo de comportamento culturalmente enraizado é traumático, doloroso. As dores físicas, nesse processo, são mostradas com realismo, em planos detalhes em unhas quebradas, peles arrancadas do dedo e manchas na pele. O mundo de conto de fadas precisa desaparecer, ser substituído. 

Com uma atmosfera semelhante à de Repulsa ao Sexo (1965), de Roman Polanski, a ambientação claustrofóbica de Cisne Negro está representada pela bela cenografia dos ambientes fechados – quartos pequenos com iluminação indireta, corredores estreitos de teatros... –, por uma fotografia escura soberba e locações labirínticas, que simbolizam com maestria o processo de ruína do estado mental de Nina. As sequências, em sua maioria, foram filmadas em ambientes noturnos ou bastante escuros. Quando o delírio da personagem funde-se com realidade, os registros são cinematograficamente perfeitos. A sequência na qual Nina tranca-se no quarto após discutir asperamente com a mãe é uma das provas do brilhantismo da direção de Aronofsky

Favoritíssima ao Oscar de melhor atriz, é difícil mensurar o grau de genialidade de Natalie Portman ao compor uma personagem tão rica em detalhes, os quais dariam horas de conversas com o tópico: “Como desvendar Nina?”. Cisne Negro escancara os bastidores de um ambiente competitivo, no qual uma pessoa indefesa facilmente sucumbiria. No entanto, o status de obra-prima que eu qualifico ao longa está apoiado na perfeita representação do processo psicológico percorrido pela bailarina no intuito de alcançar a perfeição da dança. Este processo, por outro lado, revela a descoberta de facetas obscuras, improváveis, porém reais, de sua personalidade. Estreia: 04 de fevereiro.

Por: Bruno Mendes 

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5 Indicações ao Oscar: Filme, Diretor, Atriz (Natalie Portman), Fotografia, Edição.

Cisne Negro (Black Swan) – 108 min
EUA – 2010
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, Andrés Heinz, John McLaughlin
Com: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder, Benjamin Millepied, Ksenia Solo

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  1. Eu quero ver o filme justamente porque, assim como Nina, eu tenho umas ideias fixas que me alucinam dia e noite! Vou me identificar muito...

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  2. Uma só palavra pro seu texto, e já pedindo o perdão do trocadilho, perfeito!

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  3. Não há palavras para descrever o que é esse filme, apesar de ter sido tão bem colocado nessa crítica.
    Eu sinceramente estou torcendo pelo Oscar, principalmente para Natalie Portman, pelas cenas reais, emocionantes ( irritantes também) e incrivéis, sem a mencionar na maravilhosa obra o lago dos cisnes

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  4. Bom filme, penso que preciso de mais uma visualização para o perceber totalmente.
    Não vi referido no texto, mas parece-me que há muitas indicações durante o filme que a possível causa dos problemas de Nina é o abuso sexual por parte da mãe...

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  5. amei o filme ela sonha!?é perfeito sua ilusao é tao perfeita que ela se transforma em cisne negro.

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  6. 5 oscas eu daria , na ficçao de sua ilusao
    seu ballet te o que vc tenta ser o voce acha impossivel de ser realizar
    perder a vida para ser perfeita melhor das melhores sua ilusao lhe fez sentir a sensaçao de voce
    PERFEITA.....
    ALGUEM CONCORDA !?
    RESPONDER CRITICOS POR FAVOR
    URGENCIA

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  7. O mais incrível é que chega um ponto em que não sabemos mais o que é realidade ou apenas um delírio da Nina, já que toda a história é narrada do ponto de vista dela. No final do filme, entendemos que até a loucura da protagonista era um meio de chegar à perfeição, e tudo faz sentido.
    Além disso, a atriz está perfeita no papel, a cena em que ela se transforma em cisne negro é impressionante.
    Um filme maravilhoso.

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  8. Acho que a Natalie merece o Oscar de melhor atriz. O empenho da atriz em dançar balé (o que deve ter sido muito difícil)com o máximo de veracidade possível, as expressões dela de sofrimento, tensão, tão angustiantes que fazem a gente se contorcer na poltrona do cinema de tanta aflição... Ela comove, assusta, intriga, desespera a gente que está assistindo. Atuação na medida certíssima!
    Não enxerguei a relação de Nina com a mãe como uma relação de abuso sexual direto. A relação entre elas é de controle, Nina vive quase em cárcere privado, não tem vida fora do balé. O controle que a mãe tem sobre Nina é doentio sim, mas não fica claro que houve abuso sexual. Talvez uma repressão sexual pelo fato da mãe dela ter interrompido a carreira por ter ficado grávida de Nina. Há muita culpa na relação das duas e muita tensão reprimida também.

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  9. Belíssimo filme, uma das coisas mais interessantes que já vi no cinema. A gente fica perdido durante a exibição, preso à mente insana da personagem principal, que luta o tempo todo entre o bem e o mal. A dificuldade de fazer emergir em si o cisne negro vai revelando uma personagem angustiada, reprimida e que tem, com a mãe, uma relação doentia da qual precisa se libertar. Nina não pôde amadurecer, basta perceber o tom de voz que Natalie imprimiu para a personagem Uma voz meiga,infantil, baixa, delicada como um cristal, prestes a se romper numa rajada mais forte de vento. Não há chance de harmonia, como em qualquer ser humano, do branco e do negro. Para que um realmente surja, será necessário aniquilar o outro. Final maravilhoso, deu vontade de levantar e bater palmas. Filme e atuação inesquecíveis!!

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  10. Concordo com a Mônica. Nina vive quase num 'cárcere privado' , devido à educação conservadora certos 'desejos adultos' são reprimidos, ela é infantilizada na criação que recebe. A bailarina tem medo da desaprovação da mãe e evita mostrar certas coisas, mas ela precisa extrair o 'cisne negro' dentro de si, e com isso enfrenta a autoridade familiar e a si própria para expor verdades até então ''indesejáveis''. É mais do que um filme sobre os ' bastidores do bale ' é um filme sobre auto-descoberta!

    Do ponto de vista cinematográfico é louvável a forma como somos " jogados para dentro do filme ". A criação de uma atmosfera sombria e delirante é um marco! Show do Darren!

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  11. A vontade de bater palmas me ocorreu também. Mas demorei tanto pra "sair do filme" que, quando lembrei do aplauso, as luzes já estavam acesas e as pessoas indo embora. E eu lá, ainda mergulhada no universo cinematográfico criado pelo diretor. Fantástico!

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  12. Já assisti a uma boa dezena de filmes, mas Cisne Negro foi o único que quase me leva às lágrimas. É espetacular em todos os sentidos. A atuação de Natalie Portman é arrasadora. Vincent Cassel e Mila Kunis dão um show também. Numa época cheia de pirotecnia e repetições sem sentido, Cisne Negro coloca a Sétima Arte no mais elevado patamar.

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  13. Muito bom o seu texto! Dos melhores que eu li até agora sobre o filme! Assiti e gostei muito! acho que você resumiu bem o ponto forte: o processo pscológico da bailarina Nina na busca pela perfeição artística. A honestidade de Nina em lidar com os próprios limites, querendo superá-los a todo custo e sofrendo por isso. Nina é a personificação do conflito, do envolvimento obsessivo em algo. Nela o impulso dócil coexiste com um impulso mais "selvagem" reprimido, mas que ela pressente desde o começo existir dentro dela, tanto que não se satisfaz com o papel do cisne branco: Ela quer o cisne negro! No fundo sabe que ela mesma é sua maior rival, sabe suas dificuldades, mas sente que é capaz, e aceita corajosamente o desafio, se envolvendo a ponto de sentir-se como o próprio cisne negro. O autor nos faz reviver esse tipo de sentimento que todos nós já vivemos em algum momento enquanto percorremos um objetivo, um sonho. Nina seria a única bailarina capaz de viver intensamente o cisne branco e também o negro. Só dependerá dela.

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  14. "Numa época cheia de pirotecnia e repetições sem sentido, Cisne Negro coloca a Sétima Arte no mais elevado patamar." Concordo contigo,Cristiano!

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  15. Gente, a crítica está muito bacana, e ambas fazem jus ao filme. Como é de meu costume, assisti primeiro, para ler depois.
    Só penso que a mãe da Nina tem um papel muito menos fundamental do que foi apoiado pela Mônica. Acho que ela na verdade conhece, ou tem vislumbres, da dualidade existente em Nina, e por isso tenta protegê-la no mundo infantil.

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  16. Oi, Stefano. Eu acho que a mãe dela, ao mesmo tempo que protege, sufoca a filha, o que contribui bastante para o desenvolvimento dos problemas de Nina. Nesse sentido, a presença da mãe é perversa na vida da filha, pois a figura materna é sempre uma referência muito forte na vida de qualquer indivíduo. É difícil para Nina se desprender daquele contexto, embora ela se sinta aprisionada. Entra o conflito da personagem: como poderia, minha mãe, me desejar mal? É, isso pode acontecer, de forma direta ou indireta, consciente ou inconsciente. E apoiando a obsessão da filha pela perfeição, a mãe de Nina participa de tudo de ruim que acontece à Nina.

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  17. Acabei de assisitir ao filme e quando terminei me senti imóvel, julguei não entender nada. O que era realidade e o que era ficção??? Pensei que a qualquer momento ela fosse acordar e ver que era um pesadelo. Intenso, é assim que descrevo.
    Busquei logo "ajuda", eu fui buscar por "críticas" e eis que aqui achei pensamentos parecidos com o meu e me sinti mais calma.
    Ha momentos em que nos sentimos íntimos à ela, e desejamos que ela se liberte de tanta submissão, que grite e jogue pra fora toda a alma do cisne negro que parece estar "entalado" em qualquer um de nós.
    Excelente atuação...

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  18. Assisti recentemente Cisne Negro, e sinto que a interpretação de Natalie, bem como a complexidade da personagem são bem maiores que o filme. Do filme em si, como roteiro, não há muito o que se dizer, pois há cenas que ficam a critério do espectador deduzir o que realmente aconteceu (visto que é difícil traçar um perfil da personagem, que delira entre o real e o imaginário). Sem dúvida, o filme é ofuscado pela própria personagem, como a grandiosa cena de dança, e interpretação perfeita de Natalie, na transformação para o cisne negro: a plateia (no filme) vai à loucura, e eu, na poltrona, fiquei sem fôlego, quase em taquicardia!

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  19. Gerson e Olinda. É muito bacana poder trocar ideias sobre a experiência de assistir a um filme como esse. Ele nos tira do eixo e demoramos a voltar após a sessão.
    Gerson, o roteiro em si é simples, mas a forma maravilhosa como ele é trabalhado, nos oferece uma perspectiva de realidade/loucura que transcende o ato de contar um história. Você sente a história!

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  20. Mônica.., arrebentou!!! Isto é uma resenha!!!

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  21. A interpretação de natalie portman é qualquer coisa de estraordinário devia ganhar o oscar de melhor atriz defenitivamente... agora o filme meu deus é um castigo! a história poderia ser interessante se bem desenvolvida, no entanto passamos 2 horas a ver práticamente o mesmo, vezes e vezes sem conta! enfim cada um com a sua opinião, mas na minha não vae a pena pagar para ver! sinceramente fiquei muito desiludida!

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  22. Estou sem chao...
    Acabo de assistir. Ainda estou fora do eixo...tambem vim buscar ajuda pq me sinto muito angustiada...o filme e muito intenso, visceral. Estou com nauseas e sei que foi o filme, talvez seja o "cisne negro entalado"

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  23. Pessoal,
    Muito bacana e esclarecedores os comentários de vocês. Mas preciso fazer uma pergunta: Afinal, ela morre no final ou não?
    Desde já agradeço!!!
    Abraços

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  24. Filmaço, um clássico. E o texto da crítica encaixou-se perfeitamente com minha opinião.

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  25. Natalie Portman já fez vários papéis onde sofre uma transformação na sua personalidade : "Leon, O Profissional", "V de Vingança" entre outros. Em "Cisne Negro" esta característica realmente aparece ainda mais.

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  26. Olá, excelente ponto de vista o seu Monica! vI o filme e simplesmente amei, é como dizem em comentarios a cima, é uma obra cinematografica verdadeira!!!
    Gostei tanto q sai indicando a todos!! ai um caro colga, assistiu e veio com a seguinte " a mãe de Nina esta morta durante toda a história, a mãe só existe no mundo de Nina" e ai? eu discordo e vc Mônica o q acha???

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  27. Bem, não há indícios que sustentem que a mãe de Nina estaria morta. O fato de Nina estar tendo alucinações não é suficiente para sustentar isso. Mesmo porque ela em momento algum diz "I see dead people". rs
    Acho a mãe importante demais no desenvolvimento dos problemas de Nina para ser apenas uma assombração. A pressão psicológica que a mãe exerce sobre a filha é essencial para o desenrolar da história.

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  28. A mãe de Nina, na realidade, não existe no filme; seja por estar morta, ou por imaginação da bailarina. Em momento algum ela interage com pessoas que não sejam a filha. A casa tem apenas um quarto, sugerindo que ninguém mais reside lá. Além do mais, ela aparece com a mesma roupa durante todo o filme.

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  29. O diretor dá enfoque à relação das duas de maneira a mostrar como aquilo é sufocante. A mão vive em função da filha e o figurino dela só destaca o fato dela ter a necessidade de se reafirmar como bailarina. Afinal, ela é obscecada por isso (lembre das pituras dela).
    Nós só vemos um quarto. Isso não significa que só haja um.
    E a mãe dela interage também com Lily.

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  30. e afinal, ela morreu ou não? obs: ótima crítica. A melhor que já li. Parabéns!!!

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  31. Bem, a graça é a gente não saber ao certo. A apoteose do filme não era ela morrer, era atingir o seu limite. E o limite costuma ficar perto da morte.
    Se a gente soubesse se ela morre ou não, o clímax perderia a sua força, não acha? ;)
    Obrigada pelo elogio! Valeu mesmo! beijo.

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  32. A principio o filme me deixou um pouco confusa...mas depois de assistir outras vezes com um olhar mais atento, pude perceber quão valiosa e extraordinária é a mensagem que ele passa, no fundo todos somos um pouco de Nina...temos nosso medos e limitações,precisamos despertar o Cisne Negro que há dentro de nós, sem é claro, chegar no auge da loucura.Realmente nosso maior inimigo somos nós mesmo.Parabéns pela análise!!!

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  33. Somente ontem consegui assistir ao filme e desde o início tive a impressão que a mãe da Nina existe apenas no mundo da Nina. Me pareceu ser uma mãe já morta e que a Nina tenta ter o sucesso que a mãe não teve como bailarina.

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  34. Anderson Castilhos28 de julho de 2011 03:05

    Olá, sei que estou bem atrasado, pois é final de julho e acabo de assistir o filme. Na minha opinião é muito dificil dizer qual o verdadeiro problema com ela, se a mãe existe ou não, pois cada um de nós temos vivências, medos, atitudes que nos fazem pensar e chegar a uma conclusão diferente, e é isso que torna o filme ótimo, pois não há uma só interpretação, estamos viciados a querer as coisas mastigadas sem pararmos e pensarmos, pensar dói, mas o mágico é buscar informações e ver que outras pessoas têm visões de ângulos diferentes e poder compartilhar. Sendo assim, nos faz pensar: "Será???" "Eu acho que não!!" "Não tinha pensado nisso.". Concluindo o filme é ótimo, fabuloso.

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  35. Olha.... Antes de tudo quero dizer que respeito a opinião de cada um e que gosto não se discuti, mas quero dizer que "Black Shawn" é um dos filmes mais chatos que já vi, sem pé nem cabeça e com um enredo totalmente angustiante, concordo que foi bem produzido e que Natalie estava impecável, mas sejamos sensatos, o filme não acrescentou nada para ter o destaque que teve, só incrementou o número de pessoas que defendem um filme sem noção desses para se acharem mais cultas e inteligentes, e só por decifrarem que a protagonista é uma obcecada com dupla personalidade.

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  36. Cara tô super atrasada; vi esse filme só agora 8 meses depois de ser lançado no Brasil. Relutei pois qdo vi o trailer tive medo do filme. Ele me passou uma impressão totalmente diferente do que realmente é, pensei que fosse ser um tanto "macabro", pois o trailer mostra mtas caras medonhas olhando para o espelho. Mas não, ele me deixou hipnotizada em tempo integral. Grande parte de sua crítica encontrou lugar em mim. Tava lendo e só balançando a cabeça afirmativamente! Gostei do que escreveu. Faz tempo que não vejo filmes, justamente por não sentir mais a emoção que este me proporcionou - a de começar arrepiar o tornozelo e ir subindo todo o corpo! Sem medo, e sim " arrebatando" sentimentos mais íntimos. Tô em extase e agradecida! Lívia Gonzalez

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  37. Oi, Monica, atraso total para ver o filme... Mas, angustiada com a ambiguidade do final (a morte ou não de Nina), fiquei muito feliz em achar sua crítica. Principalmente porque, acredito, ela resgata o papel da mãe nessa história toda de "adultamento", e não vê o percurso sofrido de Nina apenas como algo inerente ao processo de criação artística. Achei genial também outras pessoas levantarem a ideia de que a mãe não existiria... nem passou pela minha cabeça! Sò que talvez ela usar a mesma roupa durante o filme possa ter a ver com uma recusa da passagem do tempo - parece que ela se veste como bailarina, com aquele coque...
    Bom, adorei o filme e o elenco...mas prefiro um final em que ela não morra no final: afinal, a idéia da coexistência dos dois cisnes em cada um de nós é bem melhor que a da vitória de um lado sobre outro. Abraços e obrigada por compartilhar suas reflexões conosco, renata

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  38. acabei de ver o filme. não consigo compartilhar da ideia da maioria. tirando a atuação de Natalie Portman, o filme não acrescenta nada a minha vida. um porre.

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  39. poor: ivna praciano

    quase perfeito mais não gostei de algumas cenas , nao dava para distinguir muito bem o real do irreal, e nina ter morrido... ela poderia ter desmaiado e depois recomeçar, o fato de ela ter morrido quando justamente quase se torna perfeita e se libertar, muito drama... :-) :lol: :-?

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  40. O Filme Cisne Negro é ótimo, Natalie Portman ótima atriz, melhor de todas.

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  41. Estou super-hiper-mega atrasada, só semana passada que fui finalmente assistir o filme.(!)

    Desde que vi o trailer já havia me chamado a atenção, mas como hoje em dia muitas vezes os trailers são preparados de forma a aparentar ser uma coisa maior que os filmes realmente são, então tratei de tentar reprimir a empolgação. Mas, agora, depois de assisti-lo, percebo que minhas expectativas iniciais é que estavam aquém da grandiosidade do filme!! Fiquei simplesmente apaixonada.

    Um roteiro brilhante, uma trilha envolvente e atuação de Natalie Portman tão intensa, surpreendente e impactante fazem deste filme uma verdadeira obra de arte! A forma com que o expectador é levado para dentro do perturbador processo mental do desenvolvimento do cisne negro, e do lado obscuro da personagem, é simplesmente fantástico!! E o fato de cada expectador fazer parte do filme, no sentido de percepção e interpretação sobre o que é real, e o que é imaginação na mente de Nina, traduz um grande diferencial à obra.

    E esta critica maravilhosa?!De uma percepção e tradução incriveis, parabens Monica e Bruno!!

    Li aqui algumas observações a respeito da existencia real ou não da mãe de Nina, e assim como alguns, também não tinha pensado nisso, talvez pelo fato da mãe ter interagido com a personagem Lily. O que está rondando em minha mente é uma metáfora da mãe com aquele personagem da dança que lança o feitiço e aprisiona a garota na pele do dócil cisne branco(me esqueci o nome, na primeira cena do filme, no sonho de Nina). Foi o que a mãe fez com a filha, por toda a sua vida, e achei muito interessante a cena em que as duas brigam, no dia que antecede a grande estreia, quando a mãe pergunta onde está a doce menina, e Nina, já quase tomada pelo lado negro do cisne, então responde que ela se fora.. Mais ainda, depois da queda no palco, já no camarim, quando ela finalmente sofre o conflito interno entre os seus dois lados, achei brilhante o lado branco vencendo o negro, ao mesmo tempo que este fato a faz ser tomada totalmente pelo lado negro!!

    Nossa, são tantas coisas que pairam pela minha cabeça, tantas sensações que este filme traz, que não consigo dizer tudo o que penso e nem me expressar corretamente!! Rs...

    Bom, mas resumindo tudo, só tenho algo a dizer.. "Eu senti.. Perfeito, e foi perfeito"!!

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  42. A crítica está no mesmo nível do filme e da atuação de Natalie Portman: perfeito!!!

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  43. Já vi duas vezes o filme e veria mais umas dez... A confusão entre o real e o delírio dão margem a tantas interpretações que torna o filme inesgotável.
    Muito boas as críticas, apenas discordo do Bruno quando chama Lily de competitiva. Ela talvez seja uma das menos competitivas naquela companhia fictícia. Verônica é bem mais arrogante e invejosa que ela. A personagem de Mila Kunis é sensual e espontânea, mas quem a inveja é a Nina, que cria essa visão competitiva dela. Mas, como eu disse antes, existem infinitas interpretações... É um filme incrível!

    Obs.: Sou bailarina e achei ridículo quem criticou a escolha de Natalie Portman para o papel. Ela está perfeita, até porque o ponto central do filme é sua perturbação psicológica, e não sua qualidade técnica no balé.

    Marta P. A.

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  44. Sou fã do Daren desde Réquiem para um Sonho, e ele realmente se superou em Cisne Negro. O que eu não consigo desvendar, e acho que também ninguém, é o que é real e o que é só da mente da personagem. Afinal, ela é uma psicótica? Essa seria uma explicação plausível, mas se o filme foi uma produção para a cultura de massa, seria algo mais sútil como "pessoas que buscam a perfeição ficam loucas"? É algo difícil de compreender. Acho que as unicas certezas que esse filme dá, é de que ela dança ballet, que não é muito sã e que quer o papel principal. Eu vejo assim: se em um momento acontece uma cena forte e depois não passou de imaginação da personagem, quem garante o que é realidade e o que é fantasia? Quem garante que ela realmente morreu no fim? É complicado. Acho que as verdadeiras intenções do diretor com esse filme foram impactar o espectador e mostrar que a busca pela perfeição é um caminho sofrido.

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